Zeca Baleiro lança novo CD na Fundição

Na noite do dia 18, a Fundição Progresso recebeu um evento muito especial: o lançamento do CD “Era Domingo”, do cantor e compositor Zeca Baleiro. No último sábado, então, foi realizado a sexta apresentação da nova turnê, a qual leva o nome do álbum, e já passou por cinco cidades do Nordeste. Além disso, o show de abertura ficou a cargo de Cícero, querido pelos jovens indie por seu estilo alternativo.

Por volta das 21:30 uma extensa fila já se formava à porta da Fundição e o público era bastante diversificado – desde grupos de adolescentes à idosos, passando por casais de meia-idade. Quando a entrada foi liberada, às 22:40, a maioria já se dirigiu para a pista a fim de garantir um bom lugar perto do palco.

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A apresentação de Cícero, marcada para 23:30, começou poucos minutos antes da meia noite, porém o público não se importou com o atraso e começou a vibrar assim que os músicos subiram ao palco, iniciando o concerto com a canção “O Bobo”, uma das mais famosas do cantor.

Já pela metade do show, Cícero explicou o por quê de não estarem interagindo muito com a plateia. “A gente está falando pouco para tocar mais músicas porque o nosso tempo é curto”, ele disse, deixando muitas pessoas da audiência “derretidas” com seu jeito calmo e meio tímido.

Antes de tocar a música “Terminal Alvorada” – a última da apresentação –, Cícero aproveitou para agradecer a recepção dos espectadores, até dos que não conheciam seu trabalho. “Muito obrigado ao pessoal aqui da frente que curtiu o show. E a galera que está lá atrás, que não conhecia, espero que tenham curtido e… Boa noite”.

Enquanto o staff desmontava os equipamentos da banda de abertura – o (elaborado) cenário do show de Zeca Baleiro já estava montado atrás das cortinas –, o grande público se aproximou mais do palco para poder acompanhar de perto a apresentação principal da noite.

Por volta de 01:30 da manhã, Zeca e sua banda subiram ao palco, sendo ovacionados pela plateia. Entre as faixas do novo CD, outros sucessos como “Proibida Pra Mim” e “Telegrama” foram tocados, para a alegria do público. E mesmo que “Era Domingo” tenha sido lançado recentemente, é claro que o público já sabia as letras de cor e cantou junto. Zeca se mostrou empolgado para a apresentação. “Espero que o público se divirta”, ele disse.

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Baleiro aproveitou a boa reação do público carioca à nova turnê e apresentou uma música que não está no CD: “Forró de Ilusão”, a qual mostra uma conversa entre um homem e sua amada e possui um trecho que fez os espectadores rirem alto: “Você prefere o Safadão e eu mais pra safadinho/Você não perde o Domingão e eu sou mais o Dominguinhos”.

Outro ponto de destaque foi a inclusão de releituras de canções de David Bowie, morto em janeiro deste ano, no repertório do novo álbum. Quando os primeiros versos de “The Man Who Sold The Word” foram pronunciados, a pista da Fundição veio abaixo. E Zeca falou um pouco sobre isso em uma breve entrevista à Agência UVA antes do show, na qual também discorreu sobre a recepção do público ao recém-lançado trabalho.

“Muito boa e calorosa [a recepção]”. Sobre a reação dos fãs, o cantor diz que “tem sido muito bacana. Fizemos cinco capitais nordestinas, fazemos a Fundição no sábado, depois, seguimos para Belo Horizonte, Sul e São Paulo”.

A respeito do novo CD, o cantor afirma que não tem uma inspiração específica. “Gosto de compor sobre tudo – relações humanas, paixões, prazer e dor”, ele diz. Quando perguntado se a inclusão de novas versões de músicas de David Bowie era algo que ele já tinha em mente ou se era uma homenagem, Zeca declara que “é uma homenagem; ouvi muito as músicas dele em uma época da minha vida”.

Protestos durante o show

Ao longo da noite, muitos dos presentes aproveitaram as pausas dos shows para iniciarem uma onda de “Fora Temer!” na pista. A maior parte dos protestantes eram jovens, porém, logo espectadores de várias faixas etárias se juntaram ao coro.

Durante o concerto de Cícero, os protestos não foram muito audíveis, apenas grupos isolados de adolescentes que encontraram uma brecha para expressarem sua opinião, no entanto, no show principal, o movimento ganhou força.

Quando uma nova leva da frase que tem sido ouvida com bastante frequência nos últimos tempos voltou a ser ouvida durante a apresentação se Zeca Baleiro, o cantor não se incomodou com o “levante” e expôs seu ponto de vista.

“Os discursos estão muito extremados na vida como um todo e a política é um reflexo disso”, ele declarou. “Uma nova Revolução Francesa vai ter que acontecer e cabeças vão para a guilhotina”.

Além disso, Zeca coordenou uma breve sessão de controle de respiração com fundo musical para arrefecer os ânimos na plateia, afirmando que a música é capaz de acalmar e elevar o espírito das pessoas.


Daniel Deroza – 3º período

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