Crítica: ‘A Morte de Stalin’

MV5BMDhkMjdkNjEtMDExMi00MzRhLTgyMWUtNWRmZTdhZThhMDNhXkEyXkFqcGdeQXVyNTIyODMzMzA@._V1_SY1000_SX675_AL_Josef Stalin foi um dos grandes personagens do século XX. Começou ao liderar a revolução bolchevique em 1917 ao lado de Vladimir Lenin e assumindo o comando do recém-fundado estado soviético. De 1922 até 1953, Stalin exerceu um governo com punho de ferro, seja censurando a imprensa, cerceando liberdades individuais e executando a sempre crescente lista de opositores a seu governo.

“A morte de Stalin” então inicia-se no período entre a sua morte em 1953 e a escolha de um sucessor quando um esperado vácuo surge no comando da União Soviética. O grupo de políticos antes próximo do falecido líder, formado por Khrushchov, Béria, Malekov e outros deve decidir, por meio de constantes conspirações, quem será o novo líder da União Soviética.

Original da televisão britânico, o diretor Armando Iannucci dá uma aula de como se produzir o famoso “humor britânico”, ou seja, o tipo de comédia que não se prende a piadas explícitas ou o uso das “trilhas de risadas” (risadas automáticas produzidas logo após uma situação engraçada), dependendo apenas de deixas produzidas pelo roteiro para deixar o sentido cômico no ar.

Imortalizado em seriados como “Mr.Bean”, ” The Office” (tanto a versão americana como a inglesa) ou nos filmes dos irmãos Cohen, como ” O grande Lebowski” e “Fargo”, esse estilo humorístico sofre constantemente com plateias acostumadas com o modelo americano, entretanto, em ” A Morte de Stalin” esse estilo consegue desenvolver-se sem maiores problemas.

MV5BN2Q5ZWVmZTQtYjEyYS00ZTVjLTljZDItNGQ3NTE2YTJkYTc1XkEyXkFqcGdeQXVyMjk3NTUyOTc@._V1_

Um crítica social também é perceptível na produção. A todo momento em que os políticos russos conspiram sobre quem deve assumir o comando ,é de fácil reconhecimento que essa situação possa ser inserida em qualquer governo do mundo. A montagem de cenas no início também é interessante pois inicia-se logo com a expedição, feita por Stalin, de uma ordem de execução a todos os seus oposicionistas. Em seguida as cenas mostram uma Moscou com pouquíssimos transeuntes de dia e soldados invadindo casas e realizando prisões a noite. Apesar de contar com bons momentos de comédia pura, a violência explícita também é uma ferramenta essencial de apoio ao humor negro trabalhado.

O elenco formado por atores veteranos, versados não só em papeis dramáticos como de comédia, dá conta do recado. Steve Buscemi é o grande destaque, evocando em Khrushchov seus melhores momentos em “Boardwalk Empire”, mas com a intensidade sempre voltada a deixar claro que se trata de uma representação cômica de um político soviético. Jeffrey Tambor é o outro destaque, dando vida ao líder comunista provisório Malenkov de maneira a representá-lo como alguém inseguro e passivo em meio ao mar de políticos predadores de maneira a que sua comédia se foca em suas feições de fraqueza.

Por fim, “A Morte de Stalin” é um típico produto do humor inglês. Possui um humor que nem todos podem gostar pois não sinaliza o momento exato em que a plateia deve reagir. A ambientação de um estado ditatorial é transmitida com sucesso por meio justamente do humor, que o impede de tornar um grande drama, seja pelas cenas de violência ou pelos diálogos de total indiferença (proposital) sobre quem morre. Existe um público cativo já garantido para uma obra assim, seja o de aficionados por sitcoms britânicas ou por adaptações de períodos históricos.


Gustavo Barreto – 7º período

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s