Ainda à luz do aniversário de 53 anos da instauração do regime militar no Brasil – no dia 31 de março de 1964 -, foram colocados em pauta os resquícios da ditadura na memória dos cidadãos brasileiros por estudantes e professores da graduação em História da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O evento foi realizado pelo Núcleo de Estudos de História, Memória e Ensino da Ditadura Militar Brasileira da instituição, junto ao Departamento de História.

A Doutoranda da UFF, Rejane Hoeveler, abriu a mesa falando de sua pesquisa sobre a articulação empresarial durante a ditadura e a participação dos EUA. De acordo com a historiadora, diversas instituições e empresas financiaram a OBAN – Operação Bandeirante – e a manutenção do aparato repressivo do governo vigente, tanto por interesses próprios quanto por pressão. Em sua apresentação, Rejane também citou a relação da imprensa com a ditadura, e como editoriais de Roberto Marinho no jornal O Globo e peças de publicidade endossaram um discurso benéfico sobre o novo regime.
Já o professor da UERJ, Thiago Nicodemo, introduziu seu estudo sobre como a música nacional se comportou na época da ditadura, com as músicas de protesto na década de 70 e a mudança de cenário no fim do regime militar, em 1985. Para exemplificar, foram exibidos videos da primeira edição do festival “Rock in Rio”, e foi feita uma análise dos discursos e imagem dos artistas pelos ouvintes. “O maior erro que o Brasil cometeu foi pensar que poderíamos esquecer tudo que aconteceu e achar que começaríamos tudo de novo”, afirmou o professor, se referindo ao discurso de mudança que acompanhou a reestruturação da sociedade pós-ditadura.

Após a fala dos mediadores do debate, participantes puderam comentar e trazer outras reflexões sobre o momento atual que o país vive, como o impacto da internet no reforço da memória positiva sobre o período ditatorial que vivemos e o avanço da onda conservadora. A estudante do Ensino Médio, Bianca Carvalho, levantou a questão da precariedade do ensino de História nas escolas públicas. “Muitos alunos não sabem o que é a ditadura e que ela aconteceu mesmo”, disse. A falta de tato de muitos professores da rede pública ao lidar com o tema em sala também foi pontuada pela estudante.
O debate é parte de uma série de atividades realizadas na universidade, que vem enfrentando um grave momento com a crise no estado do Rio de Janeiro, em prol da ocupação do espaço universitário. Finalizando a discussão, o professor Daniel Pinha deixou os participantes do evento com uma reflexão sobre os resquícios da ditadura hoje: “Parece que estamos sempre voltando ao ponto de 1964, porque ele está sempre presente”. O pensamento que surge é que a sociedade brasileira ainda precisa se aprofundar no estudo e no debate sobre o regime militar e entender os efeitos do golpe, que ainda perduram 50 anos depois.
Beatriz Brito – 5º Período

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