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“100 Noites de Desejo” é fábula queer, feminista e política

Longa-metragem da canadense Julia Jackman tem Maika Monroe, Emma Corrin, Nicholas Galitzine no elenco

Junho é o mês do orgulho LGBTQIAPN+ graças às revoltas de Stonewall em 1969. Alguns lançamentos especiais de filmes nacionais como “Trago seu Amor”, “Quinze Dias” e o fantasioso conto de fadas “100 Noites de Desejo”, novo filme da britânica Julia Jackman chegam aos cinemas brasileiros como uma comemoração do Pride Month. O filme, que estreiou dia 4 de junho, é uma fábula que envolve política, romance queer e feminismo. O universo, criado pela romancista gráfica na HQ “100 Noites de Herói”, é um ambiente similar à Idade Média (séculos V à XV) e aos contos de fada dos Irmãos Grimm, mas com um contexto político e patriarcal mais exposto e ironizado.

O mundo é dominado pelo deus Birdman, mas que foi criado por sua filha Kiddo que tinha a intenção de criar um jardim paradisíaco e calmo para os habitantes. Porém, Birdman se apropria disso e faz disso um pesadelo para mulheres, envolvendo o regime matrimonial e misógino. As protagonistas da história são a esposa e dona de casa Cherry (Maika Monroe) e sua criada e melhor amiga Hero (Emma Corrin), que não se sabe como chegou até aqui. Cherry vive um casamento não consumado (até então, sem relações sexuais) com seu marido, o poderoso Jerome (Amir El-Marsy), que lhe nega o sexo todas as noites desde o matrimônio. Cherry tem 100 dias para, ao retornar com o clérigo dos Irmãos Bico, estar grávida ou encarar a morte.

A amizade de Cherry e Hero evolui até se tornar um romance sáfico. (Foto: Divulgação/Paris Filmes)

Nesta primeira noite, aparece no palácio aonde os três vivem Manfred (Nicholas Galitzine), que aparentemente entregou a sua esposa às autoridades. Jerome aposta com Manfred a virgindidade de Cherry em troca do castelo, pois a vida de sua esposa pouco lhe importa. Nos 100 dias, as dinâmicas ficam entre Hero, a criada, e Cherry, a esposa, de permanecer na fidelidade a Jerome contra Manfred, o cafajeste. Os três atores interpretam seus papéis de forma competente, com Corrin interpretando com astúcia e sagacidade a escudeira e amiga de Cherry. Monroe se demonstra amedrontada e recatada em quase todas as cenas e demonstra confiança na presença de Hero, um grande acerto na dinâmica de amizade, confiança e, no contexto queer da história, romance.

“100 Noites de Desejo” é o segundo longa-metragem da canadense Julia Jackman. (Foto: Divulgação/Paris Filmes)

Todo o contexto político é esclarecido com tom de suspense para as protagonistas e para o público a partir de uma história dentro do enredo de “100 Noites de Desejo”. As irmãs Rosa, Mina e Caterina, que sabem ler e escrever, algo proibido no universo do filme, tem suas vidas contadas a partir de uma ótica de esperança e união para as mulheres do mundo do filme. Com sua história contada em segredo, as irmãs traçam paralelos com a história de Hero e Cherry.

Kerena Jagpal, Olivia D’Lima e Charli xcx interpretam Mina, Caterina e Rosa em “100 Nights of Hero”. (Foto: Divulgação)

Porém, mesmo com base nos preceitos de uma fábula, como uma narrativa sucinta e uma lição de moral no final, “100 Noites de Desejo” é corrido demais em seu ato final, com alguns dos 50 últimos dias se resumindo em menos de 15 minutos. Alguns aspectos da história se mantém na superficialidade, como a não-relação de Cherry com Joseph, ou o passado de Hero com sua mãe e o que aconteceu com a esposa de Manfred, tudo é breve e rápido.

O que fica, no final do filme, é a mensagem de união das heroínas da história, tanto as irmãs quanto a dupla Cherry e Hero, e que se demonstra um paralelo ao nosso mundo do que é o feminismo e como é possível enfraquecer o patriarcado.

Confira o trailer abaixo:

Título: 100 Noites de Desejo

Direção: Julia Jackman

Gênero: Fantasia/Drama

Duração: 1h31min

Roteiro: Julia Jackman

Classificação indicativa: 14 anos

Foto de capa: Divulgação/Paris Filmes

Crítica de Vinicius Corrêa

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