Raquel Fabbri é exemplo da renovação na dramaturgia brasileira

Atriz da nova leva de bons atores nas telas, embora já seja veterana dos palcos desde os 12 anos, ela fez sua estreia no cinema somente em 2017, no filme O Beijo no Asfalto. Raquel Fabbri é uma capricorniana convicta do que quer, nascida em 5 de janeiro de 1988. Estudou no Centro de Ensino Faria Brito, tradicional colégio  do Méier, bairro onde nasceu e até onde hoje reside.

Quando ainda era pequena, já tinha algumas aptidões artísticas. Fazia Ballet Clássico no Centro de Dança Rio, escola de dança também muito tradicional do bairro – de onde já saíram nomes famosos da dança, como Thiago Soares, primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, Allan Falieri, atual bailarino na Compañía Nacional de Danza de España, e bailarinas que hoje fazem parte do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Àquela altura de sua vida, seu sonho era ser bailarina, mas ainda sequer imaginaria que seu destino seria atuando. “Minha infância foi normal, dançava Ballet, depois fui para a natação. Nada de mais, até então. Meu sonho era ser bailarina. Acabei virando atriz”, conta de uma forma divertida, como quem percebe que tudo na vida pode mudar de rumo. Em seu caso, essa mudança definiu a paixão pelo que faz hoje. Poderia ter sido uma excelente bailarina, dada sua paixão pela dança, e também por ter sido pelo Ballet a primeira vez em que pisou no palco. Foi no Teatro João Caetano, para dançar. Mas ela ainda não sabia que não era exatamente esse o palco de sua vida.

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Embora com certa timidez ainda para atuação, foi quando descobriu o teatro que viu que seu coração estava ali. “Eu era apaixonada por dança, logo depois foquei na Natação e com 12 anos descobri o teatro na escola”. Naquele momento seu futuro profissional começava a nascer. “Mas a primeira vez que pisei num palco foi no João Caetano, e com o Ballet mesmo. Demorou um pouco até fazer peça profissional”.

Já na pré-adolescência, estudando no Colégio Metropolitano, também tradicional do bairro,  já estava descobrindo seus novos horizontes. Exatamente nesse local tudo começou. “Minha primeira peça foi na escola, onde fiz a personagem dona Bolandina, em Maroquinhas Frufru”. Ganhou o prêmio de atriz revelação. “Foi bem legal, eu era a antagonista da peça e ainda ganhei o prêmio”. E isso era apenas o início. Ainda no mesmo colégio fez outras peças e, paralelamente, cursos de atuação e oficinas de atores.

Começou a fazer algumas montagens teatrais e já na adolescência, devido à sua versatilidade como atriz e a sua voz peculiar, em pouco tempo já estava trabalhando com dublagem. Entre esses, os de maior destaque foram personagens dos filmes Meninas Malvadas (Mean Girls), O pior Ano da Minha Vida ( My horrible year!), Quebrando O Gelo (Snow Day) para a série O Vidente (The Dead Zone) e Lendas do Tempo Perdido, para o canal Nickelodeon. Ainda assim, ela ainda procurava seu lugar na atuação. “Quando fiz dublagem, não segui por muito tempo. Tinha muita vergonha e era muito novinha”. Ainda assim, tudo estava em evolução. “Uma coisa puxou a outra, fui fazendo cursos, montagens, estudando cada vez mais. E a coisa fluiu. Sempre correndo muito atrás, batalhando muito”, conta a atriz. E seu esforço não foi em vão.

Até então, Raquel apenas era  conhecida  pelos palcos. Mas a jovem promissora estava prestes a ser reconhecida pelo público da telinha também. Em 2006 fez uma participação em um capítulo de Malhação, novela juvenil da grade da Rede Globo. Mas em seguida surgiu um convite para uma novela da Rede Record, Alta Estação, em 2007. “Estava em cartaz no teatro e fui chamada para fazer uma participação, que virou uma personagem fixa na novela. Depois fiz outra novela na Redcord. Foi ótimo!”, conta com entusiasmo. Essa novela era Luz do Sol, e sua personagem, Georgi, a melhor amiga da protagonista.

Seu desempenho rendeu um convite para voltar à Rede Globo, em 2009, fazendo novamente outra participação em Malhação, mas em poucos meses já tinha seu papel na minissérie Cinquentinha, na qual pôde contracenar com grandes nomes na TV brasileira, como  Suzana Vieira, José Wilker, Betty Lago, entre outros. E então não parou. Participou da série As Brasileiras, em 2011, no episódio A Culpada de BH, e, no ano seguinte, participou do Remake de Gabriela, novela do horário das 23h, como uma das meninas do prostíbulo Bataclan. E eis que surge o convite para um papel fixo e de destaque na novela das 19h do canal, Alto Astral, como Beatriz (Bia) Martins, irmã da protagonista, Nathália Dill. No fim do ano passado, em uma participação, contracenou em um capítulo com Glória Pires, na atual novela das 21h, O Outro lado do Paraíso, o que deixou a jovem muito orgulhosa de sua trajetória, ao poder atuar com atores já consagrados e grandes nomes da dramaturgia.

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E o canal fechado também teve sua vez, fazendo uma participação no programa de humor Trair e Coçar é só começar, podendo explorar e mostrar seu lado cômico,  umas vez que seus personagens anteriores sempre tiveram uma carga mais dramática. Também fez um piloto para uma série chamada Sociedade Psi, ao lado de Guilherme Leicam, com quem já havia contracenado em Alto Astral, mas ainda sem previsão de estreia. Sem deixar o teatro de lado, seu mais recente trabalho foi a peça Oi, quer teclar? – acompanhada de um elenco já conhecido pelos telespectadores da TV brasileira.

Mas Raquel quer sempre mais. Das telinhas às telonas. No cinema teve o seu debut no curta 1+1=, de Paulo Ballado. E depois do curta, chegou a vez do longa. Está em cartaz no filme O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com direção de Murilo Benício. Para os demais públicos, a espera para sua estreia vai valer muito para quem conferir seu trabalho. Ela não para, vindo muito mais por aí, para o deleite de quem  tiver a oportunidade de acompanhar seus projetos. Até uma radionovela está no páreo –  Os Bollagattos, que vai ao ar na Rádio Web no dia 06 de março de 2018.

Nesse ínterim, Raquel pôde mostrar outra faceta. Essa, de extrema importância social. A de modelo fotográfico Plus Size para uma marca de roupas, usando sua própria Rede Social Instagram como divulgação, o que, a propósito, lhe rendeu uma participação em Malhação em 2017, cuja personagem, Mônica – uma modelo Plus Size, alto astral, bem resolvida com seu corpo, ciente da sua beleza, e que paradoxalmente trabalhava em uma academia, lugar de culto ao corpo, mas que vinha para quebrar esses paradigmas.

Sua personagem justamente tinha o propósito de falar para  todas as mulheres, principalmente jovens, sobre estar bem com a autoestima, a fim de que as pessoas não se deixassem sucumbir à imposição do corpo perfeito da indústria da moda. A experiência não foi de grande importância para a jovem apenas no âmbito profissional.

Essa causa não foi só abordada na novela, é uma questão muito pessoal para Raquel, que já sofreu de anorexia no passado, e hoje é muito mais feliz. Hoje ela levanta a bandeira de que não existe um corpo perfeito com muito sucesso e cativando o carinho de quem precisa de uma voz como a de alguém da mídia, como ela, com uma resposta positiva. “Vejo esse retorno do público como uma ajuda também. Tudo que falo é real. Só comecei a falar sobre isso quando me aceitei definitivamente como sou. Todos precisamos de referências. Na mídia, os gordos nunca foram tão representados como agora. As pessoas estão começando a entender o tamanho do preconceito, o quanto isso está embutido na sociedade e como isso precisa ser exposto e discutido”, afirma de forma enfática.

E não foi só essa voz que ela levantou. Raquel literalmente colocou a voz para fora, em uma peça musicada, O Reino da Velha Ordem. Para quem achou que é só isso, um aviso: ela não para por aí. Projetos a caminho, novos trabalhos e sua vontade inquietante de estar constantemente em movimento. O público agradece.


Reportagem de Marta Cristina Furtado de Almeida para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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