Novos tempos, velhas críticas

ÓPERA-CARTAZ

Cartaz da Peça [Cortesia da Produção]

A CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), uma das escolas de artes cênicas mais renomadas não apenas do estado do Rio de Janeiro, mas do país, resolveu trazer para este mês uma das peças mais tradicionais e históricas da dramaturgia brasileira. O desafio da instituição para profissionalizar os atores da casa é a montagem de “A Ópera do Malandro”, um clássico de Chico Buarque de Holanda que expõe a hipocrisia da sociedade carioca, tendo como pano de fundo a boemia da Lapa dos anos 40.

A Ópera do Malandro é uma peça do gênero musical escrita por Chico Buarque de Holanda, em 1978, e foi dirigida primeiramente por Luís Antônio Martinez Corrêa. As fontes de inspiração para Chico Buarque foram A ideia de escrever uma adaptação para os clássicos Ópera dos Mendigos, de John Gay, e A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Todos espetáculos que abordam o cotidiano, mas de pessoas que fazem parte de um ciclo e esse ciclo é criticado de forma bem irônica e direta.

Uma das atrizes da recriação da ópera é Moira Osório, que destacou a relevância da peça e sobre essa recriação que por sinal tem seus espetáculos gratuitos e em cartaz na escola pelos dias 10, 11 e 12 deste mês de maio das 10 às 12 horas. “Para mim, não há momento melhor, politicamente falando, para essa peça estar sendo remontada. Na verdade, não se trata só da política, mas da condição humana e da condição do cidadão brasileiro e sua cultura”.

Estas palavras vieram por conta da identificação da jovem com a peça. “Ela fala sobre esse Brasil nosso de cada dia, das grandes corrupções e das nossas pequenas corrupções. Fala sobre a exploração do homem pelo homem, abuso sexual, prostituição, diversidade sexual, trabalhos análogos à escravidão, a corrupção da polícia e principalmente dos “Malandros”, que na verdade, somos todos nós, que dê alguma forma, sempre arranjamos um jeitinho pra sairmos ganhando. E completa “A peça foi escrita em 1978, mas é ainda, do começo ao fim, um retrato ‘nu e cru’ da nossa sociedade”.

MOIRA-ÓPERA 1

Moira Osório [foto: Arquivo Pessoal].

Moira afirma que a peça segue atual e necessária para vir à tona. “Sim, e pelo andar da carruagem, sempre será. Essa peça foi escrita há 40 anos e ainda hoje lutamos e reivindicamos pelas mesmas coisas.  Na cena final da peça, ocorre uma passeata de “1° de maio” q antigamente era chamada de desfile. Envolvia grandes multidões dentro de estádios. E a minha personagem tem o seguinte texto: “ vai levar meio século para essa gente se juntar de novo e levantar a voz, porque a multidão não vai estar abafada, nem tiranizada… A multidão vai estar seduzida”. A atriz contou que por conta de agendas e compromissos da escola, a peça foi montada de maneira corrida e em apenas um mês tudo ficou pronto.

Quanto a uma novidade que possa diferenciar a peça das outras releituras, a atriz falou sobre o teatro nunca agregar somente a obra final que é a peça. “É um processo de formação do ser humano, de caráter, de princípios, de senso de coletividade, é um eterno autodescoberta. O que a CAL traz de novo e principal para essa peça na verdade é o casting. Somos a nova geração chegando com valores lúcidos para passar uma mensagem que faça o espectador refletir, se emocionar e quem sabe até, faze-lo sair da postura de espectador de tudo isso que vem acontecendo e torna-lo mais ativo na sociedade ou pelo menos no seu meio de convívio”.


Roani Sento Sé – 7º Período

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s