Mitologia brasileira para jovens adultos

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Capa do livro Entre o Sol e a Lua

Na noite do último sábado (03) a Livraria Cultura do Fashion Mall, em São Conrado, recebeu o lançamento do livro “Entre o Sol e a Lua”, de Ana Ferrarezzi, que aproveitou para conversar com os presentes e contar mais detalhes sobre o novo trabalho e o processo de criação da obra. O evento começou às cinco da tarde; a mesa para a autora com os exemplares e pôsteres do romance foi colocada próxima à entrada da livraria, ao lado dos sofás e poltronas onde os convidados de Ferrarezzi se acomodaram para assistir o acontecimento.

Até mesmo os transeuntes do shopping da zona sul carioca, que não estavam cientes da noite de lançamento do livro, se interessaram em adentrar a livraria para saber mais sobre o trabalho da escritora – muitos a abordavam para fazer perguntas acerca do romance, dar felicitações e desejar sucesso à Ferrarezzi.

“Entre o Sol e a Lua” é composto de quinhentas e vinte páginas e é o primeiro volume de uma série de quatro obras e utiliza-se de elementos e entidades do folclore nacional e da cultura indígena para contar um romance de fantasia cujo foco são jovens e adultos – técnica já muito habitual na literatura estrangeira, vide a repercussão de obras como “Crepúsculo”, “Percy Jackson” e até mesmo as mais clássicas, como “Senhor dos Anéis” e “As Crônicas de Nárnia”.

O romance conta a história de Joana, que é a reencarnação de Jaci, a entidade da Lua, e Cauã, reencarnação de Guaraci, a entidade do Sol. No entanto, a personagem feminina a não tem consciência de quem é, diferente do homem, que, então, tem que fazer com que a amada se recorde de sua verdadeira identidade para que o mundo permaneça em equilíbrio.

Também estão presentes personagens conhecidos do folclore brasileiro, porém, com um visual mais contemporâneo – por exemplo, o melhor amigo da protagonista é o Saci, que, nesta roupagem moderna, utiliza uma prótese devido o problema congênito na perna; a Cuca surge como uma grande feiticeira e empresária que negocia poções. Ou seja, “Entre o Sol e a Lua” é um romance que faz uma releitura moderna da cultura tupiniquim.

Sobre o surgimento da ideia do livro, Ferrarezzi conta que teve influência no interesse pela cultura local. “Eu sempre gostei muito de ler sobre lendas, sobre o nosso folclore. Só que eu percebi que tinha muito mais a oferecer nos livros infantis do que em livros de romance. E foi assim que surgiu a ideia: criar um romance adulto, jovem, com as entidades folclóricas”, declara a escritora.

A respeito dos caminhos que a história percorre, a autora já declarou qual será o tom do segundo livro, “Tudo Por Amor”, que será lançado em 2017. “Traz um conto de fadas brasileiro. Então, ele vai costurando de uma forma jovem, adulta, o que a gente está cansada de ver em contos infantis”, adianta Ferrarezzi.

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Ana Ferrarezzi durante evento de lançamento.

A escritora também destaca que o leitor não se sentirá confuso ou entediado por causa do tema da narrativa. Segundo ela, “o livro é muito rico. As pessoas não sentem que estão lendo sobre folclore brasileiro, elas estão lendo romance. E a narrativa é muito simples, é muito fácil de se ler, então não é um livro que cansa e não fica confuso”. Ferrarezzi também contou que o público pode facilmente se identificar com a história por ela se passar em diversas locações, como São Paulo, Estados Unidos, Bahia, Grécia. “Parece muito complexo, mas não é. É livro para se ler em um final de semana”, completa a autora.

Ana também vê o livro como uma oportunidade de aproximar mais os leitores da literatura e da cultura nacional, haja visto que o gênero fantasia faz muito sucesso Brasil afora. Por isso, a escritora optou por também utilizar personagens pouco conhecidos do grande público, como os Sete Monstros Lendários das lendas indígenas. “Os índios não entendem o mal absoluto”, ela explica e completa falando que “nada é absoluto nas lendas indígenas. E as pessoas vão entender isso nesse livro. Vai chegar um ponto em que eles vão falar ‘Quem é o vilão?’”.

Ferrarezzi espera que o livro seja uma inspiração para as pessoas se interessarem mais pela cultura brasileira. “Ela está ficando em segundo plano”, afirma, pesarosa. “Não certo a gente perder a nossa cultura, que é tão rica. A cultura brasileira não nasceu com Monteiro Lobato. Ela vem de muito antes, vem dos indígenas. Então, por que não explorar mais essa cultura que é tão fantástica, como Monteiro Lobato fez? ”, finaliza a autora.


Daniel Deroza- 4º período

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