A nova onda Holywoodiana

068136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxÉ uma pena vivenciar essa nova tendência que paira pelos ares da indústria cinematográfica americana. É verdade que o sonho de qualquer pessoa que cresceu lendo quadrinhos está sendo realizado nessa geração, mas o fascínio por vender mais e mais ingressos mancha a história de grandes franquias de heróis. Em “X-Men: Apocalipse” não é diferente. Uma saga com um potencial belíssimo, nas mãos de homens que só estão interessados em números no fim do mês.

Logo nas primeiras cenas já fica claro que boa parte do orçamento da obra foi investida no casting da atriz Jennifer Laurence e em propagandas para a divulgação do longa. Isto se dá pela notável falta de investimento na computação gráfica. Os designs pobres e baratos, parecendo que foram feitos para um filme de mais de 5 anos atrás, não chegando nem aos pés de Avatar. E isto se dá por todo desenrolar do trabalho dirigido por Brian Singer. Erros em pontos importantes como esse acabam influenciando negativamente na fotografia. A sonoplastia presente na peça cinematográfica também não agrada e não consegue imergir o espectador na cena.

Contextualizando, Apocalipse (Oscar Isaac) é o primeiro, e mais forte, mutante do universo X-Men. En Sabah Nur, nome original do vilão, governava o Egito cerca de 3000 anos antes de Cristo, mas depois de ser traído por seus próprios seguidores, ficou aprisionado em escombros do que antes era sua pirâmide, adormecido em quanto esperava a ressurreição. Quando isso finalmente acontece, nos anos 80, o personagem vê toda maldade que se perpetuou entre os humanos e decide que irá dizimar essa raça para recomeçar a povoar o mundo.

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Tempestade (Alexandra Shipp), Apocalipse (Oscar Isaac) e Psylocke (Olivia Munn).

Em uma época onde países se atacam covardemente para disputar poços de petróleo, a motivação do vilão serve de crítica a esse movimento. Repleto de alfinetadas ao capitalismo, o roteiro de “X-Men: Apocalipse” acerta ao levantar esse estímulo, mas peca grotescamente ao encher a história de personagens secundários e não explicar a fundo o real motivo de eles estarem ali. É verdade que essa exigência – muito provavelmente – foi imposta pelos produtores executivos do filme, mas não podem passar em branco em uma análise.

Falando em imposições Hollywoodianas, o papel de Jennifer Laurence – interpretando a mística – merece um parágrafo destacado. Não pela atuação, que agrada, mas não surpreende. Mas sim pela insistência em manter a mutante em forma de humana, só para que o rosto da atriz apareça mais durante o desenrolar do longa. Muitas cenas, inclusive, não precisavam existir, mas permanecem no filme, pois contam com a presença da estrela.

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Mística (Jennirfer Laurence) e Mercúrio (Evan Peters).

Cenas estas que não foram às únicas que mereciam ser cortadas. O longa possui cerca de 2h30min de duração. Parte do público, com o mínimo de exigência, se sentirá incomodado pelas repetitivas cenas de ação, compostas por efeitos especiais genéricos e coreografias de lutas de filmes da década de 90.

De fato o filme se estende mais do que deveria, mas dois personagens em especial conseguem reascender a animação dos espectadores nos momentos em que a história diminui para a segunda marcha. São estes: o Demônio Azul, apelido dado à Noturno (Kodi Smit-McPhee); e o já aclamado pelo público, devido as memoráveis cenas no filme anterior, Mercúrio (Evan Peters), que é sem dúvida o melhor alívio cômico do universo Marvel.

James McAvoy, no papel de Professor Xavier, e Michael Fassbender, interpretando Magneto, mais uma vez mostram que a aposta do antigo diretor Matthew Vaughn – em “X-Men: Primeira Classe” – valeu muito, mas muito a pena. Os atores conseguem, mesmo com roteiros batidos, envolver o público e fazer com que cada um sinta a emoção que estariam sentindo se estivessem na mesma situação. Oscar Isaac não agradou a maioria dos fãs. A verdade é que a atuação em si não foi ruim e sim a péssima maquiagem escolhida para dar forma ao vilão, que vem sendo criticada desde a divulgação, e a mixagem um tanto quanto esquisita feita em sua voz.

Sophie Turner, vulgo Sansa Stark de Game of Thrones, cai bem no promissor papel de Jean Grey, assim como Tye Sheridan interpretando Scott Summers, o famoso ciclope. Uma pena que a Tempestade (Alexandra Shipp) e a Psylocke (Olivia Munn) não tiveram muito espaço para desenvolver suas atuações. Tão apagado quanto a função dele no filme, Ben Hardy não convence como Anjo.

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Jean Grey (Sophie Turner) e Ciclope (Scott Summers).

As cenas de ação até empolgam em alguns momentos, mas devido aos consecutivos erros, “X-Men: Apocalipse” não é o tipo de filme que merece ser visto duas vezes no cinema. Talvez se os produtores tivessem escalado outra atriz para fazer a mística, sobrasse dinheiro para investir na computação gráfica. O longa vale um ingresso. Dois não.


Iago Moreira- 5º Período

Um comentário sobre “A nova onda Holywoodiana

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