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“Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” tem a fórmula mágica para curar as saudades dos filmes de bruxa

Depois de 28 anos, as irmãs Owens estão de volta às telonas para tentar, mais uma vez, quebrar a maldição da família

Dirigido por Susanne Bier, a continuação do clássico cult, “Da Magia à Sedução”, traz de volta as irmãs Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) Owens e suas tias, Frances (Stockard Channing) e Jet (Dianne Wiest). No final do primeiro filme, as mulheres da família Owens pensaram ter vencido a maldição secular que matava os homens que elas amavam, mas estavam erradas. Com a morte de Garry Hallet, Sally desiste da magia e toma a mesma escolha pelas filhas, apagando a magia e a bruxaria das memórias delas e da cidade inteira.

Anos depois, Sally está mais desconectada de seus instintos mágicos do que nunca. Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), suas filhas, cresceram e vivem suas vidas sem saber que são bruxas e que estão amaldiçoadas. Gillian continua se aventurando com sua magia pelo mundo. Esse é o novo normal que o filme nos apresenta, até Jet achar o livro do corvo que promete ter a resposta para quebrar a maldição. 

Tudo vira de cabeça para baixo quando Gideon (Xolo Maridueña), o namorado de Kylie, sofre um acidente e fica em coma depois que ela admite que o ama. Ela descobre a verdade sobre a maldição e decide procurar uma forma de quebrá-la com o livro do corvo, mas será que ele está guiando-a para o lugar certo? Sally e Gillian vão atrás de Kylie embarcando em mais uma aventura mágica.

Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures

O filme é repleto de referências do anterior. Por isso, uma recomendação pessoal é assistir o cult de 1998 antes, para identificar os momentos icônicos das irmãs Owens que se repetem. Para fãs, o filme funciona perfeitamente. Carrega a nostalgia e a energia fraternal que fisgou os amantes do primeiro filme. A forma como Sandra Bullock e Nicole Kidman conseguiram encarnar as protagonistas da mesma forma que fizeram anos antes é reconfortante. Talvez deixar as personalidades das protagonistas um pouco mudadas para enfatizar a passagem do tempo fosse uma escolha cogitada, mas poder reconhecê-las só pelos gestos e pelo comportamento é um aspecto bem mais precioso para os fãs.

Para quem não viu o primeiro filme, algumas partes e piadas podem parecer confusas, mas isso não afeta o entendimento da trama central. Não é difícil entender a dinâmica das protagonistas e o roteiro não traz muito dos personagens antigos (as tias). O enredo emprega muitos elementos novos.

É notável que os roteiristas queriam expandir o universo mágico do primeiro filme. Antes, a única magia que conhecíamos vinha da família Owen e seus dons fantásticos. No segundo filme, somos apresentados a mais personagens com poderes. Um ponto negativo sobre isso seria a forma como a magia foi retratada de forma menos “natural” e mais “hollywoodiana”. Se no primeiro filme nos apresentam poções e rituais simples (já que, em certo momento, os personagens realizaram um ritual de exorcismo só com vassouras) como principal modo de praticar magia, nesse filme temos livros e pergaminhos mágicos e rituais complexos. Essa mudança tirou um pouco da energia “caseira” que o primeiro filme tinha.

Essa diferença pode se dar porque o primeiro filme teve como consultora uma bruxa praticante, mas essa inclusão no projeto rendeu uma história de bastidores absurda envolvendo uma maldição que ela lançou sobre a produção após terem negado sua exigência de ter uma participação nos lucros. O diretor, Griffin Dunne, falou que a experiência foi assustadora para todos da equipe e ele mesmo pagou por um exorcismo para se livrar da maldição. Essa péssima experiência pode ter sido o motivo da produção não ter falado nada sobre qualquer contratação de consultoria especializada para esse filme.

Entre outras novidades, o longa fala um pouco sobre a criadora da maldição, Maria Owens, e seu passado, mas não o bastante para o peso que a história dela tem na narrativa. Chega ao ponto de ser difícil entender as motivações do vilão do filme que estão ligadas à esse ramo do enredo. Mas isso acontece porque Da Magia à Sedução é inspirado em um livro lançado em 1995 de mesmo nome escrito por Alice Hoffman. Anos depois, ela decidiu desenvolver mais a lore lançando mais três livros, sendo um deles apenas sobre Maria, o que poupa os roteiristas de desenvolver a personagem dela no filme para deixarem que os curiosos leiam o livro. 

Algumas escolhas no enredo parecem ter sido tomadas pensando mais no propósito de causar emoções no espectador do que criar uma lógica para esse universo mágico, mas essa geralmente é a fórmula dos filmes de bruxas. O filme ainda vale muito a pena trazendo essa emoção junto com a nostalgia, a irmandade e as trapalhadas das irmãs Owens.

Confira o trailer abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Título: Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor

Direção: Susanne Bier

Gênero: Fantasia, Romance

Duração: 126 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Foto da capa: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Crítica de Carolina de Melo, com edição de texto de Gabriel Goulart

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