Crítica: ‘Eu só posso imaginar’

J Michael

Em meio à dor, à perda, ao desespero, o que você faria? Bart Millardy (J. Michael Finley) decidiu escrever. E cantar! ”Eu só posso imaginar” (“I can only imagine”, no original em inglêsconta a história de um menino que nasceu em um lar violento e sem amor, mas que encontrou na música o seu porto seguro, a sua válvula de escape daquele ambiente duro e cruel. Sofreu o abandono e enfrentou por muitos anos as arbitrariedades de um pai (interpretado com maestria pelo experiente Dennis Quaid) abusivo. Na intenção de agradá-lo, e consequentemente diminuir os transtornos que enfrentava, Bart decidiu seguir o sonho de seu pai: deixou de lado a música e foi jogar futebol americano.

Assim, o menino cresceu. Criando uma vida de omissão, forçando as pessoas ao seu redor a acreditarem em sua felicidade. Vivendo uma trajetória de fantasias, onde tudo parecia estar bem, e fazendo aquilo que seu pai esperava que ele fizesse. Nesse aspecto, a atuação de J. Michael é excelente. O ator consegue transmitir através de seu sorriso forçado e de seu olhar cativante, toda essa farsa que ele insistia em manter. Mesmo se esforçando, Bart não podia viver em plenitude, porque não conseguia se desvencilhar do seu passado.

Porém, na vida, não dá para prever o que acontecerá. Nessa hora, os debates com relação à existência humana podem surgir na cabeça do espectador. Tudo o que estava ocorrendo aquele garoto era culpa do destino ou plano de Deus? Acaso? Carma? Enfim, são muitos os questionamentos que norteiam essa questão. A única coisa de real que Bart conseguiu fazer nesse período de sua vida foi largar o futebol (porque foi forçado), deixando seu pai violento e opressor para trás, abraçando a sua fé em Deus e se dedicando aquilo que realmente amava: a música.

Sem título 3

A partir daí, o conto segue com o clichê mais comum desse tipo de filme: a busca pelo seu lugar ao sol. Quando Bart acreditava faltar pouco para chegar a esse lugar, o mundo dava outra volta. Nessa volta, ele vai precisar revisitar seu passado se quiser ter um futuro real, sem fantasias, de uma vida que nunca teve. Ele terá de perdoar, se perdoar e pedir perdão. Perdoar não é fácil. Há quem diga que pedir perdão é mais difícil ainda. Bart terá que dar uma segunda chance para a sua vida. E terá que fazer tudo isso sentindo muita dor. Uma dor que irá doer como nunca para só assim não doer nunca mais.

JII

O filme “Eu só posso imaginar”, dos diretores Andrew Erwin e Jon Erwin, é baseado na história real do vocalista da banda norte-americana de rock cristão MercyMe e de como ele conseguiu transformar sua dor em uma das canções mais executadas e mais vendidas dos Estados Unidos, dentro e fora do seguimento gospel.

Para quem tem a fé em Deus como base em sua vida, o filme trata de uma jornada de perdão. Se Deus perdoa e ensina a perdoar, é o que deve-se fazer. Porém, para aqueles que seguem outras correntes teóricas, a mensagem que fica é a da segunda chance. Se existe um arrependimento genuíno e verdadeiro, o filme mostra que todos a merecem.


Débora Esteves – 7º período

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