A culpa é da expectativa

alien-posterSabe aquela sensação de sair do cinema pensando “poderia ter sido melhor”? É exatamente assim que a maioria dos espectadores de “Alien: Convenant” se sentiram ao assistir ao mais novo longa de Ridley Scott. Isto porque o filme pecou em não definir, claramente, o seu gênero, e acabou se afogando em sub-tramas vazias e sem desenvolvimento. Todavia, nem tudo foram críticas, e há sim pontos na obra que merecem aplausos.

Contextualizando, seguindo – exatamente – o plot de “Prometheus” (2012), a tripulação de uma nave de colonização espacial é encarregada de transportar milhares de colonos para um novo planeta. Contudo, uma onda de rádio perdida no vácuo do espaço faz com que a equipe mude o trajeto e encontre um novo mundo, com condições muito parecidas com o objetivo primário. Ao chegar nessa nova terra, os viajantes espaciais encontram resquícios de integrantes da nave Prometheus e começam a investigar o porquê esse novo planeta ser tão quieto e vazio. Como é de se imaginar, é ai que começam os problemas.

E a primeira crítica vai exatamente para esse ponto. Não pelo fato de ser uma trama bem clichê, mas sim pela velocidade super acelerada que o roteiro deu para explicar esses pontos iniciais. Isso pode ser até justificado pelo fato dos idealizadores preferirem não repetir tudo o que foi dito no citado filme de 2012, mas isso pode deixar os novos espectadores confusos. Esse ritmo frenético dá uma cara de filme de ação para o longa, contudo, com o decorrer da história, são mostrados rápidos, porém bons, indícios de terror e, é claro, ficção científica.

No meio desse mix de gêneros cinematográficos, ainda tem as tais sub-tramas confusas. O roteiro acabou misturando narrativas de conflitos familiares, caça (ou fuga) de um monstro e debates filosóficos existenciais. Esse último ponto, inclusive, foi posto propositalmente para – ao que parece – dar opções de expansão para a franquia, contudo – como não foi bem trabalhado – acaba ficando muito gratuito nessa nova história. Poetas clássicos como Percy Shelley e Lorde Bryon, e o lendário músico alemão Richard Wagner, são constantemente citados, mas muito pouco aprofundados, decepcionando um pouco àqueles que embarcaram na narrativa.

O desempenho dos atores também não é nada memorável. Boa parte do elenco sequer precisava estar ali de fato, só servem para irritar o espectador com suas decisões burras e precipitadas, típicas de filmes de terror. Somente dois atores se destacam. Katherine Waterston (Daniels) não entrega sua melhor atuação, todavia está presente em muitos momentos importantes e acaba ficando marcada na memória. Mas quem merece aplausos, de fato, é – mais uma vez – Michael Fassbender, que, assim como em “Prometheus”, encanta o público com um desempenho impressionante e, desta vez, dando vida a dois personagens “gêmeos”.

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Walter é o novo androide projetado para instruir e proteger a tripulação da nave Convenant. Mas, ao pousar no novo planeta, conhece David, que tinha a mesma função na nave Prometheus. O interessante é que os dois são extremos opostos, enquanto um é amável e defensor dos humanos, o outro tem planos de “independência” das máquinas. É justamente nessa relação entre os dois que os debates filosóficos são mais levantados.

E não se pode deixar de falar da grande estrela do filme. Ou melhor, das grandes estrelas: os aliens. Essas criaturas xenomorfas eternizadas no filme “Alien: O 8º Passageiro” estão de volta para aterrorizar (e até mesmo encantar) o público. Com cenas extremamente sanguinolentas, daquelas de dar orgulho ao Tarantino, as criaturas dão ânimo ao espectador, e acabam maquiando os pontos baixos da obra. Contudo, um ponto muito criticado pelos especialistas foi o excesso de computação gráfica e a pouca exploração das maquiagens e efeitos especiais nos monstros, ferramenta marcante no primeiro título da série.

No fim das contas, “Alien: Convenant” não é um filme ruim, mas também não é nada excepcional. Na verdade, não passa de um bom filme de ação e de ficção científica, que poderia ter ficado muito melhor se tivesse parado de flertar e entrado de cabeça no terror, gênero marcou a franquia. Ou melhor, gênero que foi marcado pela franquia.


Iago Moreira- 7º Período

 

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