Na manhã desta segunda-feira (17), a rede social Discord informou que começou a cumprir a determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e suspendeu as funções de compartilhamento de tela e câmera em sua plataforma no Brasil. A medida está relacionada ao recente ECA Digital, em vigor desde março.

(Foto: Reprodução/X)
Em nota, a empresa informou que continuará dialogando com o governo brasileiro para restabelecer os recursos, ressaltando que as funções suspensas representam parte importante de seus serviços.
“Estamos cumprindo a ordem e trabalhando de boa-fé com a ANPD. Como resultado, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo ficarão indisponíveis para usuários no Brasil a partir de agora. Estamos trabalhando para restabelecer o acesso a esses recursos importantes o mais rápido possível”, declarou a rede social.
A plataforma destacou ainda que as ferramentas de chamadas de voz, troca de mensagens e comunidades continuam funcionando normalmente.
Casos envolvendo adolescentes
A suspensão preventiva dos recursos do Discord ocorreu após a primeira-dama Janja Lula da Silva defender publicamente o bloqueio da plataforma, citando episódios graves envolvendo usuários e servidores do aplicativo.
Entre as ocorrências de maior repercussão está a morte de uma jovem de 13 anos, que teria sido coagida por membros de uma comunidade virtual a praticar automutilação e a tirar a própria vida.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, redes criminosas utilizavam servidores privados do Discord e canais do Telegram para aliciar menores, sobretudo meninas. Os grupos disseminavam conteúdos com teor misógino, racista e neonazista, além de incentivar a radicalização de jovens, o suicídio, a tortura contra animais e outros atos violentos.
Diante do cenário, a ANPD determinou a interrupção cautelar das transmissões ao vivo na plataforma em decisão tomada no dia 12 de agosto de 2026.
Em resposta, o Discord declarou que colabora de forma contínua com as forças de segurança para identificar e banir infratores. A plataforma informou ainda que pretende recorrer da medida administrativa para tentar restabelecer as ferramentas suspensas.
Foto de capa: Reprodução/X
Reportagem de Rafael Costantino, com edição de texto de João Gabriel Lopes
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