‘Futebol feminino continua escondido apesar dos títulos’, diz ex-atleta do Vasco

“O machismo da nossa sociedade infelizmente acaba impedindo bastante que a gente consiga seguir no meio do esporte.”

A sociedade brasileira reproduz preconceitos de gênero em diversas fases da vida, delimitando espaços e brinquedos lúdicos para meninas e meninos, quando crianças, e restringindo a profissão que se deve seguir e o esporte que se deve praticar de acordo com o sexo do indivíduo. A cultura machista atua diretamente contra o futebol feminino no Brasil. Muitos ainda sustentam a ideia de que por mais que a mulher jogue futebol, ela nunca será tão boa quanto o homem, ou que lugar de mulher é na cozinha e não atuando dentro de campo.

No último domingo (22/04), o Brasil foi heptacampeão da Copa América Feminina (Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino). Durante a competição, seguiu invicto e levantou a taça com apenas dois gols sofridos. A conquista da Copa América confirma o Brasil na Copa do Mundo de 2019, que acontecerá na França, e também nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. Nenhum canal de televisão transmitiu a competição e muitas pessoas sequer sabiam que o Brasil estava disputando algum campeonato.

É heptacampeão! Festa na comemoração do título da Copa América Feminina. Foto: CBF / Divulgação

É heptacampeão! Festa na comemoração do título da Copa América Feminina. Foto: CBF / Divulgação

”As meninas terem sido hepta e nenhum canal de televisão transmitir é um sinal do quanto sofremos preconceito, que isso ainda existe no nosso meio, no nosso país. E mais que isso, como sofremos encarecimento por patrocínio. Afinal, os patrocinadores não vão querer investir dinheiro aonde não se tem visibilidade, não é mesmo? É como se fosse assim: patrocinador não investe, porque não tem visibilidade na TV; meninas não recebem, porque não possuem patrocínio e, com isso, o futebol feminino continua escondido, apesar de sempre estar ganhando títulos.”, afirma Maria Eduarda Ribeiro, 18 anos, ex-atleta profissional do Vasco da Gama de futebol feminino.

Ano passado, a Confederação Brasileira de Futebol determinou que todos os clubes brasileiros de futebol deveriam ter equipes femininas para que pudessem disputar os principais campeonatos. Também foram exigidas algumas obrigatoriedades estruturais e esportivas, como o pagamento de salários em dia, estimular a formação de atletas, equilíbrio financeiro, entre outros.

Ex atleta Vasco da Gama

Maria Eduarda jogando pelo clube Vasco da Gama. Foto: Acervo pessoal

“Acredito que hoje o Vasco tenha um investimento melhor, afinal, a CBF tem criado algumas exigências importantes para o esporte. Times paulistas têm investido bastante e possibilitando que o futebol feminino tenha uma maior visibilidade, apesar de ainda ter uma longa estrada pra percorrer.”, afirma a ex-jogadora do Vasco.

Atualmente estudando Direito na Universidade Veiga de Almeida, Maria Eduarda joga na atlética de Direito do campus Tijuca. “Os homens hoje conseguem aceitar melhor uma mulher jogando bola, mas já passei preconceito e escutei frases do tipo: ‘Mulher não serve para jogar’, ‘Você, menina, joga bola? Impossível!’, ‘Você não vai ser do meu time’, ‘Sai de campo e vai lavar uma roupa’. Isso é muito triste, mas ainda é uma realidade. Porém, tem diminuído bastante.”

Atleta de futebol femino Veiga

Maria Eduarda jogando pela atlética de Direito da Veiga-Tijuca na Taça Universitária Carioca (TUC) contra o time da Uerj-Engenharia. Foto: Acervo pessoal

Além de todos os problemas que o futebol feminino passa por conta do machismo, há também outro agravante: a falta de patrocinador. Diante dessas dificuldades, o Sport Club Corinthians Paulista lançou a campanha #CaleOPreconceito e estampará em suas camisas frases preconceituosas retiradas da internet. Conforme forem conseguindo patrocinadores, substituirão as frases pelos patrocínios. Pretendem, assim, calar quem ainda acha que futebol é coisa de homem.

“Só de perceber que o esporte está crescendo, mesmo que com passos bem lentos, já é algo positivo. Corinthians, Santos, dentre outros, estão conseguindo montar uma base forte. Alguns times da Europa inclusive tem investido bastante. Então assim, olhamos para as gerações passadas e percebemos que hoje temos uma pequena evolução, mas lembrando, tem muito ainda que percorrer.”, diz Maria Eduarda.


Alessandra Borges – 5ª período

 

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