Namoro na faculdade pode dar certo? Jovens costumam se relacionar com pessoas do mesmo ambiente

Desde os primórdios das sociedades, namorar é uma das atividades mais comuns entre as pessoas, que vai se modificando e evoluindo a cada nova geração de indivíduos. Um exemplo disso são os muitos jovens que acabam se relacionando com pessoas de seu convívio diário, como colegas de faculdade. Saber lidar com a proximidade e manter o namoro saudável é um desafio, principalmente em um momento de descobertas profissionais e início da vida adulta. Mas será possível conciliar responsabilidades, trabalhos, namoro e rotina?

No caso de Pedro Durão e Michelle Mesquita, ambos de 23 anos, é possível. Os dois estudam Engenharia na Universidade Veiga de Almeida – ele, de Produção e ela da Computação. Conheceram-se há um ano e sete meses no processo seletivo da empresa júnior da faculdade. Depois de quatro meses convivendo diariamente no trabalho, começaram a namorar. “O sentimento já era enorme e basicamente já estávamos namorando, só faltava o pedido”, diz ela.

Outro relacionamento bem sucedido é o de Bárbara Vital, de 23 anos, e Diogo Poeira, de 26 anos. Os dois se conheceram em 2012, no primeiro período do curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Começaram a namorar pouco tempo depois, e o relacionamento deu tão certo que já moram juntos há dois anos. “Nos damos muito bem e deixamos o dia a dia mais leve e divertido”, conta Bárbara. O rapaz complementa que a convivência é importante, pois os dois sempre têm com quem contar em momentos difíceis. “Apesar de eu ser uma pessoa que gosta de fazer as coisas sozinho, não sinto necessidade disso quando estou com ela”, explica ele.

A psicóloga Nilza Renata Fortuna acredita que relacionamentos com pessoas tão próximas podem acontecer pelo fato da sociedade ser tão distante e imediatista. “Muitas vezes não conseguimos nos aproximar dos outros tanto quanto deveríamos e acabamos reconhecendo e escolhendo a pessoa que vive uma fase parecida com a nossa”. Ela declara ainda que estar com a pessoa ao vivo amplia a conversa ente o casal, evitando que a relação caia no mundo virtual por meio de mensagens no celular perguntando como foi o dia.

Existem também relações amorosas que terminam para dar lugar à amizade. Marina Siqueira, estudante de Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), conta que seu relacionamento com Olívia Nielebock, ambas de 23 anos, durou um ano. “O período em que convivemos na faculdade foi incrível, mas quando ela trocou de curso, acabamos perdendo o encanto”. Olívia explica que ao se afastarem, perceberam que poderiam perder o amor que existia entre as duas e, por esse motivo, preferiram continuar apenas amigas. “Foi melhor dessa maneira, e somos muito amigas até hoje, mesmo namorando outras pessoas”, conta ela.

Foto - matéria de comportamento Raphaela

Mas não é toda relação que acaba tão bem. No caso de Matheus Tomaz, 23 anos, também estudante de Direito na UERJ, o fim foi um pouco mais difícil. Ele diz que o relacionamento estava afetando suas notas devido aos desentendimentos. “Nós fazíamos algumas disciplinas juntos e, por conta de algumas brigas, acabei não me dedicando tanto quanto deveria”. Matheus explica ainda que os dois não terminaram brigados, mas que prefere manter uma distância segura, pois foram quatro meses complicados em sua vida.

Manter um relacionamento com alguém tão próximo é algo a ser trabalhado todos os dias. Nilza lembra que, antes de tudo, a faculdade é um espaço de network, ou seja, o lugar onde estão pessoas que podem abrir e fechar portas no mercado. “É preciso que o casal se permita viver a individualidade acadêmica. Antes de tudo deve-se pensar que é um local feito para criar vínculos profissionais”. Ela ressalta ainda que as relações amorosas são inevitáveis, mas que é necessário entender como se comportar dentro da universidade.

Para Saulo Ramos, professor de Direito Processual Penal na Universidade Cândido Mendes, relacionamentos na faculdade podem contribuir para o desempenho acadêmico dos indivíduos. “O casal tende a faltar menos para se encontrar e, com isso, melhora suas notas”. Um vai dando força para o outro estudar, desenvolvendo também o lado profissional, explica ele.

Pedro e Michelle procuraram desde o início do namoro administrar o tempo para conseguir realizar todas as atividades. “Sempre resolvemos as coisas juntos, então combinamos que cada um tem seu espaço para estudar e sair com os amigos”, conta ele. Dessa forma, mantêm o equilíbrio entre as situações, sem se isolar das pessoas ou se privar de fazer algo.

Como são da mesma turma, Bárbara e Diogo geralmente têm o mesmo prazo para cumprir as atividades. “Claro que muitas vezes sentimos falta de ter mais tempo para o nosso lazer. Mas como estamos passando os dois pela mesma situação, acho que somos compreensíveis e apoiamos um ao outro”, revela ela. Diogo complementa dizendo que este é um momento importante na vida profissional deles e, por isso, precisam fazer alguns sacrifícios para alcançarem seus objetivos. “Estamos finalizando a faculdade, então esse é o foco agora. Mas como estamos juntos passando por isso tudo fica bem”, finaliza ele.


Reportagem de Raphaela Quintans de Andrade Rodrigues para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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