Pesquisa: 44% dos brasileiros estão pessimistas com as eleições presidenciais deste ano

A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira revelou que 44% dos brasileiros estão pessimistas em relação às eleições presidenciais de 2018 e que apenas 20% se dizem otimistas. Divulgado em março, o levantamento foi realizado de 7 a 10 de dezembro de 2017 pelo Ibope para a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e ouviu 2.000 brasileiros em 127 municípios.

Alguns dos motivos apontados para o pessimismo foram a corrupção, a perda de confiança no governo e nos candidatos, a falta de opção entre os pré-candidatos e a falta de mudança e renovação nos pretendentes aos cargos políticos.  Para 92% dos entrevistados, é importante que o controle dos gastos públicos esteja na pauta dos pretendentes ao Palácio do Planalto. Para 44% dos entrevistados, o foco do futuro presidente deve estar na saúde, na educação, na segurança e na redução da desigualdade social.

Os desdobramentos da Operação Lava-Jato são um dos motivos que levaram a aluna de Ciências Sociais Andressa Nery, de 22 anos, a sentir pessimista com as eleições de 2018. Com a situação política pela qual o país passa atualmente, ela defende que o novo presidente precisa ter uma noção aprofundada da economia, das questões sociais e da política, tanto interna quanto externa, do Brasil. A jovem acredita que o país precisa ser mudado a curto e a longo prazo pelo novo representante. “Acredito que o foco principal deve ser, prioritariamente, questões a curto prazo, dando maior atenção a cada necessidade dos ministérios criados, por exemplo. E, a partir disso, dar atenção às questões a longo prazo, como alto investimento na educação e na segurança”.

Alice Salz, estudante de direito. Foto: Letícia Montilla / AgênciaUVA

A estudante Alice Salz acha que os candidatos devem avaliar se terão recursos suficientes antes de prometer qualquer coisa para o eleitor. Foto: Letícia Montilla / AgênciaUVA

Dentro desse cenário de descrença, muitas pessoas não têm confiança nos pré-candidatos. Isso acontece porque muitos, após serem eleitos, não cumprem com o que prometeram à população durante a campanha.  A estudante de direito Alice Salz, de 22 anos, diz escutar as promessas de campanha com desconfiança, pois só na prática poderá avaliar se elas serão cumpridas ou não. “Os candidatos, antes de prometerem, devem ter em mente se os cofres públicos terão recursos suficientes para executarem e colocarem em prática políticas públicas eficientes”.

Alice é uma das cidadãs que, mesmo com a situação política pela qual passa o país, prefere se manter otimista. “Com informações diárias a respeito de novos casos de corrupção e desvio de dinheiro, nos deixamos influenciar negativamente, acreditando que o Brasil não tem mais jeito”. Para ela, finanças públicas e a economia estão entre os principais focos que o novo presidente deve ter após assumir. “Não adianta querer viver em um país de primeiro mundo se o que vemos é um aparente déficit no orçamento para a saúde e a educação”.

Os motivos que levaram os brasileiros ao pessimismo com as eleições presidenciais de 2018 são a visão de que o sistema político está corrompido e o sentimento de insegurança que se abateu sobre a população, segundo o profissional de relações internacionais Thiago Menezes. “Essa percepção vem à reboque das investigações que revelaram grandes esquemas de corrupção nas mais variadas esferas do poder público, com destaque para a Operação Lava-Jato e seus desdobramentos”.

Com relação à questão da insegurança, ele explica que isto pode ser visto sob o prisma da preservação da integridade dos cidadãos, tanto fisicamente, como também patrimoniais. Os brasileiros, na visão dele, estão se sentindo ameaçados com o clima de violência no país. Além disso, ele acredita que a população também se vê ameaçada pelo elevado índice de desemprego e pela tendência à redução dos salários. “Essa mistura de percepções é o que resultou em uma grande sensação de impotência e fragilidade entre a população, originando um cenário de bastante pessimismo com relação, não apenas às eleições, mas aos processos políticos como um todo”.

A margem de erro estimada da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados na amostra. O nível de confiança utilizado é de 95%.  A pesquisa CNI/Ibope foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo número BR-03599/2018.


Letícia Montilla – 5° período

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