Verão chega ao fim com menos casos de dengue, zika e chikungunya

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti – dengue, zika e chikungunya – apresentaram declínio no número de casos registrados neste verão em comparação com os anos de 2017 e 2016 em praticamente todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. No estado do Rio de Janeiro, em relação ao mesmo período do verão de 2017, os casos prováveis de dengue caíram pela metade (1.345 contra 2.720), os de febre de chikungunya, 45% (515 contra 951), e os de febre pelo vírus zika não apresentaram nenhum registro contra os 793 do ano passado. Os dados estão disponíveis no Boletim Epidemiológico número 9 e referem-se ao período de 31 de dezembro de 2017 a 17 de fevereiro de 2018.

Apesar dos resultados positivos, houve um óbito por dengue e sete por chikungunya no Brasil, durante o período, o que reforça a necessidade da continuidade do combate ao vetor dessas doenças. Dentre as diversas estratégias utilizadas para combater o mosquito Aedes aegypti, o pesquisador Ronaldo Guilherme Scholte, doutor em Biomedicina e pós doutor em Epidemiologia e Saúde Pública, destaca o projeto “Eliminar a dengue: Desafio Brasil” (ED Brasil), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Inovador, o projeto integra o World Mosquito Program (WMP), uma iniciativa internacional sem fins lucrativos, sediada na Universidade de Monash, na Austrália, que estuda métodos para proteger a comunidade global de doenças transmitidas por mosquitos.

Além de Brasil e Austrália, o estudo está presente também na Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, Fiji, Vanuatu e Kiribati. O programa global é uma estratégia de longo prazo que, se bem-sucedida, beneficiará um número estimado de 2,5 bilhões de pessoas, o equivalente a dois quintos da população mundial que atualmente vivem em áreas de transmissão da dengue.

No Brasil, o projeto começou em uma pequena construção feita de contêineres em frente à sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. No local eram feitas todas as etapas do trabalho: produção de ovos de fêmeas portadoras da bactéria, criação dos mosquitos até a idade adulta e análise das amostras capturadas no campo, para comprovar o percentual da população de mosquitos com a bactéria Wolbachia. Todo o trabalho é coordenado pelo pesquisador Luciano Moreira e envolve diversos profissionais: biólogos, técnicos, agentes de saúde, motoristas e serventes de limpeza.

Fiocruz utiliza o próprio Aedes Aegypti para combater dengue, zika e chikungunya

Por intermédio de uma metodologia natural e autossustentável, o projeto se utiliza da bactéria Wolbachia, que existe na natureza em mais de 60% dos insetos, para tornar o próprio Aedes aegypti (transmissor do vírus) um agente no combate às arboviroses (doenças transmitidas por insetos).  Quando inoculada no mosquito, a Wolbachia é capaz de reduzir a transmissão do vírus causador das doenças.

A estratégia, aparentemente simples, é substituir a população natural de Aedes aegypti existente em determinado ambiente por outra de mosquitos “carregados” com a bactéria Wolbachia, batizados de “aliados”. Lançando-se uma quantidade destes insetos no local, eles vão cruzar com os mosquitos nativos e repassar a bactéria para as gerações seguintes. Devido ao pequeno tempo de vida da espécie, a população de mosquitos “aliados” será dominante também em pouco tempo. Mas, para se chegar até aqui, foram necessários muitos estudos.

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Biólogos fazem a triagem dos mosquitos na fase de monitoramento do projeto. Foto: Francisco Valdemir dos Santos / AgênciaUVA

A inoculação com a bactéria foi feita na Austrália e os ovos trazidos para o Brasil pelo pesquisador Luciano Moreira, líder do projeto na Fiocruz. A partir daí, o trabalho se desenvolveu em várias etapas: produção de mosquitos “aliados”, mapeamento das áreas prioritárias, engajamento das comunidades, liberação dos mosquitos, monitoramento da população de mosquitos com a Wolbachia e análise epidemiológica dos casos prováveis das doenças.

Antes da liberação de mosquitos, a equipe de Engajamento e Comunicação do projeto vai a campo para interagir com a comunidade em busca da conscientização da importância da metodologia e da parceria com a população. As liberações de mosquitos são feitas por um determinado período, em locais pré-selecionados, não havendo a necessidade de continuá-las após o estabelecimento da população de mosquitos “aliados” na área.

Posteriormente, a verificação da presença da Wolbachia é checada por meio da análise molecular em laboratório dos mosquitos que são capturados semanalmente para o monitoramento. As armadilhas de mosquitos ficam instaladas nas residências e comércios de moradores ou trabalhadores nas áreas do projeto, que aceitam participar voluntariamente como anfitriões, formalizando sua parceria junto ao ED Brasil.

Projeto “Eliminar a dengue” avança para mais 14 bairros da Zona Norte do Rio

Tendo iniciado atividades em 2012 e já consolidada a metodologia em projetos pilotos na Ilha do Governador e no município de Niterói, no Estado do Rio, o ED Brasil está em fase de expansão no território carioca. Em janeiro deste ano, iniciou a liberação de mosquitos nos bairros de Bonsucesso, Brás de Pina, Complexo do Alemão, Manguinhos, Olaria, Penha, Penha Circular, Ramos, Colégio, Irajá, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos e Vista Alegre. Até o fim de 2018 deverá atingir 60 bairros das regiões norte, sul e oeste.

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O mapa acima mostra o avanço do ED Brasil na cidade do Rio de Janeiro, onde a liberação dos mosquitos em larga escala começou em agosto de 2017.

Não obstante os avanços até agora registrados e os esforços da comunidade acadêmica, (cientistas, técnicos e demais colaboradores) e das autoridades de saúde em todos os níveis de governo, no Brasil e nos outros países envolvidos, o futuro ainda é incerto quanto à proteção das pessoas contra as arboviroses: dengue, febre de chicungunya e zica vírus.

Nas palavras do especialista da Fiocruz Ronaldo Guilherme Scholte, todas as medidas alternativas de combate ao mosquito Aedes aegypti disponíveis devem ser usadas pela população e pelas autoridades: “Vale ressaltar que o ED Brasil traz uma metodologia complementar àquelas que já existem. Isso quer dizer que a população precisa, sim, ficar atenta e eliminar os criadouros. E os governos, tanto federal, quanto estaduais e municipais, devem combater o vetor dessas doenças”.


 Francisco Valdemir dos Santos – 7º período

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