Crítica: O passageiro

MV5BMjNlNjIwYmUtNjk5My00YTEwLTljZGQtYWVmOGMzZTM4NzA5XkEyXkFqcGdeQXVyNDg2MjUxNjM@._V1_SY1000_CR0,0,648,1000_AL_Um homem ordinário, uma missão que corre contra o relógio, a vida de sua família em jogo. Não estranhe se reconhecer essa história ou prever como ela acabará. Desde a sua explosão no fim dos anos 1970, com orçamentos mais folgados e uma maior avidez do público por explosões, tiros e excesso de testosterona, os filmes de ação vêm sobrevivendo de uma fórmula de bolo já manjada.

Dessa receita nasce ” O passageiro”, novo thriller de ação estrelado pelo veterano Liam Neeson no qual ele se posiciona como um trabalhador americano comum que, ao pegar o mesmo trem de sempre, em um determinado dia, é abordado por uma mulher desconhecida que lhe oferece uma grande quantia em dinheiro para encontrar um passageiro em especial que ela não sabe quem é.

Logo nos primeiros momentos, uma competente montagem das cenas evidencia ao espectador o cotidiano ao qual o protagonista de Neeson está preso, não mostrando-o desesperado para escapar da mesmice (como seria de se esperar) mas sim apenas apresentando uma sequência de momentos rápidos nos mesmos ambientes mas em situações divergentes. Ainda no início, destaque para o visual caótico do interior do metrô aonde a trama se desenrolará, com uma grande poluição sonora típica do transporte público. Ao mesmo tempo, o diretor Jaume Collet-Serra (do ótimo “Águas rasas”) consegue apontar, no meio dessa poluição audiovisual, os coadjuvantes que terão peso na trama.

MV5BNWVlMzZlYjAtMmE1NS00ZTg1LTlhZGUtNDZiNzYyYjA0YTlkXkEyXkFqcGdeQXVyNDg2MjUxNjM@._V1_SY1000_CR0,0,1502,1000_AL_

No entanto, o diferencial termina aí. O que poderia ser uma produção que, mesmo não sendo original, pudesse beber de filmes como ” O homem que sabia demais” ou “Contra o tempo” acaba preferindo muito mais algo como ” Busca implacável” ( também de Neeson), ao colocar um personagem na casa dos 60 anos praticando lutas coreografadas, pulando de vagão em vagão e muito mais. Por mais que o gênero peça uma suspensão de descrença é bem complicado comprar essa proposta.

Por fim, ” O passageiro” pode ser visto de duas formas: como tributo acidental a clássicos de ação dos anos 80 ou como apenas mais um produto padrão de um gênero que não se reinventa. A impressão passada é que no início o diretor tinha a intenção de bolar um ritmo diferente do habitual, mas essa empolgação morre muito rapidamente em uma sequência de tentativas fracassadas de se criar uma tensão envolvendo a família do protagonista, um certo mistério que interessa a cerca de qual passageiro é o alvo e muitas cenas de ação que simplesmente funcionam no piloto automático.


Gustavo Barreto – 7º período

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