Conheça lolita, moda de rua nipônica

Se, ao andar pela rua, encontrar alguma pessoa usando vestidos rodados, guarda-chuvas com babados e acessórios que lembram seus sonhos de infância, não se preocupe, nenhuma boneca ganhou vida: se trata de uma lolita. Essa moda nasceu em Harajuku, um bairro japonês, berço de diversas tribos urbanas nipônicas. O estilo foi criado na década de 80 com o visual kei, que se baseava no estilo gótico ocidental, em ascensão na época. Estilo originado no Japão, é cada vez mais comum ver lolitas em eventos de anime, encontros de cultura japonesa ou promovidos por fãs ou lolitas.  A moda chegou ao Brasil e logo foi adaptada. Assim, lolitas brasileiras têm como objetivo se parecerem com bonecas, enquanto as japonesas querem parecer infantis e elegantes.

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Mesmo sendo moda urbana, o estilo lolita tem muitas regras que devem ser seguidas, como o comprimento da saia e a restrição de cores, além das regras de cada sub estilo. “Todo costume é muito rígido em maneira de se vestir e portar. A rigidez está na moda, um padrão a se encaixar”, diz a Designer Ana Padilha. Segundo ela, a lolita se baseia nas cortes europeias, como a vitoriana, eduardiana e rococó. Isto traz para o visual uma silhueta bem definida, o uso de muitas estampas rendas e babados, além de perucas e unhas postiças e outros acessórios.

Por conta dessas regras, as pessoas que entram no estilo lolita tendem a ter o que elas chamam de madrinha. “As madrinhas lolitas são as veteranas que acolhem algumas novatas para auxiliar nas compras e compor outfits” , diz Bárbara Lenfers, de 28 anos. Ela conheceu o estilo pela internet em 2004 e pratica há oito anos, além de ter um canal sobre moda lolita.

Há também outros estilos inspirados na moda ocidental, como a moda gyaru e outras. Existem muitas bandas que utilizam esses visuais e isso acaba influenciando pessoas a seguirem um estilo inspirado por um artista que utiliza outro. Esse foi o caso de Carina Rodrigues de 14 anos. A influência para usar a moda lolita veio da artista japonesa Pamyu Pamyu.

Da mesma forma que a moda é popularizada pela música, isso também ocorre a partir das animações japonesas, doramas e cultura clássica japonesa. Isto aconteceu com Priscilla Martins, de 30 anos, lolita há sete. Ela tem um canal no Youtube sobre o tema para orientar pessoas que estão entrando no estilo. Para ela, a moda lolita influenciou bastante no modo de se vestir. “Eu passei a prestar mais atenção em como me visto, mesmo quando não estou usando o estilo”.

Lolita Tay. Foto: arquivo pessoal

Lolita Tay. Foto: arquivo pessoal

Já para a lolita Tay, que não quis ter o nome revelado, essa moda tem um significado mais profundo. “Eu adoro lolita e o estilo me influenciou muito de forma pessoal. “Perdi o medo do palco e desenvolvi meu próprio estilo por causa de Lolita. Hoje já vejo moda em geral como algo muito pessoal e único”. Este sentimento pode ser explicado pela psicóloga e coach de Desenvolvimento Humano, Helenita Rosa. “A autoestima está diretamente ligada ao gostar de si e qualquer ideia que vá em direção a sua essência e a sua verdade pode contribuir para impactar positivamente a autoestima de uma pessoa”.

O QUE É?

Nipônica: Na língua japonesa, Japão é chamado de Nippon. Então nipônica seria japonesa.

Outfits: É o modo como as lolitas e outras pessoas que usam os estilos japoneses chamam a roupa que vão usar. Só que quando se fala outfit é desde a roupa até os acessórios, a peruca e basicamente tudo que irá formar o visual.

OUTRAS MODAS NIPÔNICAS:

Doramas: Dorama, no sentido literal da palavra, quer dizer Drama, mas é muito utilizado para fazer referência às novelas orientais, que não são somente produzidas no Japão e na Coreia do Sul. Vários outros países fazem os amados Doramas como China e Taiwan por exemplo. Os doramas são divididos por nacionalidade (J-dorama = dorama japonês) e por gênero como terror, suspense romance e outros.

Visual kei: Depois de 1982 – quando a banda “X Japan” estourou no cenário do rock japonês com um visual novo, completamente diferente de todo o habitual e inspirado nos movimentos que surgiam nos Estados Unidos e em Londres, dentro do “mercado do rock”, do Glam e do movimento punk – o Visual Kei começou a aparecer. É um movimento musical que mistura vários estilos de rock e forma mais uma das tribos que frequentam as ruas de Tóquio. É caracterizada por trajes elaborados, maquiagens marcantes, cabelos coloridos com penteados incomuns, performances extravagantes e, em alguns casos, aliado a uma estética andrógina.

Gyaru: Originalmente inspirada em uma marca de jeans dos anos 70, “Gyaru” ou “Gal” é a pronúncia japonesa para “Girl” em inglês, ou Garota(s). Algumas das principais características do estilo, mas não necessariamente regra, é o bronzeamento artificial, que é inspirado nas norte-americanas californianas, cabelos loiros, extremo cuidado com maquiagem, penteados e decoração de todos os tipos em acessórios, como unhas e celulares.

As Gyaru trouxeram uma revolução não apenas na aparência, mas também comportamentais, pois, ao contrário do ideal japonês, pele alva, educação, vida regrada e trabalho em primeiro lugar, as Gyaru inicialmente eram o oposto, provavelmente uma reação a esses padrões tão rígidos e enraizados, com o visual bronzeado ao extremo, personalidade expansiva e exibicionista, atitude forte e gosto pela diversão e vida noturna das cidades. Com o passar do tempo, criaram-se novos subestilos mais brandos e diversificados para todos os gostos entre as Gyaru. O estilo não é apenas para mulheres, sua versão masculina é o Gyaruo.


Reportagem de Karyne Luize para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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