Novos caminhos da publicação literária

Como publicar um livro? De que maneira adentrar o seleto e concorrido mercado editorial, lugar onde muitos aspirantes a escritores querem estar? Estas perguntas gravitam em torno da cabeça de muitas pessoas que desejam ter suas obras ligadas ao nome de grandes editoras e, consequentemente, poder viver daquilo que gosta de fazer. Para muitos, este processo parece bem simples, mas quem se arrisca, sabe que não é bem assim que funciona.

Escritores que querem ver seus feitos nas prateleiras utilizando o modo tradicional têm de primeiro, enviar cartas de apresentação acompanhadas de seus manuscritos às editoras e esperar por uma resposta por meses, às vezes até por anos, isso se o retorno acontecer – o trabalho de agentes literários que farão o intermédio entre autor e publicadora não é tão comum no Brasil como na América do Norte, por exemplo, mas é uma possibilidade.

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Livro “A rainha do coração congelado” de Rebeca Melo

E, mesmo assim, após um original ser aceito, existem mais uma série de reuniões antes de o processo editorial propriamente dito começar. Em outras palavras: não se publica um livro da noite para o dia – principalmente se o autor for um desconhecido. No entanto, nós últimos anos, em especial com o avanço das mídias sociais, talentos anônimos têm aderido a um caminho que torna o sonho da publicação literária mais tangível: o lançamento independente.

Com o advento de plataformas virtuais como o site Amazon e o aplicativo Wattpad toda a tensão que envolve os autores durante o período de análise de um manuscrito pode ser aliviada, entretanto, por não haver uma editora por trás da publicação, o trabalho do escritor aumenta, afinal, ele terá que realizar todas as tarefas as quais uma empresa e seus muitos setores fariam.

Estas tarefas a serem cumpridas envolvem: revisão de texto, diagramação, design de capa e contracapa e divulgação. Ou seja, é uma grande quantidade de trabalho, porém, é este caminho que muitos escritores estão tomando. E isso não se deve somente à demora e à incerteza do método tradicional – no Wattpad, a maioria dos usuários são jovens, os quais não têm muita noção de como funciona este mercado e encontraram no app um meio de apresentar seu trabalho ao público, tendo o reconhecimento como recompensa – e, quem sabe, um retorno financeiro.

E é neste ponto que surge a primeira diferença entre a plataforma e o Amazon: neste último, os autores têm a opção de escolher se querem receber por livro vendido – a simplório quantia de um real por livro, mas, como diz o ditado, “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Além disso, somente o fato de o livro estar publicado já aumenta a visibilidade da obra, aumentando as chances de uma editora se interessar. A publicação independente não anula a possibilidade de uma tradicional. E no Brasil temos exemplos disso.

Caso de Sucesso

Em terras brasileiras, um número considerável de escritores tem alcançado o sucesso no Wattpad. Um exemplo é Rebeca Soares Melo, de 22 anos. A jovem, nascida em Brasília, criada em Guiné-Bissau e atual moradora de João Pessoa, possui mais de trinta e nove mil seguidores na plataforma e seu livro “As Lendas de Saas” foi eleito um dos melhores do aplicativo. Além dos romances, também publicou o guia “Como Ser Popular no Wattpad”, o primeiro manual do gênero em língua portuguesa. Rebeca concedeu uma entrevista à Agência UVA para falar mais sobre o seu trabalho.

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Escritora Rebeca Melo

AGÊNCIA UVA: Você sempre quis ser uma escritora, ou isso foi algo que aconteceu naturalmente, devido a sua aptidão para a escrita?

Rebeca Melo: Não, na verdade eu nunca quis ser escritora, descobri que gostava de contar histórias por acaso, quando tinha 13 anos. Entretanto, sempre considerei a escrita como uma diversão, jamais imaginei que eu talvez tivesse alguma aptidão ou talento…. Até que, em 2012, eu finalmente percebi o quanto amava escrever e que, se me esforçasse o suficiente, poderia sim ser escritora. Então na verdade esse sonho é bem recente.

AS_LENDAS_DE_SAAS_1454171121514583SK1454171121BAU: O seu livro, “As Lendas de Saas”, foi eleito um dos melhores do Wattpad. Como você se sentiu ao saber disso? E como surgiu a ideia de escrevê-lo?

RM: Eu me senti muito feliz, porque foi algo totalmente inesperado! A ideia de escrever ALDS surgiu enquanto eu tentava dormir…. Veio-me uma cena na cabeça: um nômade no topo de uma colina, segurando um cajado, observando uma aldeia ao longe, que brilhava como vagalumes. Naquele momento eu sabia que estava nascendo uma história épica. O mais engraçado é que essa é uma cena do capítulo 5, e que esse nômade nem é o personagem principal.

AU: Você tem um grande número de seguidores no Wattpad, tornando-se uma das escritoras mais populares da plataforma aqui no Brasil. Como você chegou a este patamar?

RM: A Bíblia fala que Deus faz mais do que pedimos ou pensamos. Para mim, foi exatamente isso que aconteceu. Eu comecei a postar no Wattpad sonhando em conquistar milhares de leitores – e também futuras publicações. Investi tempo e muita criatividade nas divulgações, colhendo visualizações e reconhecimento. Foi incrível!

AU: Você lançou o guia “Como ser popular no Wattpad”, que dá dicas para outros escritores consigam aproveitar melhor para a plataforma, tal qual você fez. Como surgiu a ideia de escrevê-lo?

RM: Quando percebi minha própria dificuldade de entender o Wattpad e de conquistar um público (afinal todo começo é difícil), descobri que existiam guias de ajuda em inglês. Li alguns deles, que me ajudaram muito! Então, notei outra carência: não havia guias em português. Por isso decidi fazer o meu próprio guia de ajuda. Dois anos depois, eu o reeditei, acrescentando coisas que tinha aprendido naquele período.

AU: As dicas descritas no Guia são detalhes que você foi reparando ao longo da sua trajetória ou são conhecimentos que você já tinha e decidiu escrever sobre eles?

RM: Não, foram coisas que eu aprendi e observei conforme utilizava o site. Daí a reedição de 2016 (a primeira edição foi em 2014).

AU: Quais são os seus projetos para o futuro?

RM: Estou escrevendo um livro baseado em Peter Pan, chamado Do Outro Lado da Lua. Pretendo publicá-lo, porém, não tenho pressa. Estou planejando como farei essa proeza, afinal existem várias opções de publicação e eu preciso descobrir qual é a melhor – e possível – para mim. Sei que a escolha certa poderá me colocar como um nome no mercado.

AU: E, para finalizar, você pode dar mais uma dica para os aspirantes a escritores?

RM: Claro! A dica que eu dou é: o seu trabalho não é só escrever e, quanto mais cedo você perceber isso, melhor para a sua carreira. O autor iniciante precisa provar para a editora que ele não é um investimento de alto risco. E a melhor maneira de fazer isso é fidelizando um público. Seja no Wattpad, YouTube ou Amazon…. Conquiste um público. No Brasil isso pode ser a diferença entre receber o “sim” ou o “não” de um editor.

Para manter seus seguidores atualizados sobre seu trabalho, Rebeca mantém uma página no Facebook e um site pessoal (www.rebecamelo.com), além de seu perfil no Wattpad.


Daniel Deroza – 3º período

Universidade é palco de debate entre escritores

Escritora Raquel, Prof. Marilene e Escritor Enrique

Escritora Raquel, Prof. Marilene e Escritor Enrique

A manhã da última segunda (25) foi animada para os alunos da Universidade Veiga de Almeida, Tijuca, que são amantes da literatura. O motivo foi o lançamento de dois livros do movimento FLUPP (Festa Literária das Periferias). O evento, que ocorreu na Capela, trouxe um breve debate entre Raquel de Oliveira, autora de “A Número 1”, Enrique Coimbra, youtuber e autor de “Sobre Garotos que Beijam Garotos” e a professora de Letras e mediadora, Marilene.

A primeira edição da FLUPP aconteceu em 2012. O principal objetivo da festa é a “formação de novos escritores e leitores”, como disse um dos fundadores do projeto, Julio Ludemir, antes da mesa redonda. O lançamento dos livros foi apenas uma das várias partes do evento, que vai de visitas a escolas públicas do ensino médio e, eventualmente, do ensino fundamental, até gincanas literárias, em que estudantes, professores e familiares usam o palco da FLUPP Parque para trocar opiniões e informações sobre autores que os visitaram durante o período.

Com temas contemporâneos, os autores puderam falar um pouco sobre as inspirações literárias, os desafios de se tornar escritor no Brasil e de como foi a experiencia de escrever e vender uma história que ambos viveram. “É uma ficção, mas tem muito da vida real”, disse Enrique. Raquel, na obra, realizou a difícil tarefa de contar como ela própria se tornou uma das personagens centrais do tráfico de drogas da cidade do Rio de Janeiro. “Através da FLUPP e do Júlio, eu pude finalmente ter coragem de colocar as minhas palavras no papel e contar a minha história. Passei um ano e meio construindo esse livro junto da minha monografia”, completa a escritora.

Público durante evento

Público durante evento

Ainda segundo a autora, escrever a obra foi um grande desafio, ela completou comentando que a base para escrever histórias começou com poesias, para poder entender melhor o que ela sentia ao passar do dia. Explicou, também, que o uso de drogas tem apenas uma finalidade de “anestesiar as dores”. A escrita se tornou uma terapia para ela onde pode rever um pouco do seu passado e aprender com ele. “Eu escuto falar que meu livro é igual droga, você começa e só consegue parar no final”, completa Raquel.

Já Enrique aborda contos de como é ser um homossexual na sociedade e as dificuldades de se apaixonar por um heterossexual. “Pode parecer ser um livro pequeno. Talvez um conto longo ou vários contos. Mas ele foi feito para ser desse jeito. Por que ele foi publicado para ser um E-Book e um livro digital precisa ser menor e mais dinâmico”, finaliza o autor.

Durante a conversa, a professora Marilene disse que ficou extasiada com os livros e que pretende utilizá-los como material de estudo em suas aulas de literatura comparada. O evento mostrou que jovens e adultos brasileiros ainda tem interesse na literatura, seja como leitores ou como escritores. Com gincanas, debates entre autores, publicações de livros e descoberta de novos talentos, quem sai ganhando no final da FLUPP é a cidade, que herdará leitores críticos e autônomos.


Junno Sena- 4º Período

Uma palavra, vários sentidos

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 Sonhar é preciso. Escrever sobre sonhos também… A partir do vídeo de “Rapsody in Blue”, de Gershwin, do filme Fantasia 2000 (Estúdios Disney) os alunos produziram bastante

Fernanda Paschoal Xavier

Após uma enfadonha manhã atolada em trabalhos,resolvi caminhar, a fim de me distrair. Ao longo da caminhada, observo uma cena que me chama a atenção, parada em frente à padaria, que é um excelente ponto de informação. Não há nada que aconteça em um bairro que não se discuta na padaria. Inclusive a briga de casal que houve entre uma das comadres que se encontrava ali,fofocando. A briga se deu porque ela andava sonhando com aquele ator famoso, daquela novela, aquele com olhos azuis. O sonho não era o problema, na verdade não seria se ela não tivesse chamado pelo ator enquanto dormia ao lado do marido. A conversa das comadres seguia animada e só foi interrompida quando um senhor gordo e careca pediu ao atendente a promoção do sonho: pague dois e leve três. Enquanto isso, a TV da padaria, que permanecia ligada, mesmo que ninguém a ela assistisse, passava um documentário sobre a vida de Martin Luther King Jr e o seu eternizado discurso, no qual ele dizia que tinha um sonho. O sonho de uma América igual para todos.

Assistindo a toda essa cena, comecei a pensar sobre o que é o sonho. Busquei no dicionário e descobri que sonho é exatamente ao que assisti. Sonho é aquilo que se sonha, fantasia e ilusão.Sequência de fenômenos psíquicos, imagens, atos, ideias que involuntariamente ocorrem durante o sono. Desejo e aspiração, ou um bolinho leve, frito, feito com farinha, leite e ovos.

Por uma cultura que busca a tangente

logoSandra Machado

            Mudanças tecnológicas sozinhas não são determinantes em orientar novos caminhos para a imprensa. Prova disso é o 6º Colóquio Rumos Jornalismo Cultural – Convergências, promovido pelo Itaú Cultural em sua sede na Av. Paulista entre os dias 3 e 5 de dezembro que, a julgar pela prévia da primeira manhã do evento, indica uma preocupação essencial com atalhos que levem à periferia. Num debate entre 12 alunos e oito professores selecionados entre os mais diversos cursos de Comunicação Social do país e a veterana Lúcia Guimarães – hoje repórter do Saia Justa da GNT e colunista e colaboradora de O Estado de S. Paulo e da Rádio Eldorado – levantou-se a questão de que é preciso abrir espaço para as pautas que estão por aí a descoberto simplesmente porque não dispõem de um marketing estruturado.

            Nem sempre os artistas mais conhecidos são destaque no seu país de origem ou merecem toda a cobertura que recebem por aqui, uma vez que divulgação depende muito mais de contatos estratégicos do que de talento, lembrou Lúcia. Pautas parecidas também atrapalham a cobertura do cenário cultural nacional que é tão rico, mas tão pouco explorado. No entanto, nas reportagens que promoveram seu encontro com o Itaú Cultural, boa parte dos alunos tratou de temas periféricos, como o sotaque do caipira ou o folclore regional. “A censura corporativa é muito pior do que a da época da ditadura”, afirmou a palestrante, que considera uma perda para o público quando há uma opção editorial em promover o que é obscuro ou elitista.

            Algumas recomendações importantes, em especial para os estudantes de Jornalismo, surgiram desse primeiro encontro realizado no Salão Vermelho, na sede do Itaú Cultural:

– uma formação estética pobre pode ser compensada pela sensibilidade e pela humildade intelectual de saber fazer perguntas;

– é a leitura de livros, mais do que a de jornais, que ajuda a aprender a escrever;

– um bom editor embeleza o texto do repórter e pode ser seu melhor aliado;

– entrevista por e-mail só funciona se não envolver assunto polêmico, ou o repórter não poderá discutir no mesmo momento as afirmações do entrevistado;

– é preciso combater o conceito de “monstros sagrados” no jornalismo cultural: qualquer artista pode, sim, realizar também um trabalho ruim.

Sonhe, sim, mas abaixe o som!

 

Sonhar é preciso. Escrever sobre sonhos também… A partir do vídeo de “Rapsody in Blue”, de Gershwin, do filme Fantasia 2000 (Estúdios Disney) os alunos produziram bastante.

 

Fernanda Paschoal Xavier

 

                Desde que viu seu grande sonho ruir, ela andava triste e desesperançosa. A empresa pela qual ela tanto batalhou foi destruída pela grande crise. Nunca tinha visto minha vizinha assim. Tentei de tudo para ajudá-la: livros de auto-ajuda, novas religiões, tudo para que ela pudesse se reerguer, voltar a sonhar e tocar a vida pra frente.

                De nada adiantou, ela continuava triste, sem força ou ânimo para voltar a fazer planos. Até que a vizinha do 304, com seu jeito hippie e um tanto duvidoso, ofereceu a ela, como remédio, Bob Marley. Isso mesmo. Bob Marley, aquele cara do reggae. Disse a ela para ouvir, dançar e cantar e logo ela estaria pronta para sonhar de novo. Quem canta os males espanta, dizia a vizinha do 304.

                Entendo que, após algumas frustrações, as pessoas se apegam a qualquer coisa para continuar a ter esperanças, fazer planos e sonhar. Mas será que precisa de um incentivo que soe tão alto? De fato, “Get up, stand up” é o tipo de música que anima, faz você ter esperança. Minha vizinha levou ao pé da letra o conselho, ou melhor, elevou aos céus aquele som estridente. Ela está bem melhor, já faz planos. Eu é que não estou bem, estou um pouco surda. Não sou contra os incentivos para as pessoas se animarem, voltarem a sonhar. Sonhe, sim, mas abaixe o som!

 

 

Sonho de menino

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Sonhar é preciso. Escrever sobre sonhos também… A partir do vídeo de “Rapsody in Blue”, de Gershwin, do filme Fantasia 2000 (Estúdios Disney) os alunos produziram bastante.

 

 

 

Texto e Ilustração: Soraya Feghali

 

 

– Quando eu for eleito presidente do Brasil irei investir mais na educação porque no meu país não poderá haver mais crianças sem algum tipo de educação e que não saibam ler ou escrever! Irei investir em empresas brasileiras para fazer o emprego aumentar no meu país! Bom cidadão é aquele que trabalha! Irei aumentar os salários dos funcionários públicos e da polícia porque policiais felizes trabalham mais e ajudam o povo a se proteger das pessoas más!

 

Silêncio total…

 

– O bolsa-família garantirá mais comida e as famílias receberão mais ajuda financeiramente! Lugares abandonados irão virar parquinhos para as crianças, quadra de esportes e creches! Nas favelas irei por mais segurança. A população que não tem nada a ver com a vida dos traficantes, porque aqui nas favelas há pessoa de bem! Trabalhadores honestos! Irei fazer com que a comunidade seja respeitada!

 

……………………… – som de grilo no fundo

 

– Por isso, votem em mim! Irei fazer deste Brasil um país melhor para todos, para todos os brasileiros! Um país do futuro chegará se votarem em mim!

 

Uma janela se abre, uma mulher aparece nela.

 

– Ô menino!!!!!!!!!!!!!!!! Deixe de sonhar acordado e vem me ajudar aqui em casa!!!!!!!!!!!!!!!! “Vambora”!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

– “Tô” indo mãe!!!!!!!!!!!! – Um garoto magricela e de corpo fraco sai de cima de um caixote de feira e vai correndo para a casa, deixando lá “o sonho” feito de bonecos de panos apoiados nas pedras do chão de terra e, junto com eles, o sonho.

 

 

Sonho de guerra

                                                    

 

Alexandre Gibaldi

A terra era quente e escura. Onde antes estivera uma pequena floresta, agora havia somente umas poucas árvores desfolhadas. Dentro de um buraco toscamente escavado, entrevia-se um tronco humano. O homem vestia um uniforme verde imundo, e nele levava a insígnia do exército francês. Com seu fuzil apoiado no chão, o soldado permanecia imóvel.

Em meio ao incessante som dos tiros que cortavam o ar, aquele homem não se movia, estava com um olhar vago, como se sua mente estivesse ali. Poderia estar pensando em sua mulher, filhos, na vida que deixara para trás. Na vida que fora obrigado deixar para trás.

Ele não poderia fraquejar, ou sua família, seu país, poderiam se perder para sempre. Como sonhava com a paz. Como sonhava com um mundo sem extremismos. Sabia que, para isso acontecer, teria que lutar. Famílias se despedaçariam, cidades seriam destruídas, mas se continuassem a lutar, poderiam livrar a França do domínio do terceiro Reich.

Os primeiros blindados inimigos rompem as trincheiras à sua frente, muitos de seus companheiros caem diante do poder inimigo, mas o corajoso soldado não foge a luta. Seu fuzil começa a matraquear, os blindados avançam, mas ele não se move. Lutaria até o fim por sua família, por seus ideais; lutaria até o fim pela liberdade de sua pátria. 

 

SONHOS

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Sonhar é preciso. Escrever sobre sonhos também… A partir do vídeo de “Rapsody in Blue”, de Gershwin, do filme “Fantasia 2000” (Estúdios Disney) os alunos produziram bastante.

 

 

 

 

Ilustração e Texto de Soraya Feghali

 

Todas as pessoas possuem sonhos e esperam que estes se realizem. Cada um possui um, como ganhar na loteria, ter um carro, se casar e muitos outros, alguns até mesmo meio malucos.

 

Mas, com certeza, quem mais sonha são as crianças. Inocentes e pequenas criaturas que não sabem o valor da realidade. Pelo menos é o que se pensava.

 

Crianças cada vez menores passaram a sentir a realidade onde vivem e sonham com um lugar melhor, uma casa com cama, um prato de comida e outros sonhos que são tão banais para outros, mas importantes para elas.

 

Todo mundo tem um sonho: carros, dinheiro, família, paz… quem não quer realizar este último?

 

Enquanto a realidade não muda, só se pode sonhar, pois os sonhos são a esperança para muitos seguirem com a vida, com o seu caminho, traçando o próprio destino nesta vida dura que mais parece um pesadelo.

 

BLECAUTE

tectecnologyImaginem um mundo sem os confortos da tecnologia contemporânea. Os aluninhos imaginaram…

 

 

Ilustração e Texto de Soraya Feghali

 

 

Estamos em uma agência onde tudo é altamente tecnológico, ali o que reina é a tecnologia de acesso rápido e fácil.

 

Trabalhadores, muitos trabalhadores estão digitando em seus computadores, notebooks, celulares ou qualquer coisa com teclas que estão conectadas a um aparelho ligado na tomada. Quando o inesperado acontece.

 

Nas telas aparece a seguinte mensagem: “Fim da era digital, fim da Nova Era. Erro no sistema… erro no sistema… desligando…. desligando…”

 

Depois, tudo fica negro.  Era o fim da luz na cidade, no país, no continente, no mundo…

 

Silêncio total antes de começar o pânico e a gritaria em cada canto do planeta, um caos. Um completo caos.

 

Até que, alguém, um tempo depois, vai até o porão da empresa, pega uma máquina de escrever antiga e volta ao seu setor de trabalho.

 

– Pra quê tanta confusão? Nós só precisamos de nossas mentes e mãos para seguir com o trabalho.

Dito isso, ele começa a teclar. Tec tec tec tec tec tec… Aos poucos, esse som se  multiplica: todos voltam aos seus afazeres normalmente.

 

Momentos depois a luz do mundo volta, mas na agência ainda continua o tec tec das máquinas de escrever.

 

É possível viver sem a alta tecnologia. Tudo de que precisamos está em nossa mente e em nossas mãos.

 

 

Uma Fortuna Perdida

Luis Fernando Veríssimo escreveu, numa crônica, que hoje ninguém mais ia querer ouvir se por acaso um anjo aparecesse com uma mensagem. Desse input saíram diversos outputs

Bianca de Oliveira, Daniel Bergo, Gabriella Costa e Marta Furtado

 

 

 

                Hoje aconteceu uma coisa muito estranha comigo, que me deixou confuso, triste e assustado ao mesmo tempo.

            Estava saindo das Lojas Americanas na Praça Saens Peña e ia para a loteria, já que a Mega Sena havia acumulado. Como de costume, o lugar estava cheio daquelas pessoas insuportáveis que ficam entregando papeizinhos. Não tenho o costume de pegar, mas estava muito cheio e tive que aceitar o papel que um cara oferecia. Ele, imediatamente, começou a andar ao meu lado tentando puxar papo comigo:

            – O senhor viu que hoje haverá o sorteio da Mega Sena? O sortudo que ganhar vai levar uma bolada para casa! Nunca mais vai precisar trabalhar na vida. O senhor já jogou? Porque eu recomendo jogar. Tem uma lotérica logo aqui ao lado.

            – Desculpe, não estou interessado – respondi sem pensar, logo após aquele bombardeio de informações vindas de um estranho.

            Saí tão atordoado que me esqueci de que eu, de fato, ia jogar na loteria. Fui para casa e um pouco depois resolvi entrar no MSN. Assim que abriu vi que um novo contato tinha me adicionado e eu não sabia quem era. Aceitei e fui falar com a pessoa para perguntar seu nome. Quando abri a janela vi pela foto que era o homem que me abordou naquela tarde. Então, ele me disse aquilo que eu nunca esperei ouvir:

            – Oi, eu sou um anjo e resolvi te dar um presente. Hoje te entreguei um papel com os números que seriam sorteados na Mega Sena. Mas, você resolveu me ignorar.

            Sem acreditar naquilo, fui desesperadamente procurar o papel no bolso da minha calça. O encontrei e fui rapidamente conferir as dezenas sorteadas. Para o meu total desespero eram exatamente aquelas que se encontravam no papel que o cara me entregou.

            A lição que eu tirei disso tudo? Dê atenção aos outros. Isso pode mudar a sua vida.