Quebrando paradigmas

Homem x Deus. Preto x azul. Dia x noite. Esses são os embates ideológicos propostos pelos criadores de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”. Os pontos são, de fato, explorados na trama, mas o desenrolar do roteiro e o exagero da direção acabam interferindo um pouco na experiência de assistir um bom filme, mas isso em nada estraga a sensação de ver os dois maiores heróis da história travando uma luta épica.

A nova obra é uma continuação de “Man of Steel” (2013), mas quem rouba a cena, durante a maior parte da trama, é o Batman (Ben Affleck). O enredo explora os traumas vivenciados pelo herói morcego durante a infância e o impacto dessas ações em sua vida adulta. Basicamente, o Super-Homem é um coadjuvante em seu próprio filme. No desenrolar do longa, a história deixa claro o ponto que une os dois. Fato não mostrado no trailer.

Falando em trailer, é uma pena que “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” tenha seguido a mesma tendência dos novos blockbuster americanos. Mostrando spoilers das principais cenas do filme nos vídeos de divulgação. A aparição do vilão, Apocalipse, e da heroína, Mulher Maravilha (Gal Gadot), seriam muito mais impactantes se já não tivessem sido reveladas. Esse movimento hollywoodiano só é bom para as produtoras, que estão interessadas nos números e não na arte.

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[Imagem: divulgação]

Contextualizando, a trama se passa 18 meses após a primeira grande batalha de Metrópolis, travada contra General Zod. A população se encontra dividida entre as ações do Superman. Uma parte é a favor dos atos do herói e outra o culpa pela matança de milhares de pessoas. Batman faz parte deste segundo grupo e, inicialmente, faz de tudo para matar o kryptoniano. Lex Luthor (Jesse Eisenberg), por sua vez, deseja destruir os dois personagens. O enredo é o mesmo da história clássica, presente nos quadrinhos.

Mas nem tudo são flores nesse jardim, alguns pontos incomodam a fluidez do filme. Começando pela montagem das cenas e pelo roteiro. Com cerca de 150 minutos de projeção, o longa é confuso e corrido. Esses defeitos são causados devido a necessidade de contar a história dos dois personagens principais, fazer a com os secundários e citar, bem rapidamente, os outros integrantes da Liga da Justiça (Flash, Aquaman e Cyborg), uma vez que a produtora já anunciou que fará um filme sobre o grupo.

Depois das incontáveis críticas feitas sobre “Man of Steel”, devido as milhares de mortes presentes na trama (destruction porn), a nova história continua apresentando destruições em massa no meio de uma grande cidade. Todavia justifica, erradamente, que os pontos afetados não são povoados.

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[Imagem: divulgação]

Outro fator que não agrada é o exagero que o diretor Zack Snyder apresentou nesse longa. As partes de ação são rápidas e cheias de explosões, isso faz com que o espectador não consiga entender o que, exatamente, está acontecendo. O uso excessivo de CG (computação gráfica) também incomoda. Na tentativa de criar batalhar épicas o diretor perde o timing e faz cenas que mais parecem cutscenes de videogames.

Dentre todos os problemas da obra, o que mais perturba é a física completamente irreal presente nas cenas de luta (principalmente naquelas que o Batman está usando armadura). É verdade que em um filme de herói a “mentirinha” é aceitável, mas os movimentos feitos por Bruce Wanne, enquanto homem morcego, não convencem. O personagem de Ben Affleck ainda aparece em cenas próximas com roupas completamente diferentes, em um tempo curtíssimo. Isso mostra a falta de atenção na montagem dos takes.

Voltando a falar dos pontos positivos, as atuações agradam. Cavil, mais uma vez, consegue passar a imagem do Superman dos quadrinhos. Sereno, forte e justo. Calando a boca de muitos críticos, Ben Affleck interpreta um Batman bem diferente do eternizado por Christian Bale e, ainda assim, muito bom. Todavia seu fiel mordomo – Alfred (Jeremy Irons) – não convence, ainda mais tendo a difícil missão de substituir o premiadíssimo Michael Cane.

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[Imagem: divulgação]

Mas a maior surpresa fica mesmo com os personagens secundários. Esguia e sensual, a mulher maravilha de Gal Gadot impressiona durante as cenas de ação, mostrando toda força das amazonas. O maior destaque fica para Jesse. O ator americano interpretou um Lex Luthor nunca antes visto nas telonas. Completamente louco, o vilão mais parece uma versão milionária do coringa. A única menção dessa leitura de Lex foi em um quadrinho lançado há 50 anos. Isso prova que desconstruir uma imagem emblemática, e caricata, de um personagem clássico que não faz muito sucesso pode reascender a paixão do público pela história.

Diferentemente dos longas da MARVEL, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é um filme sombrio e denso, nada indicado para o público infantil. Um embate entre a justiça dos homens e o culto a um extraterrestre. Uma simulação – e quem sabe até um debate – sobre a ação dos humanos frente a um poder divino. Um filme reflexivo e muito bom, porém, acaba pecando no exagero.


Iago Moreira- 5º Período

2 comentários sobre “Quebrando paradigmas

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