Crítica: Red Sparrow

MV5BMTA3MDkxOTc4NDdeQTJeQWpwZ15BbWU4MDAxNzgyNTQz._V1_SY1000_CR0,0,674,1000_AL_O subgênero de suspense de espionagem teve seu auge durante o período da Guerra Fria, com filmes que abordavam o jogo de espiões americanos ou soviéticos, as perseguições de gato e rato no qual havia um intruso (quase sempre russo) dentro da inteligência estadunidense. Após os anos 80, esse estilo perdeu força, uma vez que sua mensagem não era mais atual, e só voltou com certa intensidade nos anos 2000, com a “Trilogia Bourne”, ” O espião que sabia demais” e “A soma de todos os medos”.

Em “Red Sparrow”, o diretor Francis Lawrence reúne todos os elementos de um tradicional filme de espionagem, como as locações luxuosas, a larga duração da fita, diversas voltas tomadas pelo roteiro antes de concluir a trama original ao colocar a protagonista vivida por Jennifer Lawrence como uma aspirante a espiã do governo russo, cuja a missão é descobrir quem é o informante dentro da organização.

Apesar de possuir uma duração de quase três horas, “Red Sparrow” não possui a mesma profundidade ou variedade de enredo que ele tenta transmitir. Os personagens, com exceção da protagonista, seguem a cartilha de transmitirem a manjada insegurança sobre a sua fidelidade e, assim, levantando a suspeita sobre serem ou não os infiltrados. Sua postura começa de um jeito e termina do mesmo jeito, não tornando-os marcantes o suficiente para o espectador criar um laço ou maior interesse.

O mesmo se dá para a trama, que conta a história básica de descobrir quem é o agente duplo, que acaba se autossabotando com o já mencionado problema de longa duração. Chega em um ponto que o público não sabe mais – ou não liga – qual é a missão e a necessidade de se repetir toda hora o objetivo final torna-se imperativo; o sacrifício de um melhor desenvolvimento de personagens secundários ou um aprofundamento na missão acabam sendo sacrificados.

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Uma aposta ousada optada também pelo diretor é a de chocar o público com cenas de tortura, nudez ou ferimento quase que a todo momento. O que pode soar de mau gosto para alguns deve-se também ser visto como elemento plausível em um mundo de espionagem e, portanto, como um suporte narrativo eficaz. O apoio da edição de som também ajuda muito na imersão de sentir o impacto da violência física, assim como um positivo trabalho de maquiagem na reprodução de hematomas.

“Red Sparrow” no fim se mostra muito mais como um filme que, apesar de possuir um enredo interessante, se autossabota pela sua longa duração. Fica aparente que o diretor tinha em mente que contar um drama de espiões profundo e, pautado sobre a violência contra a mulher, teria força para entreter por quase três horas e não é o que acontece. A necessidade de preencher essa carga condena o roteiro a um ciclo de repetição e desvio de ideias quase que constante, afastando o interesse do público sobre a resolução.


Gustavo Barreto – 7º período

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