Cresce o número de trabalhadores informais no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que os brasileiros ainda estão sofrendo com a crise econômica. O levantamento mostrou um declínio no padrão de vida de seis em cada dez brasileiros.  O número de desempregados cresceu consideravelmente e, para tentar sobreviver em meio ao caos financeiro, muitos buscam atividades informais. Um terço da população desempregada foi em busca dos empregos informais, bicos e trabalhos temporários. Houve um aumento de 21% em trabalhos como pedreiro, pintor e esteticista; no setor de alimentação e diarista, de 11%; e de 8% em serviços de beleza. Foram entrevistadas 600 pessoas nas 27 capitais.

Foi o caso da Cleusa Maria dos Santos, de 67 anos, que até chegar a ser vendedora ambulante, trabalhou muitos anos como funcionária em uma empresa do ramo têxtil. Após ficar desempregada, passou a trabalhar informalmente como diarista e manicure, para ajudar a pagar o aluguel. “Para aqueles camelôs que não contam com aposentadoria ou qualquer outro tipo de renda, é quase impossível sobreviver. ”

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Cleusa tenta driblar a crise vendendo guloseimas em uma barraca. Foto: Daniela Oliveira / AgênciaUVA

Cleusa não tem auxilio de seus familiares para complementar o orçamento em casa, assim como parte dos entrevistados na pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito. Para cerca de 29%, o sustento vem da ajuda financeira de familiares ou amigos; 7% recebem auxílio do programa de governo Bolsa Família; e apenas 2% utilizam poupança ou investimentos.

O profissional com emprego fixo tem a segurança de que receberá um salário no final do mês. Já para quem está desempregado, cada dia é uma luta. O levantamento revelou que 41% dos desempregados possuem contas em atraso, sendo que 27% estão com o nome negativado em serviços de proteção ao crédito. No topo do endividamento aparecem parcelas no cartão de loja, com 25%, seguido por faturas do cartão de crédito, que representam 21%; contas de luz, 19%; contas de água, 15%; e parcelas do carnê ou crediário, 11%.

Cleusa também já se endividou no passado, mas afirma que agora consegue administrar melhor sua renda. Com muita disciplina e planejamento, venceu essa fase tão ruim. “É muito difícil a vida do camelô, tem muita gente com dívidas, outras tentando pagar suas contas e manter o aluguel em dia.” E é com coragem que segue em frente, pois a realidade enfrentada por conta da recessão financeira é dura. Passar por muitas dificuldades e conseguir manter a cabeça erguida e feliz, é o grande desafio do cidadão brasileiro.

Mudanças no dia a dia

No entanto, os brasileiros sempre arrumam um jeitinho de lidar com as situações adversas e 59% alteraram as despesas mensais, com gastos considerados supérfluos como compra de roupas, calçados e acessórios (65%); bares e baladas (56%); comida fora de casa (56%); alimentos como carnes nobres, bebidas e iogurtes (52%); lazer (52%); salão de beleza (45%). As custas consideradas necessárias permaneceram: água e luz (65%); higiene, limpeza e alimentação básica (64%); planos de internet (49%); telefonia (45%); e TV por assinatura (40%). Dos entrevistados, 32% mantiveram plano de saúde.

Contudo, 52% deles deixaram de lado algum sonho de consumo por estar desempregado, como reformar a casa (25%); comprar ou trocar o carro (17%); e comprar móveis (17%). Também ficou para trás a reserva financeira (28%); o sonho de abrir o próprio negócio (16%), de fazer uma faculdade ou pós-graduação (14%) e de fazer uma viagem (13%). Na pesquisa, 38% dos entrevistados disseram não ter sonho; muitos não conseguem enxergar uma perspectiva de melhora no cenário econômico em que vivem.

Quase metade dos desempregados (46%) passaram a pedir dinheiro emprestado a amigos e familiares e 30% recorreram ao cartão de crédito. Como contenção de gastos, 63% optaram por marcas mais baratas na hora das compras. O levantamento revela ainda que 68% passaram a fazer mais pesquisas de preços e 62% a pedir descontos.  Os efeitos da crise afetam a população brasileira, e conseguir equilibrar o orçamento é o desafio.


Daniela Oliveira – 6° período

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