Jovens encontram no futebol um caminho para a vitória

O futebol é uma paixão mundial e vai além de um esporte: ele é um ideal de vida. E é o que a Academia Pérolas Negras proporciona para os jovens imigrantes e refugiados do Haiti que são levados a deixar seus países por questões políticas. A carreira de jogador é um futuro possível e promissor para eles e este projeto criado pelo Viva Rio ajuda na busca da realização do sonho desses meninos.

Criadas para gerar impacto social, as academias, tanto no Haiti quanto no Brasil, são ao mesmo tempo casa, escola e centro de treinamento. O projeto foi se desenvolvendo a partir de 2004, quando o Viva Rio foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a participar da missão de paz do Haiti. O desafio era atuar em bairros controlados por poderes paralelos, e a instituição foi convidada pelos anos de experiência nas comunidades pobres do Rio de Janeiro. Até hoje no Haiti funciona um centro comunitário aberto na área mais devastada da cidade, onde a ONG mantém programas de esporte e cultura.

O amor pelo futebol uniu esses dois países de realidade distantes e, desde o início, o projeto viu no esporte um caminho para promover o talento e a autoestima dos jovens haitianos. A organização de torneios de rua que fez muito sucesso no país, criou um projeto com o objetivo de estabelecer condições para que os jovens mais talentosos pudessem se transformar em atletas de alta performance, dando assim uma chance para esses meninos haitianos lutarem por seus sonhos e por um futuro melhor.

Um terreno foi comprado no Haiti para o time do Pérolas Negras em 2009, e as obras terminaram em Julho de 2011, após serem temporariamente interrompidas pelo terremoto de 2010. O espaço conta com quatro campos, vestiários, piscina, fitness center, escola, centro de fisioterapia e alojamento para os jovens. A aposta deu certo, a academia firmou uma parceria com a Federação Haitiana de Futebol e se tornou referência esportiva no país.

Em 2016 foram convidados para jogar a edição daquele ano da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o principal campeonato sub-20 do Brasil, e despertaram a atenção, a ponto de serem capas dos principais jornais do país. Com isso, em Janeiro do mesmo ano, o Viva Rio inaugurava uma Academia Pérolas Negras em Paty do Alferes, cidade serrana a 120 quilômetros do Rio de Janeiro. Lá os atletas haitianos sub-20 e os profissionais vivem a rotina tranquila da cidade, enquanto estudam e treinam em busca de uma chance em um grande time. O objetivo da empresa social é que esse projeto seja um clube formador.

E, além do esporte, integrantes de todas as categorias recebem educação para a construção de valores e o desenvolvimento humano e intelectual dos alunos. Paula Mello é uma das responsáveis por essa parte educacional, já está nesse trabalho há um ano e meio, mas tem bastante tempo trabalhando com projetos sociais e chegou no Viva Rio com um diferencial: saber falar Francês e Inglês, facilitando assim a comunicação com os atletas. “Muitos deles chegam sem saber falar o Português e o domínio do idioma é determinante para trabalhar com eles, pelo menos no primeiro momento”.

Paula orientando e levando o aprendizado aos atletas da Academia Pérolas Negras

Paula orientando e ensinando os atletas do Pérola Negra

A educadora já viveu momentos marcantes com os atletas e um deles foi quando os jovens entraram para a educação formal e passaram nas provas. “É um trabalho muito enriquecedor para mim, me faz aprender bastante”. O futuro do projeto é ampliar a área de atuação em outros países e manter a inclusão de refugiados. A próxima meta é a Síria. “A nossa visão é o bem-estar do mundo, fazer a diferença como seres humanos, independentemente de fronteiras e países”.

Desde quando foi inaugurada a academia aqui no Brasil, em janeiro de 2016, a empresa social vem abrigando e ajudando esses meninos na busca pela tão sonhada carreira de jogador. O jovem haitiano Jean Louis Anel, de 18 anos, que atua como volante, é um dos atletas do time profissional do Pérolas Negras e, como todos os outros, busca realizar seu grande sonho que é jogar futebol.

Jean segurando o troféu do título da Copa Alterosa Sub20 de 2016

Jean segurando o troféu conquistado na Copa Alterosa sub 20 de 2016

Mas como o projeto também prioriza a educação, ele deseja outras conquistas também. “Além do futebol, quero estudar arquitetura”. A estrutura do projeto se dá tanto na parte de treinamentos nos aspectos do futebol, quanto na educação dos atletas, buscando assim formar cidadãos capazes de dar exemplo e alcançar seus objetivos dentro ou fora do futebol. Com isso, os jogadores se sentem muito bem. “Se o Viva Rio fosse um homem eu poderia falar que ele ‘é o cara’”, diz Jean.


Luhan Santos 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

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