Crítica: Com Amor, Simon

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Cartaz do filme “Com amor, Simon.” Foto: Divulgação

Quem não tem segredos? Ou quem nunca escondeu algo? O medo de nos mostrarmos como realmente somos é algo que permeia a humanidade desde os tempos antigos. E na adolescência, a fase da afirmação, das descobertas, esse medo torna-se, em alguns casos, patológico, levando muitos a adoecerem (mentalmente e também fisicamente). Felizmente, isso não é o que acontece no filme. O protagonista Simon não chega a um ponto tão sombrio como depressão e afins. Tudo porque, aos poucos, o adolescente vai escapando dos seus próprios esconderijos.

Inspirado no livro “Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens”, de Beck Albertalli, “Love, Simon” (no original em inglês) conta a história de um típico adolescente americano (que poderia ser também francês, africano) que está enfrentando todas as mudanças concernentes a essa etapa da vida, tendo porém um fator que, para ele, ainda é preponderante na forma em como as pessoas ao seu redor irão vê-lo. Simon é gay.

Ele vive uma vida normal: pai (Josh Duhamel, pouco expressivo, mas atende o personagem), mãe (Jennifer Garner que, em poucas cenas, consegue mostrar que mãe que é mãe e sempre conhece a sua cria), irmã (interpretada por Talitha Bateman) e um cachorro chamado Biber. Amigos, escola, carro, sonhos com formatura e faculdade. Nada lhe falta, fisicamente falando. Contudo, Simon está sempre nervoso, apreensivo, inquieto. Seus olhos a todo momento demonstram esse segredo que ele quer guardar, por medo de se expor e do que as pessoas vão achar. Nesse ponto, a atuação de Nick Robinson (“Tudo e Todas as Coisas” e “Jurassic World”) como Simon, consegue nos transportar para dentro dessa cabeça confusa e angustiada, e fazer com que sintamos todas essas emoções que trazem conflito e tristeza para aquele belo garoto de olhos cativantes. Nick tem a delicadeza de nos entregar um Simon super humano que não mede esforços para manter seu segredo a salvo, mas que também está em busca de sua felicidade.

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Cena do filme “Com amor, Simon”. Foto: Divulgação

E ele acha que tem tudo sobre controle. Até que um dia, outro garoto gay de sua escola decidi se “expor” — entre aspas, porque ele não se mostra da maneira como esperado. Por meio de um pseudônimo, ele decide contar para todos que é gay, em uma rede social usada pelos alunos da escola. Com isso, Simon vê ali sua oportunidade de enfim se abrir com alguém, que enfrenta os mesmos dilemas que ele. E começa a trocar mensagens com Blue, pseudônimo adotado pelo garoto. Dessa troca de mensagens surge um inesperado amor. Simon acaba por se apaixonar por Blue e Blue por Simon. Só que suas identidades continuam anônimas. Ao longo da narrativa, começamos a ver aqueles segredos do início da nossa história, aos poucos sendo revelados. E não é apenas Simon que esconde algo.

Vemos seu relacionamento com seus amigos se estreitando, tudo porque ele não se sente à vontade em revelar o motivo de sua mudança de comportamento. Só que Simon não desconfia que eles também têm seus segredos e que não é fácil mantê-los a salvo. O caminhar da história leva esses personagens a fazerem coisas que eles não imaginavam, apenas para manter suas imagens frente a sociedade high school intactas.

O diretor Greg Berlanti (produtor da série “Arrow”) e os roteiristas Elizabeth Berger e Isaac Aptaker entregam um filme que tinha tudo para ser apenas mais uma história de amor (homo ou hétero), mas que vai além. Podemos dizer que se trata de uma comédia romântica-dramática. “Com amor”, Simon traz uma reflexão sobre as máscaras que carregamos, mas que não admitimos.


Débora Esteves – 7º período

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