O tabu nas telas de celular

A decisão da empresa de transmitir suicídios e automutilações ao vivo gerou polêmicas e debates.

No último domingo, dia 21, o Facebook adotou uma nova política que permitirá que os usuários façam transmissões ao vivo de tentativas de automutilação e suicídio. De acordo com documentos vazados para o jornal britânico “The Guardian”, a empresa “não quer censurar ou punir pessoas que já estão em perigo” e as filmagens são retiradas do ar a partir do momento em que já não há como ajudá-las.

fb

Mark Zuckerberg [foto: Reprodução da Internet].

Já faz alguns meses que as redes sociais se tornaram palco de discussões e debates sobre a depressão e o suicídio. Temas delicados e que ganharam ainda mais notoriedade devido à série “13 Reasons Why” – produção da Netflix que retrata o suicídio de uma jovem do ensino médio -. As polêmicas que rondam a série geraram diversos desdobramentos, entre eles, a decisão da empresa de Zuckerberg de destacar para os gerentes sêniores qualquer conteúdo relacionado à obra, por temerem que inspirassem outras pessoas a repetir o comportamento da personagem.

As atuais medidas foram formuladas com orientação de especialistas e refletem o modo como o Facebook vem tentando lidar com os conteúdos que passeiam pela rede social. Um exemplo dos novos métodos de abordagem da empresa é a criação de uma ferramenta de prevenção do suicídio em parceria com o CVV (Centro de Valorização da Vida) para ajudar os usuários a perceberem que há alguém com tendências suicidas. A iniciativa chega em um período em que as taxas de morte por suicídio da população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10% – segundo dados do Mapa da Violência 2017 .

Riscos de Contágio

Em relação as automutilações, no último verão os moderadores da rede social encontraram 4.531 casos. E a expectativa é que esse número aumente: serão 5.016 casos a cada duas semanas – um  aumento de 10%. No entanto, há uma preocupação com os riscos de contágio, ou seja, pessoas que assistem os vídeos de suicídio ou automutilação estão mais propensas a considerarem realizar as mesmas ações. Por conta disso, a empresa remove os conteúdos quando não há mais possibilidade de ajuda.

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Casos Recentes

Em abril deste ano, um caso específico perturbou os internautas. Wuttisan Wongtalay, de 20 anos, realizou uma transmissão ao vivo pela rede social, assassinando por enforcamento sua filha, Beta, de 11 meses. As imagens mostravam o bebê com uma corda no pescoço, antes de ser jogada do telhado de um prédio, e ficaram disponíveis por 24 horas. O corpo de ambos foi encontrado no dia seguinte. Estupro e assassinatos também já preencheram as transmissões do site.

No Brasil, o fato mais recente aconteceu em janeiro. O soldado da Polícia Militar Douglas de Jesus, 28 anos, retirou a própria vida com um tiro na cabeça em transmissão ao vivo. Segundo amigos e parentes do policial, a falta de pagamento foi um dos motivos do ato. As controvérsias da decisão levantaram questionamentos pertinentes sobre o que deve ou não ser publicado na rede. A parlamentar britânica Yvette Cooper revelou ao “The Guardian” que os padrões adotados pelo site não podem ser decididos entre quatro paredes, já que afetam 2 bilhões de usuários no mundo.


Thainara Carvalho – 50 Período

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