Crítica: ‘Hare Krishna!’

O ícone dos mantras documentado em película

Hare-Krishna-documentario-cartaz.jpgEstes são tempos em que a juventude busca por mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas profundas por meio de engajamento, posicionamento e compartilhamento de ideias que provoquem reflexão e transformação. Não é um fenômeno exclusivamente deste século. Aconteceu movimento semelhante no passado, nas décadas de 1960 e 1970 – com suas especificidades, é claro. Uma característica marcante dessa época é o Movimento Hare Krishna.

Conquistou pessoas por todo o mundo e teve grande atenção da mídia. Atento, o diretor John Griesser resolveu acompanhar Srila Prabhupada por anos a fim de produzir um documentário que foi lançado em cinemas de países como Índia, Rússia, Estados Unidos, África do Sul. “Hare Krishna! O Mantra, o Momento e o Swami que começou tudo” está em circuito nacional no Brasil.

O longa teve o cuidado de abordar desde o começo a carreira de líder espiritual mundial de Prabhupada. Não foi aos 25 anos, mas aos 70 de idade que o indiano chegou aos Estados Unidos com pouquíssimos meios de subsistência para cumprir sua missão. Em meio às turbulências do ano de 1965, ele conseguiu chamar a atenção dos jovens que queriam se conectar espiritualmente com qualquer energia fora deste plano e alcançar a transformação humana da qual precisavam.

A captura do comportamento desses primeiros seguidores do Hare Krishna é essencial, mostrando como se dá o caminho para o estado mental-espiritual que alcançavam. As imagens deles enquadradas em closes percebem a excitação contida no ato de estar ali sentado ao lado de Prabhupada. Inclusive, dão depoimentos durante o documentário sobre a relação que tinham com o líder, até surpreendendo quem imaginasse que era apenas uma fase.

E muitos imaginavam, já que era amplamente conhecido. O papel da mídia na propagação do canto Hare Krishna é posto como essencial para o movimento se tornar o que foi nos anos 70 – de pautas de rádio e jornal à gravação de música e espaço em disco dos Beatles. Nesse meio tempo, hippies cada vez mais se agregaram ao fenômeno; viagens pelo mundo se iniciaram; e, serenamente, Prabhupada acaba conquistando a atenção de nações. Enquanto isso, as lentes do diretor captam cada momento de glória. Segundo o líder, não a glória a si ou à vida terrena, mas a Krishna.

Contudo, o filme não poderia deixar de abordar o preconceito e críticas sofridas pelos alegres rapazes e moças que cantavam o mantra pelas ruas. Os depoimentos colhidos pelo diretor relatam boatos de lavagem cerebral, por exemplo. O comportamento desses krishnas não era usual, bem como vestiam roupas excêntricas e faziam sacrifícios pessoais em nome dessa fé. Houve um respeito a isso tão grande no roteiro que deixa uma impressão de que o documentário não é lugar de ceticismo ou questionamentos por parte do outro lado da história.

Por fim, as lentes da câmera estão presentes na despedida de Prabhupada a seus seguidores. Aquela aura presente em todas as cenas anteriores está ali, meio obscura e desconhecida. Talvez entendida só por aqueles que são conectados ao movimento – e pela sensibilidade artística de Griesser. Mesmo não sendo apegado à Terra, o indiano deixou templos, publicações (escritas e reescritas pelo próprio) e muitos fiéis.


Jefferson Alves – 7º período

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s