Crossfit: o esporte que está fazendo sucesso no Brasil

Música alta, correria, agitação e box cheio. O ciclo da liberação de endorfina diária começou. A melhor forma de se livrar do estresse e melhorar o humor em uma hora. De segunda a sábado, o designer gráfico Rodrigo Nascimento, de 28 anos, sai ansioso do trabalho sabendo que vai suar e curioso para saber quais serão os exercícios do dia, mas em sua consciência tem a certeza que vai acordar na manhã seguinte com alguma dor muscular. Acha que isso é problema? Nada disso! “Tem dia que acho que vou morrer, mas quando termino e vejo que sobrevivi, me sinto tipo um Chuck Norris”, diz ele, adepto da tão falada modalidade de exercício físico do momento: o CrossFit.

Criado na década de 1990, na Califórnia (EUA), pelo ex-atleta e treinador de polícia, Greg Glassman, esse esporte é um treinamento com exercícios funcionais de alta intensidade com potencial para melhorar o condicionamento físico geral, sem focar apenas na especialização de uma determinada habilidade, como acontece nos treinos tradicionais. A marca foi registrada em 2000, se popularizou no Brasil nos últimos tempos e tem feito muito sucesso no Rio de Janeiro.

No CrossFit, o corpo bonito é a consequência, e não o objetivo principal da atividade. O foco de toda a performance desse esporte é superar os próprios limites. Durante o aquecimento, são estabelecidos cinco exercícios que devem ser feitos em um determinado período de tempo, o maior número possível de vezes. Já no treino do dia (o word), o aluno tem que praticar uma quantidade certa de exercícios no menor período de tempo possível. Muitos são executados ao ar livre e essa modalidade é indicada para todas as pessoas, o importante é ter vontade de se vencer a cada dia.

Como o bancário João Marcos da Silva Santos, de 26 anos, que começou a treinar faz seis meses e a partir do Cross começou se interessar por outros esportes. Hoje não consegue mais ficar parado. “O CrossFit agora faz parte da minha rotina, meu corpo briga comigo toda vez que deixo de ir um dia. Minha vida se transformou: agora tenho disposição, não sou mais sedentário, meu humor mudou e a vontade de me superar em todos os sentido da vida só cresce”, comenta ele, que está a cada dia mais focado em manter seu novo estilo de vida.

Esse esporte gera um ciclo enorme de auto superação. Todo dia tem alguém aprendendo um novo exercício ou conseguindo fazer o movimento correto pela primeira vez. Muitos dizem que o cross causa lesões e que não é bom participar desse tipo de atividade, mas, na maioria das vezes, isso é falado por quem só o conhece de fora, nunca estudou sobre a modalidade ou a praticou.

A coach de CrossFit da Monster Cross MMT, Lilian Miranda da Silva, de 29 anos, diz que a lesão pode acontecer, pois é uma atividade física e o corpo está em movimento. “Mas classificar como esporte que lesiona é injusto, visto que o Cross não fica entre os cinco esportes que causam lesão. Está muito longe dos demais em número e por horas praticadas. No primeiro momento pode ser assustador ver pessoas virando pneus gigantes e levantando cargas super pesadas, mas não é tão monstruoso assim. E a lesão é algo que acompanha todo e qualquer esporte”. Existem artigos de universidades importantíssimas e respeitadas no mundo inteiro que afirmam que o futebol lesiona muito e de forma mais grave que o CrossFit.

Família Monster Cross MMT Nova Iguaçu. Foto: arquivo pessoal

Família Monster Cross MMT Nova Iguaçu. Foto: arquivo pessoal

Essa modalidade prende mais ainda quem sempre teve o esporte presente na vida, pois o crossfit mistura movimentos de modalidades olímpicas, ginástica, levantamento de peso com técnicas de musculação funcional. O Crossfitter Rafael da Silva, de 25 anos, sempre praticou diferentes tipos de atividades. Quando criança fez Judô, com 16 para 17 anos praticou Muay Thai. Conheceu o CrossFit na internet, fez uma aula experimental a convite de um amigo e nunca mais saiu. “A prática do Cross se tornou viciante para mim, com o passar do tempo comecei a notar a minha evolução no esporte e a evolução do meu corpo, e é realmente incrível. Eu não consigo imaginar minha vida sem o CrossFit”.

Muitos hoje não vivem sem essa modalidade. A cultura desse esporte não nasceu de forma instantânea, mas cresce de forma orgânica. O diferencial do Cross não são só os exercícios variados. As pessoas torcem umas pelas outras e quando um consegue alcançar o objetivo, a galera bate palmas e faz a maior festa. O box é construído em um espaço sem espelhos instalados nas paredes, de modo que estimule o olhar e, consequentemente, a atenção aos colegas. CrossFit não é só competir: é se sentir parte de algo, como uma família.

 

CROSSFIT X ACADEMIA

 

O crossfit para muitos é uma filosofia de vida, tem uma carga de treinos variada todos os dias, nada se repete dentro do box, só quantas vezes deve ser feito os exercícios, é claro, mas rotina não existe. Já na academia sim, tem gente que faz o mesmo treino regular todos os dias, as sessões desse tipo de atividade costumeiramente são curtas e de alta intensidade.

Além da academia ser utilizada como preparação física para a prática de esportes, as pessoas que fazem musculação geralmente tem o objetivo de ganhar massa muscular, definir a sua musculatura, reduzir o nível de gordura de seu corpo. A Coach da Monster Cross MMT, Mariana de Carvalho Vasconcellos, de 34 anos, comenta que o cross é um treino visado no bem estar físico, as aulas são constantemente diferenciadas e bem montadas, modificando sempre a intensidade e o tempo. “A diferença do CrossFit para outras modalidades é a diversidade, a aula sempre dinâmica. Todo dia um treino diferente, que não deixa o aluno cair na rotina. O Cross foca em melhorar a qualidade de vida, trabalhando equilíbrio, força, precisão, velocidade, flexibilidade, resistência e coordenação.

Logo se você é daqueles que enjoa facilmente de um tipo de exercício e fica desanimado ao ter que repetir a mesma série várias vezes na semana ou não gosta de malhar sozinho, a variação e a filosofia do CrossFit o colocam na frente da musculação nessa disputa, como foi com a comerciante Joyce Reis, de 21 anos. Ela pratica o Cross há nove meses, mas antes fazia musculação, substituiu pelo CrossFit, pois estava cansada de fazer os mesmos exercícios todos os dias. “A academia é limitada em relação aos aparelhos e, dependendo do espaço, temos que revezá-los com outras pessoas. No Cross, as atividades são livres, temos aulas diferenciadas diariamente e não ficamos presos a um só exercício. Além de nós dar força, resistência e ajudar a encontrar o nosso limite. Esse esporte é viciante, eu sinto falta quando não vou, minha vida mudou em muitos aspectos, tudo ficou melhor”.

Isso também aconteceu com a estudante de nutrição Mayla Carlinda Possati, de 22 anos, que está no cross há sete meses. Ela comenta que a maior parte de sua infância foi fazendo esportes, como vôlei, natação e dança, e com o tempo começou a frequentar a academia, mas não conseguia se encontrar, pois sempre amou participar de esporte coletivo. Mas quando uma amiga a apresentou ao crossfit, se apaixonou. “Fiz a aula experimental e de cara eu já fiquei. Quando não vou me sinto péssima, meu corpo sente falta do cross, esse esporte é viciante”.

treinamento de LPO Treinamento de levantamento de peso Foto Karine Barcellos

Treinamento de LPO. Foto: divulgação

O comerciante João Paulo de Souza, de 23 anos, que está nesse esporte há quatro meses, acha que é um pouco complicado falar sobre a diferença entre a academia e o crossfit, mas tem praticamente o mesmo pensamento. “A academia é o treino baseado em série e se torna aquela coisa repetitiva. Já no crossfit não, você sai de casa para treinar e não sabe o que está por vir, é todos os dias ultrapassar o seu limite e literalmente quebrar barreiras”.

Tanto o crossfit quanto a academia estão voltados para o bem estar do corpo, da mente e da alma. Praticar exercícios é bom para a vida, ajuda no dia a dia, diminui o estresse, muda o humor para melhor, diminui o risco de doenças, regula o sono, melhora a disposição física, fortalece os ossos, aumenta o condicionamento físico e a autoestima e o, principal: faz bem à saúde.


Reportagem de Karine Barcellos para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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