Parceria entre empresa, escola pública e comunidade gera resultado de grande valor social em Duque de Caxias

Pátio da escola onde se desenvolve o projeto "Um cantinho verde pra chamar de nosso". Foto: Francisco V. Santos / AgênciaUVA

Pátio da escola onde se desenvolve o projeto “Um cantinho verde pra chamar de nosso”. Foto: Francisco V. Santos / AgênciaUVA

A inauguração do projeto “Um cantinho verde pra chamar de nosso” celebrou o sucesso da parceria entre empresa privada, escola pública e comunidade, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, no dia 25 de abril. O objetivo era a construção de uma horta comunitária na Escola Municipal Dr. Manoel Reis, que fica em um bairro pobre da Baixada Fluminense, mas o resultado alcançado foi muito maior do que o esperado.

Em 2017, a Arlanxeo Brasil, fabricante de borracha sintética com uma fábrica instalada no município, promoveu um concurso para que as escolas da região participassem do programa de sustentabilidade da empresa, denominado “Ciclo Verde Arlanxeo”. Essa iniciativa tinha o intuito de auxiliar no desenvolvimento socioambiental das comunidades nas áreas de cultura, educação, meio ambiente e água. Os projetos classificados nos dois primeiros lugares receberiam a quantia de 10 mil reais cada um, para serem utilizados na implantação do programa. A escola Dr. Manoel Reis ficou em segundo lugar com o projeto “Um cantinho verde pra chamar de nosso”.

Situada no bairro Campos Elíseos, no subúrbio de Duque de Caxias, a escola atende a cerca de 500 alunos da educação infantil e do ciclo fundamental I (1º ao 5º ano), distribuídos em 20 turmas nos turnos da manhã e da tarde. A professora Suzana Coelho, 46 anos, que era diretora no ano passado, conta que a situação da escola estava muito precária. Havia problemas com a má conservação do prédio, falta de material escolar e outros, que causavam desmotivação nos alunos e funcionários. Foi então que viu no concurso uma oportunidade de melhoria.

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Vista da horta constituída por calhas de PVC fixadas no muro interno da escola. Foto: Francisco V. Santos / AgênciaUVA

A proposta inicial era captar recursos e apoio técnico para construir uma horta comunitária, usando estruturas verticais, fixadas ao muro, para cultivar verduras, legumes e temperos. Mas após a aprovação no concurso, a direção da escola resolveu agregar ao projeto o tema da alimentação saudável. A ideia deu tão certo que foi abraçada com entusiasmo por todos os alunos, desde a pré-escola até o 5º ano, e teve também a adesão dos pais, professores e funcionários, conta Suzana.

Além disso, a notícia das mudanças na escola se espalhou e a repercussão foi tão positiva na comunidade que os moradores se mobilizaram para ajudar. Com parte do dinheiro que sobrou da horta e com a ajuda de voluntários a escola conseguiu reformar as partes internas e pintar todo o prédio. Mas o principal benefício alcançado pelo projeto não foi a recuperação da infraestrutura nem a horta em si, foi a mudança de atitude dos alunos e de toda a comunidade em relação à escola.

Segundo a diretora Marize Godinho, de 50 anos, o projeto ajudou a melhorar a frequência escolar dos alunos, especialmente os mais velhos. Aqueles que antes não tinham nenhuma disciplina, que já viveram em situações de risco e tiveram histórias de violência na família foram aderindo aos poucos e agora estão totalmente engajados. “O mais emocionante para mim foi ver alunos que já estavam se perdendo, envolvidos com o mundo do crime, voltarem às aulas e pedirem para usar a camisa do projeto, sentindo-se orgulhosos de pertencer à escola. Me emocionei e chorei muito durante a apresentação deles no dia da inauguração da horta”, afirma Marize. A horta também ajudou a estimular a prática da alimentação saudável pela garotada.

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Professoras Marize Godinho e Suzana Coelho. Foto: Francisco V. Santos / AgênciaUVA

Jorge Pereira Barbosa, 48 anos, ex-aluno e um dos colaboradores, disse que tomou conhecimento do projeto por intermédio de sua filha, Lídia, estudante do 5º ano, e está muito satisfeito, porque ela passou a se interessar mais pela alimentação saudável e a comer verduras e legumes. Lídia de Almeida, 10 anos, está na escola desde o 2º ano e sempre foi boa aluna, mas sente-se mais feliz agora, porque gosta da atividade com as plantas e também porque todos na escola estão mais felizes. No dia da inauguração, que todos chamam de “culminância”, até a empresa parceira foi surpreendida pelo resultado alcançado.

A estratégia aparentemente simples de uma empresa — uma ação de responsabilidade social em parceria com uma comunidade pobre — e a gestão entusiasmada de uma escola pública foram capazes de gerar uma realização de grande valor social, com impacto na vida de muita gente.  “O projeto ‘Um cantinho verde pra chamar de nosso’ foi uma grata surpresa. Sabemos que esse registro da companhia como incentivadora do projeto marcará a memória de pais e alunos e, possivelmente, atrairá talentos para nossa empresa”, afirma Carla Comunale, responsável pelo programa de sustentabilidade da Arlanxeo Brasil.


Francisco V. Santos – 7 º Período

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