HIV: Evolução, esperança e expectativa de vida

Nos últimos anos, as terapias antirretrovirais têm melhorado a qualidade e expectativa de vida dos portadores de HIV. Agora, as chances de cura estão mais perto de se tornarem realidade.

Nas décadas de 80 e 90, o vírus HIV era visto como um tabu – uma vez que a doença estava no auge de disseminação -, e seus portadores sofriam com o estigma da doença e efeitos colaterais das medicações, ainda muito incipientes à época. Muita coisa mudou de lá para cá, e, hoje, a expectativa de vida de pessoas portadoras da AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – aumentou exponencialmente, chegando aos 78 anos, número similar ao das pessoas que não carregam o vírus, e cerca de uma década a mais do que outrora.

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[foto: Reprodução da Internet].

Segundo um estudo publicado pela revista científica  britânica “The Lancet”, pessoas de 20 que começaram a tomar os coquetéis em 2010 já possuem uma  expectativa de vida maior do que aqueles que iniciaram o tratamento em 1990. Os autores da pesquisa também afirmam que as terapias disponíveis atualmente têm melhores índices na supressão da replicação do vírus e são menos tóxicas. A medicação envolve uma combinação de 3 remédios que impedem o desenvolvimento normal do HIV.

Para os pesquisadores, existe um caráter motivacional no estudo, que auxilia a convencer indivíduos em risco a realizar os testes e os já infectados a iniciar os tratamentos o mais rápido possível. De acordo com os cientistas, as informações divulgadas pela pesquisa também podem ajudar a diminuir a discriminação sofrida pelas pessoas que vivem com a doença, algo que ainda é presente na sociedade e pode provocar o isolamento das vítimas deste preconceito.

Celebridades

Como o cinema e a televisão já retrataram inúmeras vezes, o primeiro grande surto de disseminação do HIV aconteceu nos anos 1980, causando pânico na população, que encarava a doença como “a nova Peste Negra”. E por muito tempo, a infecção pelo vírus era atribuída apenas aos homossexuais, o qual ganhou a denominação “grupo de risco”. No entanto, quando diversas celebridades ao redor do mundo foram à público revelar que também eram portadores do vírus, ficou claro – pelo menos para uma parte da população – que todos estão vulneráveis ao HIV.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse período foi o do ator Rock Hudson, um dos maiores galãs de Hollywood durante os anos 50 e 60, que morreu aos 59 anos, em 1985, sendo a primeira grande celebridade vítima de uma das chamadas “doenças oportunistas”. No Brasil, alguns exemplos que chocaram a sociedade foram os de Cazuza – que faleceu em 1990, um ano após revelar ser soropositivo –, Lauro Corona – primo de Cazuza e considerado um dos rostos mais bonitos e um dos atores mais promissores da televisão brasileira durante os anos 70 e 80, morreu em 1989 –, a atriz Sandra Bréa – uma das mulheres mais bonitas do Brasil nas décadas de 70 e 80, falecida em 2000.

Voltando à âmbito internacional, algumas estrelas eternas também se tornaram símbolo da luta contra a Aids. O jogador de basquete Magic Johnson revelou ter o HIV em 1991, um ano antes de integrar o “Dream Team” dos Estados Unidos nas Olimpíadas de Barcelona. Já o astro da música Freddy Mercury, morto em 1991, passou os últimos anos de vida recluso do mundo devido aos problemas em sua aparência causados pelo vírus, sendo um exemplo icônico de vítima do estigma acarretado pela doença.

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Chances de cura

Recentemente, uma outra pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto Irsi Caixa Aids de Pesquisa de Barcelona, na Espanha, indica que pelo menos 5 pacientes já não possuem o vírus há sete meses graças a uma vacina. O novo tratamento faz com que eles não precisem tomar os medicamentos antirretrovirais – fator de incômodo para alguns portadores de HIV. O teste ainda não foi realizado em larga escala, mas há um lampejo de esperança de que a vacina possa ser uma cura. Os resultados obtidos são os primeiros em 30 anos que apontam para uma solução efetiva contra o vírus após tantas pesquisas na área.

No Brasil, as estatísticas ainda precisam melhorar. É o que aponta o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2016. Estima-se que das 827 mil pessoas que vivem com vírus no país, 372 mil (45%) não estão em tratamento. O documento também destacou que existem 112 mil pessoas vivendo com a doença e não sabem. Os dados indicam um contraste com os avanços alcançados pelo mundo e chamam a atenção para uma necessidade de políticas públicas de saúde que sejam mais efetivas.

Inspirações

A desinformação assume um lugar importante nesses números, pois o imaginário popular ainda é permeado por preconceitos e antigas visões da doença. Isso leva muitas pessoas a se recusarem a fazer testes, seja porque sentem medo de serem desprezadas por amigos e conhecidos, ou porque não possuem compreensão suficiente sobre os tratamentos disponíveis. Foi pensando nisso que Dinorberto Lopez resolveu criar uma forma de levar informação. Ele é administrador da página “HIV – Grupo Amigos Apoio” e conta sobre como iniciativas como a dele vêm ajudando os portadores do vírus.

“Quando criei a página no Facebook, minha intenção era informar as pessoas sobre notícias referentes a novos medicamentos e formas de prevenção. Quando as pessoas começaram a curtir, responder e até dar depoimentos, comecei a postar reportagens sobre diversos temas: relacionamentos, depressão, autoestima e outros”, diz.  Segundo ele, as pessoas precisam desses textos para entenderem melhor o mundo em que vivem .“Comecei a receber mensagens com pedidos de ajuda, orientação e até encaminhando endereços em suas cidades, onde pudessem seguir suas vidas de uma forma mais tranquila. Muitas pessoas sentem-se agradecidas e puderam retornar suas vidas graças a essa página”.

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Dinorberto Lopez [foto: Arquivo Pessoal].

Dino, como é carinhosamente chamado, também falou sobre como esse aumento de expectativa de vida pode afetar os portadores de HIV.  “O aumento na expectativa de vida traz de volta a possibilidade de viver  em todos os seus sentidos. Porém o estigma e o preconceito tornam esses mesmos portadores reféns de problemas de relacionamento, insegurança e consequente perda de autoestima. Vivem presos a remédios que muitas vezes tomam escondidos. Sentem-se amedrontados diante da possibilidade de conhecer alguém e receber um não, por suas condições de portadores.”

O criador da página alertou, ainda, para os efeitos adversos das medicações. “Esses efeitos a longo prazo causam o chamado envelhecimento precoce.. A vida é prolongada por um lado, mas causando danos mais tarde. Isso gera um aumento no aparecimento de doenças antes do seu devido tempo. Exemplos: Mulheres de 45, 50 anos entrando em menopausa. Homens da mesma idade com problemas de ereção. Aumento do número de câncer de todos os tipos. Problemas cardiovasculares, AVC, problemas renais e de fígado. As pessoas que já têm esse conhecimento tornam-se deprimidas e tudo que mais esperam é que realmente haja uma cura o quanto antes.”

Os efeitos psicológicos das conquistas também são uma parte importante na vida dos portadores de HIV. George Gouvea, psicanalista e presidente do “Grupo pela Vida” – que trabalha na luta contra a epidemia da AIDS no país – falou sobre os impactos dessas melhoras no dia-a-dia dos pacientes. “Acredito que o principal impacto psicológico seja a certeza de que as pessoas vivendo com HIV podem ter uma vida normal, podem realizar seus sonhos e ter a certeza que a vida não acaba com o diagnóstico. No campo social ainda esbarramos no preconceito, mas podemos perceber pequenos avanços, contudo, ainda insuficientes para colocar o HIV no seu devido lugar, ou seja, apenas uma patologia a ser controlada. O julgamento moral, as vezes imposto ao soropositivo, dependendo da intensidade, pode causar mais danos que o próprio vírus”, afirmou.


Thainara Carvalho – 50 Período

 

Um comentário sobre “HIV: Evolução, esperança e expectativa de vida

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