A moda na moda: feiras revelam tendências do mercado

Todos nascem nus, mas passam quase a vida inteira vestidos. Muitos encaram a vestimenta apenas como algo básico no cotidiano. Já para outras pessoas, esse é um assunto que vai além, quando uma roupa que cai bem pode levantar a autoestima, quando é usada para que uma pessoa se sinta segura para um encontro amoroso ou para mostrar algum status devido ao peso do nome do estilista que criou tal peça. Até mesmo quando se percebem reféns da ditadura da moda, quando “precisam” a qualquer custo ter o que foi ditado como última tendência, seja para mostrar para si ou para os outros, as pessoas sentem como a moda tem grande influência na sociedade de consumo.

Cortes de tecido não são apenas simples pedaços de pano. A moda também é uma forma de expressão. É possível conhecer um pouco de uma pessoa pela forma como ela se veste. A moda engloba inúmeros meandros e esse assunto rende. E como rende. A prova é o crescimento cada vez maior das feiras de moda. Todos mês, edições das mesmas feiras cativam um público já fiel e mostram novas tendências do mercado, assim como também novas feiras sempre aparecem, conquistando este mesmo público, que passa a ter mais opções para se deliciar com seus delírios de consumo. É possível garimpar nas já famosas e tradicionais feiras, como Babilônia Feira Hype, ou nas mais novas, como O Mercado – Estilistas Independentes, que, como o próprio nome diz, é um espaço aberto para novos expositores que ainda estão começando no mercado e querem divulgar suas marcas, seus nomes e seus trabalhos.

Foi graças a essa oportunidade que Mariana Moura, dona sua própria marca, Mari Moura, de blusas e casacos pintados pinturas à mão, entrou nesse mundo das exposições de moda. “Comecei nas primeiras edições de O Mercado, e sempre antes de terminar o segundo dia do evento – um sábado e um domingo – já tinha vendido quase tudo. Sempre pediam o meu contato querendo saber se eu trabalho com encomendas e em quais os próximos eventos eu estaria. Passei a procurar expor em outras feiras do tipo e o meu negócio cresceu”. Como  é do Rio Grande Sul, abriu uma lojinha no Rio, já tendo seus clientes fiéis, e em parceria com  a irmã, que mora lá, começou um projeto de uma feirinha nesse mesmo estilo, mas ainda pequena, junto com outros novos e pequenos estilistas. “A ideia é que consigamos fazer algo parecido na nossa cidade”, conta, esperançosa, mas ao mesmo tempo orgulhosa. “Quando algo dá certo para quem ainda está começando, ficamos ‘mal acostumados’. Queremos crescer, queremos sempre mais”, conclui, com seu bom humor.

As mais famosas feiras e já com grande público cativo, além de contar com nomes familiares aos ávidos frequentadores, sempre estão abertas a receber novos estilistas, oferecendo oportunidade para que possam conhecer seus trabalhos e entrar para o grupo do qual designers anônimos desejam tanto fazer parte. E todos saem ganhando: Profissionais já conceituados, novos profissionais e principalmente o público.

Ganham tanto que assim foram nascendo os Circuitos de Moda, em que é possível, além de garimpar novidades fashion, se deleitar com novas feiras que surgem sempre em algum canto estratégico da cidade, onde seja possível que os frequentadores possam apreciar paisagens agradáveis, conhecer novidades gastronômicas, degustar novas cervejas e passar um tempo de lazer. Além de comprar, claro. Assim foram nascendo os circuitos de moda. Esses circuitos são planejados para que o público possa fazer um tour em um mesmo local onde várias marcas, algumas já consagradas e com nome de peso, estão disponíveis, e  muitas vezes, com preços bem mais acessíveis.

Um dos principais exemplos é o Circuito Interno na Fábrica Bhering, na zona portuária do Rio de Janeiro. O evento acontece sempre no primeiro sábado de casa mês, e nele são abertos para o público não só os ateliês, mas também lojas e restaurantes. Esse tipo de circuito acaba sendo um dos tipos de eventos nos quais a arte da moda é a atração principal, mas conta com a ajuda de vários coadjuvantes.

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Isso acontece quando outros tipos de arte entram em cena: boa comida, degustação de cerveja, música, atrações performáticas, Flash days de estúdios conceituados de tatuagem -quando em um dia específico é possível fazer uma tatuagem com desenho pré-estabelecido pelo tatuador, geralmente de pequenos tamanhos para não levarem muito tempo e a preços em conta. 

Quando esses circuitos crescem muito, o cunho cultural já entra em jogo. Nessa onda de novidades no mundo fashion, nenhuma combinação foi melhor pensada do que aliar à moda outras formas de expressão de arte, uma vez que se expressar, seja de qualquer jeito, é uma das mais importantes formas de fazer parte da arte. É quando um simples evento de moda vira um evento de cultura, e a cena vai mudando de figura, atraindo quem se identificar, qualquer que seja o  tipo de ação cultural. E tudo fica mais viável ao organizar um evento desse porte, ao  poder  contar com  a ação de profissionais dessas mais diversas áreas. Um dos maiores eventos culturais desse tipo,  na atualidade carioca, é O Cluster.

Encabeçado por  Carol Herszenhut, estilista, e contando com  muitos outros profissionais como seus aliados, o evento – um dos primeiros eventos criativos – é uma forma de transformar a concorrência  em união. Começou pequeno, e quando Carol se deu conta, em apenas um único dia do fim de semana, O Cluster já tinha recebido a visita de mais de quatro mil pessoas. O evento, que inicialmente começou  em  sobrado de porte médio, já teve que mudar algumas vezes de endereço para locais maiores, para que fosse possível comportar o grande público. Com o slogan de “Muito além de um simples mercado”, o evento realmente faz por merecer o título, sendo uma forma de encontrar pessoas criativas por  meio da colaboração.

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É por aí que Carol define seu projeto, ao qual tanto se dedica. “De uma marca de moda, surgiu uma marca de eventos”. E, com isso, Carol conta como nasceu a iniciativa. “Eu tinha a minha própria marca, uma loja e cheguei a participar de dois Fashion weeks, mas o aluguel da loja ficou insustentável e acabei pensando que o melhor, à época, foi fechar as portas da lojas, mas ainda assim, sem desistir dos meus ideias. Procurei profissionais que estavam no mesmo barco que eu e achei que formar um coletivo poderia ser o início do que viria a ser um ótimo negócio. E foi.  Claro que eu tinha ambições e esperava crescer, mas não imaginava que fosse ser um fenômeno. Ali estava nascendo uma parceria que só viria a crescer”, relembra Carol, com orgulho de seus ideais e de como tudo começou há alguns anos.

Daí, o evento, que tinha apenas o foco na moda, cresceu ao ponto de se tornar badaladíssimo entre as rodas cariocas. As pessoas já não buscam apenas roupas nos eventos xodó de Carol, mas diversão em geral, com o melhor entretenimento que há, que embale as rodinhas mais hypadas, com gente cool e vibe hipster. Quem conhece a festa fica sempre à espera de sua próxima edição, para se deleitar em um dia inteiro de diversão garantida.

Quando se alia moda e forma de expressão, vários âmbitos ganham seu lugar ao sol.  A moda deixa de ser algo banal, fútil, e movimenta a indústria. Mas o que faz com esse capital todo gire é o fato de a moda ser algo muito maior do que aparenta ser. Ela é capaz de expressar como uma pessoa se sente, como se comporta, sua personalidade, seu estado de espírito,  e até que tipo de música ela gosta de ouvir.

A verdade é que essa indústria não apenas veste uma pessoa, mas revela quem ela é. Não mais esconde, mas mostra. E se engana quem pensa que moda é apena o que se veste, que é apenas… roupa. A moda está nos cabelos coloridos, nos corpos tatuados,  nos corpos bronzeados e cabelos platinados de praia, no jeito de andar, de falar. Está na bota caubói de do sertanejo universitário e  também na roupa rasgada do punk. No jeans apertado da funkeira e no boné do rapper.

Isis Rezende, aluna de moda do Senai-CETIQT e já dona de sua própria marca, a Achadíssimos, de roupas para clientes alternativos que procuram o que foge do óbvio, ela diz saber exatamente o que uma pessoa procura apenas em olhar para quem dá um passo porta adentro. “É muito fácil identificar o estilo de uma pessoa ou a que tribo ela pertence só de observar seu  jeito, sua aparência. Dificilmente me engano. Sempre acerto, sou bem atenta e,  por esse motivo, conquisto a fidelidade dos meus clientes”, enfatiza a futura designer de moda. “Quando não é a roupa ou o cabelo, com certeza, os acessórios me dizem quem as pessoas são”, explica.

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Realmente não é difícil discordar dela. Afinal, como já dizia Coco Chanel, papisa da moda internaciona: “A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tema ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo. Uma moda que não chega às ruas, não pode ser chamada de moda”. Pela autoria da frase, talvez nada mais precise ser explicado. Apenas observar ao redor quando sair porta de casa.


Reportagem de Marta Cristina Furtado de Almeida para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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