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Rio de Janeiro: cidade dos games

O ano é de 2021, o Brasil é uma das potências militares mundiais e o Rio de Janeiro é a sua capital. Mas com o poder vêm grandes responsabilidades e as tropas de “La Trinidad” ameaçam a segurança do país. Nesta situação, o governo brasileiro contrata os serviços de um esquadrão aéreo chamado H.A.W.X (High Altitude Warfare EXperimental Squadron – algo como esquadrão de guerra em altitude elevada, em tradução livre) e duas missões são dadas a estas pessoas: proteger o céu, a terra e o mar cariocas de ataques invasores e escoltar aviões até a selva amazônica. Durante esta missão, os pilotos sobrevoam por cenários como o Maracanã, Cristo Redentor, aeroporto do Galeão, a Lagoa Rodrigo de Freitas e passam entre as pilastras que sustentam a ponte Rio-Niterói.

Se ficou interessado em saber mais, continue lendo a matéria, porque há não só este jogo, mas vários outros que também têm a cidade do Rio de Janeiro como background. O jogo apresentado é o Tom Clancys HAWX (para PC, PS3 e Xbox 360). Toda a série deste game é baseada em guerras e serviços de espionagem, tais como os livros do escritor Tom Clancy. Só que, a partir desta edição, os jogos saíram da terra e foram para o ar. E nada melhor do que sobrevoar a mundialmente conhecida “Cidade Maravilhosa”.

As imagens realistas do jogo atraem a atenção de qualquer um. A razão de tanta qualidade é que foram gravadas do satélite Ikonos, da empresa GeoEye, que foi usado na captação da geografia do Rio de Janeiro como uma espécie de Google Earth. A cidade como cenário aparece em duas fases do jogo chamadas “Operation: Off Certification” and “Operation: Glass Hammer”.

Call of Duty: Modern Warfare 2

O Rio está dominado por traficantes. Você precisa enfrentá-los e eles estão em vantagem. Possuem mais armamento e conhecem a favela, com ruas apertadas e casas com muros finos, que de nada adiantam na proteção contra os tiros que não param de surgir por todos os lados. O objetivo é encontrar pistas que levem a Vladimir Makarov, ex-tenente do exército russo, que planejou um atentado terrorista em um aeroporto que matou vários civis. Na busca das pistas, é encontrado o contato de Makarov, Alejandro Rojas, o contrabandista de armas.

Esse é o jogo Call of Duty: Modern Warfare 2 (COD – MW2). Nele, os sons ininterruptos de tiros e os gráficos ambientam uma verdadeira guerra. A história é basicamente a continuação do título anterior, o Modern Warfare, soldados americanos contra terroristas russos. Neste caso, passaram-se cinco anos e o jogador pode escolher entre o grupo anti-terrorista Task Force 141, que tem a missão de eliminar o ultranacionalista Vladimir Makarov, e uma tropa de Rangers, com a tarefa de defender os Estados Unidos de uma invasão russa. Entre os cenários do jogo estão o Afeganistão, Rio de Janeiro, Sibéria e Washington D.C.

Além dos gráficos super realistas, os produtores do jogo fizeram questão de detalhar o “carioquismo” em diversos aspectos: quando um traficante é apanhado para interrogatório, a sua roupa é a típica bermuda, camiseta e chuteira, combinação só encontrada no Rio de Janeiro. Além disso, os personagens falam português e têm o sotaque e as gírias usadas na cidade. Os jogadores parecem apreciar a aproximação da realidade neste jogo. “É bem surreal jogar o Modern Warfare 2 sabendo que, por mais estranho que seja, a guerra que é representada no jogo, acontece mesmo. Alguns traficantes possuem uma bazuca e nós encontramos esse material no game, tal como aconteceu com policiais em 2011. Mas o que eu fiquei abismado mesmo foram as caixas de água ‘Fortlev’, que eles também usaram para ambientar a favela (risos)”, analisa Marcus Webber, professor de Educação Física e gamer.

Doutor em Computação Gráfica e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Esteban Cluas analisa essa exploração da violência na cidade do Rio como negativa. “Acho realmente ótimo que escolham cidades brasileiras para background de jogos. Mas quando a violência se torna o foco, isso afeta nossa imagem lá fora. No último Brasil Game Show, realizado no Rio em 2011, tive amigos que relutaram bastante em vir devido à violência que era temida. Acontece que o Rio não é só isso. Acima da violência, que tem visivelmente diminuído, nós temos cultura e belezas naturais a oferecer que não se encontram em nenhum outro lugar”.

Gangstar Rio: City of Saints

 Boom! Seu carro foi alvo de um atentado contra você e sua namorada morreu. Vingança é a solução. Antes do atentado seu nome era Raul e fazia parte da gangue chamada Assassinos. Como um dos membros mais valorizados do grupo, a sua saída não foi bem aceita. Logo após conhecer Ana, sua personalidade mudou, desejava uma vida mais calma com a mulher da sua vida. Mas isso é passado. Agora você está na cama de uma prostituta que conta que o acidente desfigurou seu rosto e que foi necessário diversas cirurgias para chegar ao resultado atual. Ao olhar-se no espelho o susto é inevitável. A face repleta de cicatrizes não existe mais. Você é um outro cara e seu nome agora é Angel. E a gangue Assassinos não conhece este homem.

A cidade é o Rio de Janeiro e enquanto Angel busca a vingança pela morte de Ana, ele passa por diversos pontos turísticos da cidade: beaches (praias da Zona Sul e Oeste), jungles (Floresta da Tijuca, Maracanã e Cristo Redentor), favelas (não especificado), housing projects (casas em processo de construção, o cenário simboliza a Zona Norte) e industrial (também na Zona Norte). E ainda, há o Centro da cidade chamado de business e as ilhas ao redor da cidade, chamadas de islands. No game o jogador percorre estes seis “distritos” ao estilo do, já conhecido, Gran Theft Auto (GTA) onde é preciso comprar roupas, armamento e dirigir sem lei pela cidade.

Gangstar Rio: City of Saints é o segundo game da série Gangstar. Ele foi produzido pela Gameloft, distribuído pela App Store e roda nos sistemas operacionais Android e iOS (Ipad, Ipod touch e Iphone) além do Java para outros dispositivos.

Como é possível observar, a violência sempre ganha destaque quando relacionada com o Rio. Uma forma de combater esta tendência é investir na área, pensamento este que já rende frutos para os cariocas que já convivem com diversas escolas de computação gráfica, enquanto o mercado observa a procura cada vez maior de cursos em graduação nesta área. O professor Esteban Cluas tem acompanhado o mercado e confia que o Rio a partir deste “boom” de investimento em games ganhará cada vez mais destaque nos cenários dos jogos: “O gamer brasileiro deixou de ser passivo e começou a se interessar cada vez mais em produzir jogos. Em Recife por exemplo, temos um grande pólo de produção de games, e com isso, é provável que as cidades brasileiras sejam incluídas nos cenários. Como nos Estados Unidos em que Miami é bastante utilizada, aqui será o Rio de Janeiro.”

Enquanto esse dia não chega, os gamers brasileiros e os designers gráficos continuam usando como inspiração esta cidade que é abençoada por Deus, bonita por natureza e com cenários prontos para muita ação e aventura.

Júlia Medici – Jornalismo Digital – 7º período

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