Dois Arlindos no samba da lapa

Na noite da última sexta-feira, dia 30, a Fundição Progresso, localizada no coração da Lapa – um dos lares da boemia carioca –, recebeu um evento mais que especial para qualquer fã de samba: o show de lançamento do CD “Dois Arlindos”, uma parceria entre um dos maiores nomes do tradicional ritmo brasileiro, Arlindo Cruz, e seu filho, Arlindo Neto, o Arlindinho.

Os portões da casa de show foi aberto às dez da noite e o público se surpreendeu ao ver que a apresentação não seria feita no palco principal, onde geralmente os concertos acontecem, mas no palco menor, que fica de frente para a escadaria de entrada da Fundição, ou seja, estava por vir um show mais intimista, dando a oportunidade de os espectadores ficarem mais perto do ídolo.

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O início da apresentação estava previsto para a meia-noite, no entanto, por motivos não revelados, houve um atraso de um hora e vinte minutos, fazendo com que Arlindo e seu filho subissem ao tablado quase à alta madrugada. Porém, o imprevisto não desanimou a audiência – que chegava aos poucos, lotando a casa um pouco mais ao longo das três horas que separaram a abertura dos portões e o começo do show – enquanto os mais diversos sucessos da história do samba eram tocados nos alto-falantes.

A set list da apresentação era composta, obviamente, pelas músicas do novo trabalho dos cantores, mas também pelos maiores hits da carreira de Arlindo, como a clássica “Meu Lugar”. Logo após a abertura do espetáculo, Arlindo falou mais sobre o novo trabalho. “É muito mais que um CD, tem DVD… A gente quer gravar um pagode lá no quintal de casa”, declarou o cantor, que ainda completou. “A gente quer retratar aqui nesse nosso primeiro trabalho junto um pouco da nossa relação de pai e filho”.

Ao longo do show, os cantores distribuíram CD’s entre os presentes, que se debruçaram sobre o palco para tentar conseguir um exemplar. Arlindinho aproveitou para “puxar o coro” da plateia. “Quem cantar alto leva o CD. É automático. Cantou, levou!”, ele afirmou sob os gritos da audiência.

Para o público, o primeiro momento emocionante da noite foi durante as canções “Oyá”, “Yansã” e “É d’Oxum”, quando uma aura mítica tomou conta do palco através das danças apresentadas em referência às entidades citadas nas canções. “Para quem ainda tem dúvida, essa é a minha religião”, Arlindo declarou. “E tem que ter cuidado na hora de votar, senão a nossa religião acaba”, afirmou Arlindinho. Arlindo (pai) aproveitou para dizer, que não é apenas uma religião, mas uma cultura. “Todas as religiões têm que estar juntas pelo fim da violência”.

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A dupla ainda avisou ao público que o programa televisivo “Esquenta!”, do qual Arlindo Cruz é um dos participantes fixos, irá voltar ao ar neste mês de outubro, e Arlindinho utilizou a oportunidade para levar ao palco da Fundição uma das tradições do programa comandado por Regina Casé, no que foi acompanhado pela plateia. “O importante é não ter preconceito”, ele começou, “não importa se você é pobre, rico, preto, branco, homossexual… O que importa é ser feliz! Então: Xô, preconceito!”.

Pai e filho também cantaram músicas famosas de outros grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia, Lulu Santos e Los Hermanos – tudo em ritmo de samba, é claro; teve até trenzinho na plateia durante a canção “Não Quero Dinheiro”. A dupla também trouxe para o samba a tradicional “Rap da Felicidade”. Outro ponto alto da noite foi o momento que precedeu a música “Meu Lugar”. “Quem aqui conhece a Zona Norte do Rio? O subúrbio mesmo! E a Baixada? São Gonçalo? Irajá, Méier, Tijuca, Engenho…? E Madureira?!”, ele brincou, sob ovação do público.

Arlindo Cruz e Arlindinho fizeram um medley de “Meu Lugar” e “O Show Tem Que Continuar”, do Fundo de Quintal, rendendo o terceiro e último momento emocionante da noite – o segundo foi quando Arlindinho dedicou a canção “Meu Caminho” a seu pai e ainda chamou o público para cantar junto os versos “Pai, sou seu fã/Amo você”. E para encerrar a noite com chave de ouro, pai e filho emendaram sambas-enredo, como “Explode Coração”, do Salgueiro, “É Hoje!”, da União da Ilha, e terminaram o show com “Aquarela Brasileira”, da Império Serrano. Todos sambas clássicos como os sambas de Arlindo Cruz.

Sobre a oportunidade de compor e cantar ao lado de seu filho, Arlindo é só alegria. “Compor com ele é uma realização para mim!”, o pai declara. “Eu fico bem mais tranquilo de saber que ele não está na rua e está ao meu lado”. Arlindinho corrobora com a sentimento de Arlindo, e ainda acrescenta que o pai é um mestre, demonstrando que é, sim, fã dele. “Tocar com ele é uma aprendizagem incrível! Ele é um mestre, o melhor compositor para mim. Aprendo muito com ele. E, ele, comigo um pouquinho, né?”, Arlindinho afirma, mostrando que o samba passou de pai para filho.


Daniel Deroza– 4º período

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