Cinema Negro Brasileiro: em busca pela liberdade e representatividade

A luta por liberdade e igualdade dentro na história é antiga e muitas vezes as expressões artísticas são palco dessas manifestações. Um exemplo disso está na sétima arte. Ao longo do tempo, o Cinema Negro vem buscando narrativas para tentar eliminar os estereótipos que cercam as minorias dentro do universo audiovisual. Apesar de tanta tecnologia disponível, capaz de fazer tantas vozes vagarem pela sociedade, nem todas são ouvidas, principalmente se a direção das falas vier do oprimido. Mas esse problema é tratado como algo sutil, e muitas pessoas ainda não conhecem a origem dessa linguagem e muito menos têm ideia do quanto é difícil ter a inserção do negro na frente e atrás das câmeras.

Hoje, as questões debatidas entre os profissionais do Cinema Negro ganharam novos contornos. A presença feminina tem se tornado um tema significativo nessa discussão e estimulado as mulheres a se unirem, a partir dos coletivos, para refletir o lugar que as minorias ocupam no audiovisual e pensar sobre diversos temas contemporâneos. Embora sua essência e referência tenham como objetivo trazer a imagem do negro como protagonista, o Cinema Negro traz uma vertente que busca dar vez e voz a todos aqueles que se encontram marginalizados e lutam contra o sistema.

Um pouco de história

Para falar do Cinema Negro, é preciso voltar aos Estados Unidos da década de 1960, quando aconteciam as atividades internacionais das massas e a luta dos direitos civis, cujos líderes eram Martim Luther King e Malcolm X. Esse processo de revolução resultou em uma série de fatores que levaram ao surgimento do Movimento Negro Unificado no Brasil, uma manifestação importante, porque começou a desmascarar a ideia de paraíso da democracia racial existente por aqui, um termo que sugere a crença de país um país que foge do racismo e da discriminação existentes em outras nações.

A partir dessa militância, o Cinema Negro surge nas raízes do Cinema Novo com Glauber Rocha, e era contrário às chanchadas, gênero de filmes brasileiros criado entre 1930 e 1950 no Governo de Getúlio Vargas, que era a favor de um fator industrial, positivista e agrário, que mostrava o militar como o progresso e o camponês estranho a essa evolução. Na época das chanchadas, surgiu a figura do anti-herói, como o Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato e interpretado no cinema por Mazzaropi, que possuía traços ameríndios e trazia uma visão estereotipada do homem do interior como sendo ignorante, sem hábitos higiênicos, alcoólatra e incapaz de se desenvolver economicamente.

O antropólogo, cineasta e educador Celso Prudente destaca que nesta época o negro tinha poucas aparições na chanchada e era visto como um elemento abstrato. “A chanchada trabalhava com o índio de maneira pejorativa e marginalizava o negro. Ela se apropriava da cultura negra por meio da música, da dança, do samba, mas não representava esse povo fisicamente”. O Cinema Novo era oposto aos filmes feitos pelas grandes indústrias, que traziam ideais do Nacionalismo Americano. O cineasta afirma que, nessas produções, a burguesia era representada pelo branco e a pobreza pelo negro. E o papel do Cinema Novo era mostrar a realidade de uma sociedade brasileira oprimida, utilizando influências marxistas.

Um fato importante é que tanto o negro, o índio e até mesmo o ibérico – portugueses e espanhóis – eram marginalizados devido à soberania do eurocentrismo. Os oprimidos vão representar uma imagem de reflexão emergencial sobre o próprio ser, e o audiovisual adquire uma extensão. Celso explica: “O Cinema Negro ganha uma dimensão pedagógica, porque não é apenas o cinema do negro, mas é uma produção feita para todas as minorias, que incluem as mulheres, a comunidade LGBT e todos aqueles que reclamam e lutam contra o sistema. Nesses filmes, o oprimido vai fazer o resgaste das suas memórias e ensinar como ele é e a maneira que deseja ser tratado”.

Outro ponto interessante apontado pelo antropólogo é que o primeiro filme do Cinema Negro surge quando Glauber Rocha vai para o exílio, no fim da década de 1960, e decide voltar a fazer filmes com a visão do negro como protagonista. Em uma viagem feita à África, no Congo de Brazaville, o cineasta cria Leão de Sete Cabeças, que mostra uma nação idealizada e sonhadora com a busca de um lugar ideal em que possam reinar a ética e a justiça. Após Glauber Rocha, surgem outros profissionais para dar continuidade a esse trabalho. Ari Cândido e o próprio Celso Prudente são exemplos desse segmento e traziam experiências em documentários rodados na África.

A atriz Lea Garcia em A Negação do Brasil

Lea Garcia em ‘A Negação do Brasil’. Foto cedida

Um fato ocorrido na década de 1970 mostra que muitos atores negros passaram a atuar como diretores. Entre eles está Zózimo Bulbul, com o lançamento do curta-metragem Alma no Olho, de 1974. Celso Prudente afirma que no Cinema Negro não é possível dizer o que é certo e errado, mas que é um caminho de possibilidades. “Alma no Olho não é o início da história e nem o primeiro filme negro, mas se reflete em um posicionamento. Eu tive a oportunidade trabalhar com o Zozó. Ele estava cansado de ser discriminado. Então decide ir produzir o filme dele com a visão que possuía, porque já não queria mais fazer o filme dos brancos”.

Após Zózimo Bulbul, outras pessoas com diferentes olhares surgiram. A década de 1990 e os anos 2000 foram marcados por manifestações e pela presença de cineastas e atores negros que queriam discutir novas formas de representação racial no cinema e na televisão.

Salto para um olhar contemporâneo

Entre os profissionais que buscam novas formas de representar e discutir o papel do negro nos meios de comunicação e no cinema está o cineasta e Doutor em Comunicação e Artes ECA/USP, Joel Zito Araújo. Ele participou do Manifesto do Recife em 2001, junto com outros nomes como Antônio Pitanga, Ruth de Souza, Milton Gonçalves, Maria Ceiça e Zózimo Bulbul. Nesse protesto, eram reivindicados direitos como o fim da segregação e o aumento dos salários de atores, atrizes, apresentadores e jornalistas negros na publicidade, nas produtoras e na televisão e a criação de um fundo de incentivo para a produção multirracial no Brasil.

Como uma maneira de abordar esses problemas, Joel Zito lança, em 2000, A Negação do Brasil – obra vencedora do Festival de documentários “É Tudo Verdade”, em 2001 -, no qual relata a luta dos atores negros pelo reconhecimento na história da telenovela brasileira. Esse não foi o primeiro trabalho do artista, que, antes, também foi reconhecido por Retrato em Preto e Branco.

Uma das perguntas que a maioria das pessoas se faz é o quanto todas essas lutas e resistências trouxeram de avanço. Joel Zito afirma que a sociedade tem evoluído muito para entender os temas raciais, mesmo sendo a passos lentos. “Desde que eu comecei no período de apogeu do Zózimo, mudou muito. Hoje, a questão racial não é só da militância negra. Esse debate tem sido discutido pela esquerda e também pela direita,  que já falam de Casa Grande e Senzala, Racismo, elite branca. Isso é uma conquista”.

Celso Luiz Prudente Cineasta Antropólogo e Professor

Celso Luiz Prudente. Foto cedida

Mas ainda há muito que melhorar. Hoje, também é possível ver uma forte influência da juventude que se une nas ruas e no ambiente da universidade para debater, dentro do universo audiovisual, questões que podem se referir à raça, a gênero, à apropriação cultural, ao hip hop, ao feminismo, ao grafite, à pichação e a muitos outros temas. Joel Zito reconhece o trabalho importante desenvolvido pelos estudantes, mas, para ele, ainda há muitos empecilhos para o aprimoramento dessas discussões. Ele menciona a política brasileira como uma das culpadas. “No Senado, por exemplo, temos um problema. A maioria dos governantes do nosso país é de origem branca. A população negra tem pouco direito à voz”, afirma o cineasta.

E para entender mais sobre essa carência na política é importante trazer à tona a narrativa do documentário Raça, lançado em 2012, com a direção de Joel Zito Araújo e Megan Mylan. O filme mostra a busca de três negros por justiça racial. Entre os personagens está a quilombola Elda de Linharinho, que vive no Espírito Santo, o cantor e vereador Netinho de Paula, em São Paulo, e o primeiro senador negro do Brasil, Paulo Paim, em Brasília. Além disso, a produção teve como objetivo registrar um momento histórico do país, que se refere à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

Talvez não seja a primeira vez que alguém diga que fazer cinema, não só no Brasil, mas em todo o mundo, é difícil e que é um sonho realizado por poucos. Muitos cineastas levam anos na produção de um filme, justamente pela falta de dinheiro. Para Joel Zito, todos os diretores de cinema passam pelas mesmas dificuldades quando se trata da falta de recursos, independentemente da cor da pele. “Na questão do diretor negro, é ainda mais complicado, porque os departamentos de marketing são muito importantes para a produção. Eles visam mais o cara etilizado e não querem financiar o cinema negro. Em todos os indicadores sociais, a questão do audiovisual é a que tem mais racismo”.

Com relação à bilheteria, a Ancine divulgou no início deste ano um levantamento sobre o recorde de filmes brasileiros lançados em 2016. Foram 143 produções com 97 obras de ficção e a venda de ingressos chegou à marca de 30,4 milhões. Apesar de tantas estreias e da diversidade de gêneros exibidos, o sucesso de bilheteria continuou com as comédias nacionais. Para Joel Zito, essa é a pior questão de tudo. “O público ainda está mais interessado em entretenimento e o cinema “cabeça” tem caído muito”. Além disso, o cineasta menciona as novas janelas de exibição como o Netflix e o Youtube, que fazem com que muitos não saiam mais de casa e conta que embora esteja pessimista com relação às salas de cinema, afirma que precisa delas.

O olhar feminino no audiovisual

Elas estão cada vez mais presentes na luta contra o principal obstáculo que enfrentam: serem ouvidas. E aos poucos estão conseguindo alcançar esse objetivo. Cineastas brasileiras de vários estados do país se unem em grupos como o Coletivo Vermelha e o Elviras para discutir o papel e o olhar feminino dentro do audiovisual. Regredir não é uma palavra presente no vocabulário delas, que a cada dia aumentam as esperanças de ver um futuro repleto de representatividade. E não se trata apenas do cinema negro, porque essa é uma militância de todas.

Vale ressaltar que em 2016, o número de filmes nacionais dirigidos por mulheres aumentou: 29 obras, o que representa 20,3% das obras brasileiras lançadas. Mas ainda é um número baixo em comparação a todas as outras produções.  “É impossível entender o cinema hoje sem falar com mulheres”, afirma a Sócia da Encantamento Filmes e Produtora Executiva, Erica de Freitas.  Entre alguns filmes que estão sendo produzidos pela cineasta está Mulheres em Risco, que conta com a participação de dez diretoras negras.

Érica de Freitas Sócia da Encantamento Filmes e Produtora Executiva

Érica de Freitas [ foto cedida]

Sempre que tem o poder de decisão, Erica tenta incluir mulheres negras nos longas, porque, segundo ela, a maioria não consegue participar de muitos trabalhos por não receber um salário à altura. “Essas mulheres são a minha referência profissional, de comunidade e até mesmo de movimento social. Essa é a motivação que tenho para fazer cinema, ver a representatividade nas telas em termos de narrativa, de realização, de personagem, de abordagem e criação”, afirma a produtora.

O movimento feminista é reconhecido por erguer a bandeira do cinema negro e levantar pautas para diversas questões. Um exemplo a ser citado é que, na maior parte das vezes, o lugar da mulher negra, ainda por cima com poucas vagas, está somente na produção, e a minoria consegue chegar a dirigir filmes. Além disso, elas não vivem somente do audiovisual, ou seja, precisam participar de outros projetos para conseguir se manter. “Grande parte das mulheres negras faz cinema com o nada, conseguem uma câmera e tenta se virar”, afirma Erica de Freitas, que, no papel de educadora, fundou o Projeto Visionárias – voltado a ensinar a mulheres negras e periféricas a fazer produção executiva – e observa que a maioria das alunas do curso faze parte de outras áreas, mas tem o desejo de realizar filmes.

Apesar de ainda haver poucas políticas públicas que ajudem a suprir as demandas de jovens que querem ter as próprias produções cinematográficas, esse quadro tem mudado. A Ancine e outras organizações têm se preocupado e debatido as questões de raça. Outro fato que vale a pena ser analisado é que a mulher negra, em qualquer papel social, é marginalizada. O racismo velado no país leva a pensar nos argumentos para explicar o porquê de as pessoas não despertarem o interesse em assistir os filmes das minorias. “Para observar como o negro aparece no mercado de trabalho, por exemplo, é só ver os filmes nacionais, nos quais a mulher negra é sempre representada como empregada e o homem como motorista de ônibus. A falta de generosidade com esse povo é um espelho da nossa sociedade”, aponta Erica.

Fábula de Vó Ita (1)

‘Fábula de vó Ita’. Foto cedida

É nessa problemática que entra o papel dos coletivos de mulheres. Além de dar foco ao audiovisual, elas abordam outros grupos que também são invisibilizados. A (APAN) Associação dxs Produtores do Audiovisual Negro, em São Paulo, surge no meio de tudo isso para reunir, em nível nacional, os movimentos negros no cinema, na comunicação, que também inclui atores, diretores e roteiristas para criar um ligação entre todas essas pessoas. Para Erica, que também faz parte da Associação, há uma série de questionamentos silenciados e a tecnologia e os coletivos são essenciais para acabar com essa sombra do medo. “A comunidade negra é psicologicamente afetada, porque como esse povo é sempre colocado em um lugar subutilizado, já tem em mente que não pode criticar demais para que não perca o pequeno espaço que ainda tem”.

A solução para esses problemas está em olhar para o interior e se compreender como ser humano e pessoa, esse é o verdadeiro resgate. A grande dificuldade do indivíduo negro é perceber até que ponto ele pode criticar o outro e ver que ele também é dono de uma narrativa questionadora, que também tem o direito de tomar decisões. “Esse é o caminho que nós devemos trilhar e, mesmo em passos tímidos, a junção dessas vozes dentro da comunidade só tem a ir em frente. É muito bom e ao mesmo tempo triste dizer que precisaram acontecer tantos fatos ruins para despertar a sensibilidade, mas hoje não há mais possibilidade de voltar atrás, porque o negro está cada vez mais politizado”, conclui Erica.

A fábula e a realidade

Ninguém nasce racista. Esse sentimento, muitas vezes influenciado pelos pais, é desenvolvido na infância, principalmente nos ambientes onde os indivíduos precisam de maior apoio e cuidados para se desenvolver.  A partir do momento em que o preconceito e o racismo entram na vida de uma criança negra, ela começa a criar desde cedo a ideia de que ser diferente é errado e que por isso não pode ser respeitada. Esse drama vira uma bola de neve e se reflete negativamente na vida adulta, gerando uma comunidade psicologicamente afetada. É importante compreender que, no Brasil, 54% da população é composta por negros, mas apenas 10% se auto afirma como tal.

Fábula de Vó Ita (2)

Fábula de Vó Ita. Foto cedida

Ao assistir um filme, o espectador espera se ver representado de alguma forma e de encontrar personagens para se identificar. No caso da criança negra, isso é mais difícil acontecer porque ela não consegue se perceber em meio a tantos protagonistas e heróis brancos de origem europeia exibidos nas séries e desenhos. Nesse sentido, o cinema entra em cena para mudar esse quadro, e a roteirista e fundadora da Oxalá Produções Joyce Prado, é uma das profissionais que apostou nessa ideia. Junto com a Cineasta Thallita Oshiro, produziu em 2015, o curta-metragem Fábula de Vó Ita.

A ideia de criar o filme nasce com a matéria publicada por um veículo reconhecido na mídia que falava sobre uma escola de princesas em um bairro de São Paulo. Nesse local, havia um grupo de meninas brancas e de cabelos claros, na faixa de 8 a 10 anos, que aprendiam técnicas de etiqueta, culinária e organização da casa. Joyce afirma que uma criança negra jamais estaria inclusa neste meio e chegou a se lembrar do racismo sofrido na infância. “Foi a partir desse momento que sentimos a necessidade de explicar as crianças que há beleza em todas as etnias e utilizar, por meio da fábula, a construção de uma princesa fora dos padrões, que se vê perdida no reino em que não se reconhece”, conta a cineasta.

Projeto Visionárias 2

Projeto visionárias. Foto cedida

Com relação à produção do curta, que foi contemplado pelo Edital Carmen Santos Cinema de Mulheres e promovido pelo Ministério da Cultura, tudo ocorreu de forma tranquila. Joyce conta que a dificuldade maior surgiu com alguns cineastas homens que eram contrários à produção de um edital para mulheres. Outro empecilho foi realizar o casting para selecionar os atores que participariam do filme, porque em algumas escolas visitadas pelas diretoras, não havia crianças com o padrão para fazer os personagens. “Em um outro colégio da Zona Sul de São Paulo, muitos pais negaram a participação dos filhos no filme devido ao nome da produtora ser Oxalá”, conta Joyce, lamentando o preconceito que ainda perdura acerca das religiões de matriz africana.

Após muito trabalho e empenho, o filme foi finalizado e trouxe bons resultados. Depois de o curta-metragem ser lançado, por exemplo, a atriz Tekka Flor Salvino foi convidada para fazer outras séries de trabalhos na área da moda. “A mãe da menina Tekka acompanhou as gravações e viu que a filha interpretava a mesma situação de racismo que viveu na infância. Isso fez com que ela também se sentisse representada e foi muito legal ver essa reação”, aponta Joyce.

Personagem Quilombola do filme Raça

Personagem Quilombola. Foto cedida

É importante lembrar que a cidade de São Paulo investe em diversos festivais e encontros culturais e é possível perceber a presença considerável de eventos voltados para o cinema negro na cidade. Joyce afirma que existem muitas organizações como a APAN e a SPCINE que têm feito um trabalho muito interessante pensando nas questões raciais e potencializando a capital como um polo do cinema negro. “Eles fazem diversas reuniões, com a presença de um movimento periférico muito forte, que todo ano traz fomentos sobre à falta de políticas públicas e orçamentos, além das mudanças reformuladas na Prefeitura de São Paulo na área de cultura”.

Como já foi dito, muitos profissionais do cinema se unem para discutir e lançar novas narrativas para se pensar a respeito das minorias. Joyce e Erica estão trabalhando juntas na produção de Flores de Baobá com a direção de Gabriela Watson Aurazo. O documentário acompanha a história de duas educadoras negras que vivem em locais distintos, mas que ao mesmo tempo possuem realidades tão próximas, além de trazer a reflexão sobre a desigualdade no acesso à educação nas comunidades negras. “A educação é uma forma de controle político. Assim como no Brasil, a educação nos EUA também é precária e traz ideais imperialistas e bélicos. A prova disso é que no país não existe a disciplina de Geografia, por exemplo”, explica Joyce.

Com a quantidade de pluralidades presentes nesse salto entre o passado e o presente do cinema negro, é possível perceber o quanto essa arte tem a dizer. Apesar de tantos fatos ruins terem acontecido, é importante que eles sejam citados para entender o motivo de todas essas mudanças que andam acontecendo no universo do cinema e também em outras áreas. Enquanto antes não havia palavras para descrever o lugar e os desejos reivindicados pela comunidade negra, hoje, diversos profissionais estudam para dar nomes e definir esses sentimentos que antes não eram explicados.

E a palavra certa não é aceitação. O negro quer ter o direito de ser o que é, de expor sentimentos e de ganhar o espaço que durante muito tempo lhe foi tomado. “A comunidade negra quer chegar ao audiovisual produzindo o que realmente deseja. Não se trata apenas de falar das nossas lutas, mas de criar outras histórias, assim como o branco. Quando ando nas ruas com uma câmera na mão, o policial me olha como se eu estivesse armada, isso mostra o quanto a imagem tem força e é importante para nós”, conclui Joyce.


Camila Porto – 6º período. Reportagem realizada para a disciplina Jornalismo em Revista

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