O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, através do Edital de Fomento à cultura carioca, apresenta, até 16 de Agosto, a exposição “Marginália 1”. A mostra conta com cerca de 70 obras, dentre capas de discos, publicações e cartazes; incluindo trabalhos inéditos e pessoais, como notas, esboços, rabiscos, fotos, vídeos, estudos, poemas e pedras. Um convite para mergulhar no universo de Rogério Duarte, músico, compositor , poeta e artista gráfico.
Os visitantes podem apreciar a obra de terça a sexta, das 12h às 18h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h. O ingresso custa R$14,00; para estudantes maiores de 12 anos e maiores de 60 anos custa R$7,00; e para os Amigos do MAM e crianças a entrada é gratuita.
Rogério Duarte foi militante de esquerda na década de 60, sendo um dos primeiros a serem presos e a denunciar a tortura no regime militar. Além disso, foi mentor do tropicalismo, movimento que buscava transgredir as regras vigentes, tanto nos aspectos sócio-políticos, quanto nas dimensões da cultura e do comportamento. Sob a influência do movimento, Rogério apresenta em seu trabalho uma inovação estética e o sincretismo de estilos.
A obra de Rogério Duarte esteve em uma exposição em Frankfurt, na Alemanha, e outra na III Bienal da Bahia. “Marginália 1” é a síntese dessas duas mostras. A exposição apresenta capas de discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto e Gal Costa, todos produzidos por Duarte. A capa do disco “Qualquer Coisa” de Caetano rompeu com o padrão da época, por ter apresentado quatro fotos justapostas, cada qual com uma tonalidade em evidência.
O artista gráfico também produziu alguns cartazes para o cinema novo, como “A opinião pública”, “Cidade grande” e “Deus e o diabo na terra do sol”, este foi o trabalho mais valorizado de Rogério Duarte, por conta da linguagem usada. Ele inovou a textura e o estilo da tipografia clássica. Um exemplo disso é a sobreposição da cor magenta com o amarela, proposta pelo artista, para obter um tom de vermelho mais forte do que o padrão. Essa flexibilidade em relação ao seu trabalho se deve à liberdade dada a ele pelos seus companheiros que encomendavam capas de disco e cartazes.
Na exposição é evidente a influência estética do concretismo, que busca representar materialmente ideias abstratas. A escultura de alumínio “Musicúpula” é um exemplo disso. Ela é resultado dos estudos do artista sobre música e geometria espacial. Rogério relaciona cada nota musical com uma cor, ilustrando sua teoria com um desenho em um esboço com o formato poliédrico
“Rogério Duarte faz parte da minha formação intelectual. Acompanho o trabalho do Rogério desde a década de 60. Meu interesse pela obra dele começou através dos discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Gal Costa. Acho que as novas gerações devem conhecer o trabalho dele, como os cartazes do cinema novo e as capas de livro. E acima de tudo os jovens de hoje devem analisar a exposição levando em consideração todo um momento que o Brasil vivia na época da ditadura militar.” Disse a visitante Valéria, produtora cultural, enquanto analisava as obras do artista.
Por: Luiza Esteves e Natália Vieira

Olá! Em primeiro lugar gostaria de parabenizar pela matéria! Realmente muito interessante, principalmente pelo próprio tema em si, que altamente instigante… Como atualmente estou fazendo uma dissertação sobre Rogério Duarte gostaria de saber se haveria possibilidade de utilizar as fotos de vocês em meu trabalho, citando devidamente sua fonte…
desde já agradeço
um grande abraço
Victor Hugo
Muito obrigado pelos elogios Victor. Desculpa a demora, a opção de visualizar mensagens está com problemas, pode usar nossas fotos sim, é só creditar os repórteres e o veículo.
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