Muito acima da média

561631-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxHá muitas décadas, filmes que abordam especificamente o período da adolescência da vida de uma pessoa tendem a ter tramas superficiais, personagens caricatos, diálogos rasos e direção mecânica, mas este não é o caso de “Quase 18” (“The Edge Of Seventeen”), comédia dramática da diretora estreante Kelly Fremon Craig – que também assina o roteiro –, estrelada por Hailee Steinfeld, e que tem a qualidade de produção atestada pelas mais de 20 indicações e quatro vitórias na mais recente temporada de premiações, iniciada no ano passado.

O longa conta a história de Nadine, uma jovem de 17 anos que vive com a mãe egocêntrica, Mona (Kyra Segwick), e o irmão popular, Darian (Blake Jenner), após a morte do pai, há cinco anos. Nadine é a personificação de um socially awkward, uma adolescente falastrona, que é muito madura para algumas questões e muito infantil para outras, com dificuldade de socialização, que ainda não encontrou sua tribo por achar que todos os jovens ao redor são idiotas, e tem uma queda pelo badboy Nick (Alexander Calvert).

A única amiga de Nadine é Krista (Haley Lu Richardson), porém a relação das duas é abalada quando esta começa a namorar Darian. Quando se vê sozinha no difícil universo pós-puberdade, Nadine começa a se aproximar do jovem deslocado Erwin (Hayden Szeto) – um aspirante a cineasta tímido que não consegue esconder a atração que sente por Nadine – e do professor de História Bruner (Woody Harrelson em uma de suas especialidades: personagens cínicos e irônicos).

A principal diferença entre “Quase 18” e outros filmes que retratam a adolescência é a maneira como esta fase da vida é retratada. Aqui, não há a superficialidade e o exagero aos quais o público está acostumado. O roteiro é bem estruturado e a direção precisa de Craig dá tanto pulso e naturalidade à narrativa que a câmera simplesmente desaparece, fazendo com que o espectador assuma um papel de voyeur, que espia, indetectável, alguns dias da vida de uma jovem comum – os mais de dez prêmios aos quais Kelly Fremon Craig foi indicada na temporada foram, sem dúvida, merecidos.

THE EDGE OF SEVENTEEN

(Left to Right) Blake Jenner and Haley Lu Richardson in THE EDGE OF SEVENTEEN

O roteiro realista e dinâmico, aliado ao elenco afiado e a uma cinematografia intimista de Doug Emmett, torna a experiência ainda mais libertadora– e muito disso se deve à interpretação segura e versátil de Hailee Steinfeld, que ganhou notoriedade ao redor do mundo ao ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante aos 14 anos pelo arrebatador “Bravura Indômita”, de 2010, e que, em 2016, foi merecidamente indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical, além de seis indicações e um vitória em outras premiações.

Em suma, “Quase 18” é uma “dramédia” divertida e sensível sobre amadurecimento e crescimento pessoal, que retrata a adolescência de forma mais realista que o comum e não trata as personagens com condescendência, que conta com um roteiro alinhado e ácido e atuações certeiras, fazendo com que o público se identifique com as situações, ocasionando pensamentos como “isso já aconteceu comigo” ou “isso já aconteceu com alguém que eu conheço”, ou seja, tem tudo para se tornar um dos filmes indie queridinhos dos hipsters e dos deslocados sociais.


Daniel Deroza– 5 Período

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