Eles se recusam a trocar o disco

Já se passaram mais de 30 anos desde o surgimento dos CDs (Compact Disc) e o inevitável processo de descontinuação dos discos de vinil. Nesse tempo, também surgiram poderosos concorrentes, como os já obsoletos mp3 players, e os serviços de streaming, que atualmente dominam o mercado. Mas por um uma série de motivos, algumas lojas de discos permanecem existindo e acabam por assumir um papel de resistência cultural nos dias de hoje.

Os principais fatores que contribuem para a sobrevivência do formato são a paixão e a fidelidade dos seus adeptos, que continuam aparecendo dia após dia. Um bom exemplo dessa estatística é André Ricardo, 26 anos. O vendedor de discos conta como o status cult adquirido nos últimos anos e o clima de nostalgia que desperta acabaram ajudando a difundir o hábito entre todo tipo de gente. André conta como começou a trabalhar no ramo e revela que essa relação é bem antiga: ”A loja é do meu pai, então eu cresci nesse ambiente. Ele começou vendendo fitas k7 na feira de São Cristóvão e fundou essa loja 26 anos atrás”.

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Outro profissional da área que ajuda a explicar esse fenômeno é Ricardo Wagner, 47 anos. Há tempos trabalhando em uma conceituada loja, especializada em Jazz e música clássica, conta que, além de chamarem mais atenção pelo tamanho e sua boa estética, os LPs (Long-Play) são uma alternativa para pessoas saudosistas e insatisfeitas com o conteúdo das grandes mídias. Ainda assim, mantém uma postura crítica ao falar que a falta de mão de obra especializada ajudou no enfraquecimento do mercado, que, segundo ele, é de certa forma responsável por manter e preservar a cultura. ”Para vender cultura é preciso ter cultura”, reitera, destacando a importância do profissional conhecer muito bem sua área de trabalho. ” A gente não vende apenas discos. A gente vende música”.

Mais do que um simples comércio, as lojas de disco se tornaram uma espécie de point cultural, disponibilizando seu espaço para shows, oficinas, workshops e exposições. É o que conta Lucas Pereira, 34 anos, cinco deles trabalhando em um sebo no bairro de Botafogo. Ele fala sobre o futuro de tais empreendimentos, ressalta a importância de oferecer mais ao seu público. ”O futuro é estabelecer uma relação mais abrangente com o cliente, oferecer um espaço para dar um rolê. Um ponto de encontro”. Ainda falando sobre o assunto, afirma que os fãs das famosas ”bolachas” gostam de música antes de tudo, e essa paixão pode ser explicada como um grande apego à obra de seus artistas preferidos.

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Por mais que a indústria fonográfica mude e se modernize, o formato dos LPs e seu conceito continuam sendo fatores ainda muito cativantes para seus amantes. Porém, com um público bem segmentado e que preza pela alta qualidade, esses estabelecimentos estão cada vez mais procurando maneiras de se reinventar sem perder sua característica mais fundamental: o amor pela música.


Reportagem de Felipe Laurindo Pereira para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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