Movimento Black Rio comemora 40 anos
Em julho de 2015 a Comissão de Cultura aprovou com emenda, o Projeto de Lei 296/15, que transforma o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em feriado nacional. A data faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra à escravidão no Brasil Colonial – retrata, no plano simbólico, a herança histórica da população no processo de libertação e de luta por direitos violados –. Alguns estados e municípios brasileiros, de antemão, aprovaram leis que fixam o dia 20 de novembro como feriado: Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e cerca de 150 cidades de outras 12 regiões.

Para retomar a importância sobre a consciência da comunidade negra acerca de seu valor e sua contribuição ao país, propor uma reflexão sobre a introdução dos negros na sociedade, e aproveitando o Dia da Consciência Negra, o Imperator – Centro Cultural João Nogueira promove um evento voltado para as manifestações culturais afro-brasileiras. Entre os destaques está a mostra 1976 – Movimento Black Rio 40 anos. O espaço cultural recebe entre 15 de novembro e 19 de fevereiro, fotos, cartazes, capas de discos e vídeos sobre o tema. A data marcou também o lançamento do livro homônimo a exposição, de autoria dos jornalistas e pesquisadores José Octavio Sebadelhe e Luiz Felipe Lima Peixoto.
Contextualizando, durante a década de 1960, surgiu uma manifestação entre uma nova mocidade negra-mestiça carioca. Em sua maioria, moças e rapazes vindos de áreas periféricas da cidade, que posteriormente ficou conhecida como Movimento Black Rio. Teve início nos primeiros bailes de Black Soul, espalhados pelos bairros suburbanos. Procurava, através de uma nova expressão de comportamento e de costumes, a afirmação do orgulho negro contra o preconceito racial e completamente a favor da dança e da música como formas de libertação.

Já na década de 1970, a imprensa dá mais atenção ao, agora, fenômeno de massa. Os bailes e seus dj’s alcançaram novos pontos da cidade, concentrando em eventos um público que chegava a ultrapassar 10 mil pessoas. O movimento influenciou uma geração de artistas que promoveram a mistura entre o samba e a MPB com elementos do soul norte-americano, imprimindo suas características na música brasileira. Em 1976 alcança o auge ao ser reconhecido na reportagem histórica de Lena Frias no Jornal do Brasil, com fotografias de Almir Veiga. Ganhou repercussão nacional por meio do circuito de bailes e shows de artistas negros, impulsionando associações artísticas e sociais em várias capitais. O movimento teve continuidade em inúmeros desdobramentos culturais, como os bailes de charme, o hip-hop Rio e o funk carioca e até hoje é um dos signos mais importantes da comunidade.
Laís De Martin– 8º Período
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