Crítica: A Maldição da Casa Winchester

MV5BMTY0NzQxOTk4Nl5BMl5BanBnXkFtZTgwNTY4ODk5MzI@._V1_SY1000_CR0,0,674,1000_AL_A Winchester Company é uma das empresas mais famosas nos EUA e com um papel atuante em sua formação. Isso se deve à produção maciça de armas de fogo modernas, cujo papel predominante garantiu a tomada do oeste e a vitória do norte sobre o sul na Guerra de Secessão. Após a morte do fundador, o controle majoritário das ações passou para as mãos de sua viúva, Sarah Winchester, que pouco a pouco começou a apresentar sinais de paranoia, oriundos da crença de que todos aqueles que pereceram por uma das armas da sua empresa a estavam assombrando. Ela então ergueu uma enorme mansão na Califórnia que estaria em constante expansão para se livrar das assombrações.

Com uma premissa interessante e o cenário tradicional de uma mansão assombrada em mãos era de se esperar que os diretores Michael e Peter Spierig soubessem como extrair o melhor, afinal, filmes como “O iluminado” e ” A Casa dos Maus Espíritos” poderiam servir de inspiração para a construção de dois tipos de terror: o psicológico ou o sobrenatural ( mesmo que em um estilo trash).

Entretanto, como em qualquer filme, deve-se sempre pensar na história que será contada como elemento primário para só então pensar em instrumentos secundários de suporte ao enredo, o que não é o caso de ” A Maldição da Casa Winchester”. Apesar de uma boa premissa ( entende-se que ela ainda não é a história finalizada), a dupla de diretores prefere apenas criar uma enorme desculpa de 1h30 min (entende-se como a história) para poder trabalhar com uma enxurrada de jump scares (momentos de susto) em todos os momentos possíveis e imaginados.

MV5BYmQ0YTZjNzctNWI0MS00ODBlLTk3YjUtZTUwMGY0MjM1N2FjXkEyXkFqcGdeQXVyNjEwNTM2Mzc@._V1_SY1000_SX1500_AL_

Esse recurso, apesar de ser clichê, quando bem aproveitado enriquece qualquer atmosfera do gênero de terror. Em excesso, ele acaba tendo um efeito contrário ao planejado; perde-se o elemento da surpresa, pois o espectador já terá percebido que a qualquer momento vai ter algo do tipo; a intensidade da trilha sonora em uma escala crescente denuncia que algo ocorrerá até concluir em seu tradicional estouro sonoro e até mesmo a paciência do público vem a diminuir continuamente, pois uma vez que o susto não funciona e se torna algo irritante dentro do filme, ele tentará se concentrar no enredo, o que não ocorre aqui, já que o enredo é apenas uma desculpa para a overdose de jump scares.

O figurino do filme, porém, se salva nessa jornada. Por se passar a maior parte do tempo dentro da casa, muito pouco se vê de reconstituição do início do século XX ( com exceção de uma rápida cena externa no início), logo cabe à decoração da casa e às vestimentas de protagonistas, coadjuvantes e figurantes transmitir essa ideia, o que funciona. O estilo gótico predomina nas vestimentas de cores carregadas e nas mobílias, todas luxuosas mas com um ar pesado. A pouca luz que entra pelas janelas é sempre acinzentada, o que deixa o tom de cor da fotografia de acordo com o clima do gênero.

Por fim, ” A maldição da Casa Winchester” é, acima de tudo, o resultado de um planejamento preguiçoso por parte dos realizadores, que devem ter a ideia de que o gênero de terror/suspense é apenas uma desculpa para dar uma sucessão de sustos, não só cansativos mas fracos, ao público. Uma premissa interessante do que poderia ser um tributo ao subgênero de “Haunted House” ( casa mal assombrada) se perde para dar lugar a um enredo sem alma ou identidade.


Gustavo Barreto – 7º período

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s