É dos barbudos que elas gostam mais?

Dê uma olhada ao seu redor. É sério! Tire os olhos desta reportagem por um minuto e olhe para as pessoas que estão à sua volta. Se houver homens por perto, você automaticamente vai perceber que a maioria deles está usando algum tipo de barba. Sejam ralas, em formato de cavanhaque, como um simples bigode ou até mesmo cheios, os pelos faciais têm enfeitado os rostos masculinos, independentemente de estilo, classe social ou país.

Enfeitado tanto que se tornou uma forma de vida, uma subcultura dentro da sociedade atual, um meio de cuidar de si. No entanto, por trás de uma moda que tem influenciado cada vez mais o visual dos rapazes, especialmente os mais jovens, há muito mais do que se pode imaginar.

A pogonofilia — um fetiche bem peculiar por barbas, que leva as mulheres a se sentirem atraídas pelos homens que utilizam o adereço — está estimulando ainda mais o uso do acessório e, consequentemente, atingindo diferentes áreas do comportamento humano. No entanto, o que parece uma simples escolha com base na aparência revela questões profundas da autoestima masculina, da necessidade de se sentirem seguros e, claro, da vontade de serem aceitos e reconhecidos pelo sexo oposto.

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“Depois que deixei a barba crescer, as mulheres se sentiram mais atraídas por mim. Algumas, inclusive, já me abordaram tendo isso como assunto”, conta o professor de judô Marcellus Moraes, barbudo há dois anos. Mas o que o rapaz de 25 anos pensa não é apenas uma constatação da própria vivência. Um estudo sobre os hábitos de cuidado pessoal masculino, encomendado pela empresa Philips, em 2016, revelou que 71% das mulheres têm como preferência a barba rala de três dias e, seja coincidência ou não, 43,7% dos homens adotaram o estilo.

Mas se pensa que essa moda começou no Brasil em 2014, está muito enganado. A adoração aos pelos faciais se tornou uma tendência na Europa e foi se estendendo aos outros países tal qual praga pelo Egito. Hoje, as redes sociais estão repletas de fotos de homens que posam e assumem suas barbas, os filmes ganharam galãs barbudos – especialmente os que possuem continuação e estrelaram a primeira parte com o rosto liso – e os likes por toda internet, sejam de homens ou mulheres, se dedicam às fotos de quem ilustra um visual “na régua”, termo que significa o design perfeito. Mais uma tendência mundial.

E já que é para falar de um modismo que começou em outro continente, a prova viva disso é o italiano Shady Giorgio. Aos 20 anos, o estudante de Relações Internacionais e Ciências Políticas, da Universita degli Studi di Napoli L’Orientale, começou a utilizar o adereço assim que ele surgiu em seu rosto na adolescência e, desde então, percebeu uma mudança na maneira como é visto. “As mulheres têm me levado mais a sério e me consideram, de fato, um adulto. O curioso é que quando eu era mais novo, ter barba não era importante. Nem para mim e nem para as garotas da minha idade”.

A explicação para essa atração repentina, no entanto, pode ser bem simples. Para Raquel Câmara, sexóloga e autora do livro “Sexo às Claras, o que o homem não deve fazer para não falhar”, o fato de a barba representar força, masculinidade e até mesmo um certo mistério pode ser um indicador do que as mulheres têm procurado.

Quem vivencia isso é a estudante de jornalismo Mariane Martins, de 19 anos. “Quando o homem tem barba, se torna misterioso e me faz ter vontade de conhecê-lo mais. Desperta a minha curiosidade”. A auxiliar de clínica hospitalar, Laryssa Honorato, também de 19 anos, concorda. Fã de vários estilos de barba e principalmente das maiores, ela acredita que essa força masculina possa se expandir para a proteção que tanto almeja encontrar nos rapazes. “Me passa a imagem de que ele será capaz de me defender de tudo, de que é um homem com H maiúsculo. Por isso, acaba se tornando atraente”.

No entanto, o diferencial da barba não está somente em parecer adulto, mais maduro ou protetor. Historicamente, o adorno no rosto transmitiu, de geração em geração, a ideia de que poderia passar mais confiança, estabilidade, status, respeito e até poder para quem o utilizasse. De acordo com a sexóloga Raquel, isso acontece desde a época dos homens das cavernas e tem contribuído na construção do imaginário de que os rapazes são fortes e másculos. Uma idealização que é mantida até hoje, inclusive por eles.

Quem pensa assim é o designer gráfico Andrew Santos, de 22 anos. Para ele, a barba impõe respeito. “Parece que o homem fica mais sério. Me sinto mais estimado, pronto para enfrentar tudo o que vier”. E o jovem não está sozinho ao reafirmar a teoria da sexóloga. O italiano Shady acredita que o adereço expressa sua masculinidade, além de ser um sinal de que ele é capaz de fazer o que desejar. Em sua visão, os pelos faciais se tornaram um estimulo e um incentivo. “Agora me respeito. Eu me senti um homem de verdade desde que minha barba cresceu e percebi que as mulheres corresponderam a isso ao se mostrarem interessadas”.


Reportagem de Juney Freire, Juliana Costa e Rayane Soares produzida para a disciplina Jornalismo Digital 

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