Criador do personagem Zé Ninguém recebe alunos para oficina de grafite
A oficina de grafite realizada no dia 23 de setembro, última sexta, na entrada do Posto de Saúde João Barros Barreto, ao lado da saída do metrô da Siqueira Campos, recebeu 33 alunos da Escola Municipal Pedro Ernesto. Os estudantes, que tinham entre 9 e 14 anos, puderam criar as próprias obras. Cada um recebeu uma tela com proporções de 15×15 cm e usaram para pita-la uma técnica chamada de tinta spray/estêncil o personagem Cão Viralata, do quadrinista Alberto Serrano, o Tito. O evento é, na verdade, um workshop oferecido aos alunos através da parceria do quadrinista com os professores da escola Beatriz Manso Dutra e Silva, de Artes Plásticas e Lázaro Carvalho, de leitura.

Tito nasceu nos EUA, mas mora no Rio há 14 anos. Ele é o criador do personagem “Zé Ninguém”, primeira história em quadrinhos do mundo criada nas ruas, que pode ser vista em mais de 150 muros, fachadas e viadutos da cidade. A trama é protagonizada por um ‘homenzinho’ laranja, com bigodes pretos, que usa short e chinelos. Zé Ninguém apareceu pela primeira vez em 2008, nos arredores da Rodoviária Novo Rio. Em sua procura por Ana, por quem Zé é apaixonado; mesmo perdido, sem memória e sem casa, começa a vagar por toda a cidade. Na jornada, faz amizade com um cãozinho, pede esmola, e recebe a ajuda dos garis da Comlurb. Construiu um foguete feito de lixo, viajou para Niterói e Londres e ainda teve que enfrentar o vilão Dr. Dor.
O antagonista é só mais um participante da obra lançada em 2015, que reúne todos os desenhos na ordem do roteiro que traçou para o personagem principal. O final, porém, foi deixado em aberto. A professora de Artes Plásticas, Beatriz Manso, se encantou pelo livro na primeira vista. “Eu fiquei impressionada com o trabalho do Tito e quis levar para dentro da sala de aula. Eu iniciei um exercício com os alunos usando os grafites do Zé Ninguém como uma oportunidade de analisar os elementos artísticos dessa história”.
O também professor, mas dessa vez de leitura, Lázaro Carvalho conta como surgiu a ideia do workshop. “Em 2013 a escola convidou uma artista francesa para grafitar nossos muros. Ela retornou em 2015 e eu conversei com ela sobre os trabalhos do Tito. Nos organizamos e o recebemos no colégio para fazer um dos quadrinhos no muro. E depois, em conversa com o Tito, organizamos o evento”.
Dessa parceria será produzida uma história, com um personagem novo e Tito ficará encarregado de ilustrar a narrativa na área interna do colégio. Em uma conversa com os estudantes presentes, foi possível perceber a expectativa com o primeiro contato com a produção do grafite. Os alunos do 5º ano Mayara Amaral, 12; Mirella Santos, 10; Nicoly Ribas, 11 e Matheus Barros, 11, falaram suas impressões sobre a oficina. Mayara revelou que foi a primeira vez que teve contato com esse estilo de arte. “Já fui convidada outras vezes, mas não participava por medo de errar, mas como estamos todos juntos hoje, sei que se eu errar, não tem problema, até porque o pessoal também não sabe direito como fazer, assim como eu”, revela a estudante.
Por outro lado, Mirella estava bastante animada. “Eu estou achando muito legal porque nunca tinha feito um grafite. Fazer a minha própria tela foi ótimo”. Matheus no entanto analisou a chance de ter contato com uma dinâmica diferente de aprendizado. “Eu gostei porque é diferente de tudo que fazemos na escola. Ainda mais porque a gente pode fazer nossa própria arte. Foi um dia diferente para todos nós”. E por fim, Nicoly avalia: “Gosto mais de pintura, que grafite. Geralmente escolho pintar flores e árvores”.

Ao ser perguntado sobre a importância de levar a arte para dentro das instituições de ensino, Tito revela: “Mesmo fora das escolas, procuro fazer do meu trabalho um instrumento educativo. Quero fazer as pessoas lerem e ensinar como se lê um quadrinho. Levar para dentro das escolas é importante porque assim os alunos têm contato com o material do meu livro. Na minha infância, no Bronx, em Nova York, o grafite era considerado criminoso. Não era glamurizado assim. Mas eu não me interessava por grafite na minha infância, apenas por desenhar quadrinhos. Porém, quando vim para o Brasil, percebi que a minha arte era uma forma de me conectar com as pessoas. Atualmente é encarado como uma carreira. Hoje me considero um escritor de rua”, finaliza o autor.
Laís De Martin- 8º Período

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