Mercado do sexo cresce no Brasil apesar da crise

Uma das maiores feiras eróticas do mundo chegou ao Rio de Janeiro. A Sexy Fair reúne diversos produtos em atacado e atrai milhares de pessoas. Mesmo com a crise, o mercado erótico cresceu 2,8% neste ano. Nunca se buscou tanto o prazer como agora. Os produtos, se tornaram mais sofisticados, assim como suas embalagens e formas de uso, cada vez mais potentes. Os resultados são tão reais, que provocam orgasmos à distância. Graças ao vibrado com controle remoto, revestido de plástico anticancerígeno, que é colocado na vagina ou no pênis.

“O vibrador possui sistema wi-fi, é possível usar a câmera, passar o vibrador pelo corpo e mandar as imagens para ele, já começando assim a excitá-lo muito antes, quando o marido está ainda trabalhando”, acrescentou à funcionária do sexshop.  A manipulação à distância funciona como excitante natural antes do parceiro chegar. “Sempre deixo vibrador preso no pênis.  Em momentos inusitados, percebo os movimentos. As vezes estou dirigindo e acabo levando um susto. Mas, a última etapa desse processo termina na cama”, explica Theodoro Andrade, de 34 anos, consumidor do produto que custa R$ 700.

162561_4d65d7f808a248a899bbd0bf988acb36_mv2_d_5055_19425_s_3

O mercado erótico brasileiro move anualmente perto de R$ 1 bilhão e emprega cerca de 100 mil pessoas direta ou indiretamente, segundo dados da Associação Brasileira do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).

Sentada de pernas cruzadas em uma mesa de vidro redonda com suas criações à mostra, Fátima Moura, que não quis informar sua idade, fazia demonstrações das formas de aplicação do óleo das Tigresas Asiáticas, que possui fácil absorção e não deixa oleoso. “Há anos pesquiso sobre esse grupo milenar de mulheres chinesas que consegue a energia vital por meio de técnicas sexuais”, contou. Em meio aos óleos que faz questão de enaltecer, seu livro, escrito em 2000 que foi editado e se tornou o manual de mulheres casadas.

A obra diz muito sobre seu autor, com ‘Chá de Lingerie’ não foi diferente, se tornou o livro de cabeceira de milhares de mulheres casadas e entediadas. A terapeuta sexual, sempre considerou o casamento um fator destruidor da autoestima da mulher, e ensina as técnicas para não sucumbir na relação à dois. Atualmente, faz consultorias, palestras e workshops específicos para o público feminino.

“O parceiro fica sentado na beira da cama e a mulher, ajoelhada à sua frente. A parceira besunta o óleo em suas mãos. Depois, com movimentos simultâneos, lentos e sem zigue-zague, desliza as palmas das mãos pelo corpo dele. Mas atenção ao trajeto: deve ser dos quadris até os pés dele, pelo lado de fora das coxas. Ao chegar aos pés, ela deve tratar o membro com uma masturbação e permanecer uns dois minutos assim, olhando nos olhos dele. Na sequência, volta a percorrer o corpo dele com a palma das mãos. Atenção ao trajeto da volta: é dos pés até os quadris dele, mas, desta vez, subindo pela parte interna das pernas, passando pela virilha. Repita essa sequência durante três vezes e, só depois, prossiga com o sexo.”

O axioma “sexo só depois do casamento” defendido pelas igrejas evangélicas, caiu por terra. Aliás, acaba de ser enterrado; e quem jogou a última pá de cal, foi o português João Ribeiro, de 36 anos, que criou a primeira linha de produtos eróticos destinados ao público crente. A ideia da criação surgiu a partir da própria religião. Evangélico, João percebeu à necessidade de oferecer uma cara nova dos produtos vendidos. “O público evangélico possui muitos dogmas e medos, devido à interpretação dos textos bíblicos. Resolvi criar uma linha clean, com embalagens minimalistas e com cores suaves”, contou. Para ele a apresentação dos produtos, assim como a cor vermelha causava má impressão nos religiosos, já que faz alusão à luxuria.

Entre o público evangélico, o produto mais vendido é o vibrador Bullet, que não tem a forma da genital masculina e é uma pequena cápsula vibratória que vem com um controle, com o objetivo de estimular o clitóris e o ponto G da mulher.

Com um faturamento de 40 milhões com apenas seis anos no mercado, cerca de 3% dos evangélico usam os cosméticos nas relações sexuais. Entre eles, os vibradores líquidos e géis.  Atualmente João realiza palestras e consultoria de casais em igrejas evangélicas. “Nessas reuniões, não faço propaganda dos produtos. Apenas busco o diálogo com os casais”, explicou.  João Ribeiro se recusou a dizer sobre a congregação religiosa de que faz parte. “Não costumo dizer sobre minha vertente”, conta.

A  sexy coaching, Mirna Zelioli, de 39 anos, encontrou no mercado do sexo, a cura para a depressão pós parto que enfrentou durante dez anos. “Eu não tinha ânimo para tomar banho. Um dia, fui a uma palestra motivacional e lá descobri que eu poderia seguir outro caminho. O mercado erótico foi a chave para o diálogo na minha relação. Quando um casal se entende durante o sexo, é sinal de uma relação saudável”.  Zelioli ressaltou que “Ás vezes as pessoas pensam que é somente o prazer, mas não, o mercado erótico hoje oferece muito mais do que isto, oferece saúde, tratamento, autoconhecimento do corpo…”

A estudante de direito Talita Ferreira, de 22 anos, acorda cedo todos os dias para chegar no motel, em Duque de Caxias, na baixada fluminense, onde trabalha como recepcionista. Além de realizar transferência de quartos dos clientes, abre os portões, atende os telefonemas e ainda realiza checklist. A rotina frenética é marcada por situações inusitadas, que vai de gemidos altos, que ressoam pelos corredores a clientes com hábitos exóticos. “Na semana passada, um casal de idosos pagaram um quarto, e ficaram cerca de duas horas lá dentro. Quando saíram, fui arrumar a “bagunça” e encontrei em cima da cama uma linguiça calabresa encapada com uma camisinha”, contou. Durante o dia Talita recebe cerca de 45 carros, nos fins de semana este número varia. Ao contrário do que muitos pensam, a busca é menor no feriado do Dia Dos Namorados. “O dia mais procurado é o dia seguinte ao feriado, dia 13 de junho, considerado o dia dos amantes. O novo feriado serve para compensar à ausência do dia anterior. Afinal, muitos são casados. Esse é o único dia em que contabilizamos o dobro de “refugidos”, explicou.


Reportagem realizada para as disciplinas Jornalismo Digital e Infografia em Jornalismo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s