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Latin Rio: conferência levanta discussões sobre música na América Latina

A Conferência aconteceu na Fundação Getúlio Vargas entre os dias 19 e 20 de maio.

Nos dias 19 e 20 de maio, aconteceu na Fundação Getúlio Vargas (FGV) a primeira edição da Conferência Latin Rio. O evento com palestrantes brasileiros e internacionais teve como principal assunto o crescimento da indústria fonográfica no Brasil e na América Latina com o resto do mundo. A conferência teve apoio da Vamonos Music e Do Rio Music, em parceria com a Fundação Getulio Vargas, e conta com apoio institucional da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e da Riotur.

A abertura, no dia 18 de maio, teve uma festa no Solar Botafogo, com participação de DJs como Carlos do Complexo, Bokage e King. A conferência em si, a partir do dia 19, foi apresentado por Lucas Padilha, secretário de Cultura do Rio de Janeiro, e Luiz Carlos Guimarães, diretor da FGV, no auditório do Centro Cultural FGV. Nesta apresentação do evento que durou dois dias foi levantado assuntos como a importância do Rio de Janeiro como capital musical do Brasil, sendo berço do samba, bossa nova, hip hop e funk. Como a convenção era voltada para a música latina, a integração com o Brasil a partir do encontro entre Shakira e Caetano Veloso e Maria Bethânia teve sua devida menção. O secretário Lucas Padilha também falou sobre a criação da RioMúsica que pode facilitar os negócios da indústria de shows carioca para locações.

Lucas Padilha e Luiz Carlos Guimarães comentaram no ínicio do Latin Rio a importância desse evento para o Rio de Janeiro e para o Brasil no geral. (Foto: Reprodução/Instagram)

Depois dessa apresentação, deu-se início a primeira conversa mediada por Roberta Pate, business leader da indústria fonográfica que já atuou no Spotify Brasil e Sony Brasil. As convidadas foram Carol Alzuguir, diretora de música do Spotify, e Cristiane Simões, vice-presidente da Sony. Para Simões, o Brasil, que se encontrou no primeiro trimestre de 2026 como a 7ª maior indústria em geração de receita (ultrapassando a Coréia do Sul), é um vasto mercado a ser explorado. Já segundo Alzuguir, em 2025, o Brasil rendeu R$2 bilhões em direitos e royalties para a indústria nacional.

A diretora de música do Spotify afirmou que o Brasil é relevante na música mundial pela sua representividade estilística e fusão de gêneros. Alzuguir destacou fusões recentes como o funkhall (mistura do funk brasileiro com o dancehall jamaicano) que cresce nas playlists e charts do streaming. No mercado nacional, o grande estilo que se reinventa e cresce é o Pagode, com nomes como Ferrugem e Dilsinho. Para além disso, em ascensão, as mulheres que exaltam a sexualidade feminina na música como NandaTsunami, Bia Soull e Vita chamam a atenção nas estatísticas.

Roberta Pate, Cris Simões e Carol Alzuguir abriram a conferência Latin Rio com a palestra “Brasil em Ascensão”. (Foto: Gabriel Goulart)

A Latin Rio também aconteceu no auditório do 12° andar da FGV. Um dos paineis foi ” FGV Formação Music Business”, com mediação de Kiko Fernandes, coordenador de formação em Music Business da FGV. Os convidados foram Daniel Mendes, empresário e compositor vencedor do Grammy Latino, Clemente Magalhães, produtor, podcaster e consultor de marketing musical, e Henrique Fares, co-fundador da Vamonos Music.

O principal assunto desse painel foram os caminhos para desenvolver novas lideranças no mercado da música. Para Daniel Mendes, o talento é algo importante, mas é necessário para os artistas da música brasileira a vontade de vencer e batalhar. A falta de conhecimento técnico de marketing é um grande empecilho para isso, com artistas que só pensam na criação artística sem um contato com o público pelas redes sociais como o TikTok, que pode impulsionar suas carreiras. Clemente ressaltou isso, sobre a falta da disposição de empreendedorismo em um mercado tanto acessível quanto competitivo.

A palestra ” FGV Formação Music Business” foi a abertura do auditório do 12° andar da FGV para o Latin Rio. (Foto: Vinicius Corrêa)

Em entrevista à Agência UVA, Clemente destacou a diferença entre artistas antigos e os novatos no mundo da música:

“O artista dos anos 80 é difícil de entender quando a máquina muda. Para geração atual é isso, entender de marketing, das boas práticas e da fórmula de como vender aquilo”, finaliza o produtor.

De atrações internacionais, nomes como Paul Redding, CEO do Beggars Group, conglomerado do rock indie de selos como 4AD, Rough Trade, Matador, Young e XL. A conversa foi mediada por Adel Hattem, fundadora e CEO da D Music Marketing. Neste momento do Latin Rio, foi falado sobre o Caso Beggars como um case da música independente por trás de nomes como Pixies, Cocteau Twins, Big Thief, The xx e Radiohead.

A Beggars atua como departamento jurídico, licenciamento de músicas para cinema e TV e contabilidade e promoção para rádios. Com uma história que vem desde os anos 1980, Redding fala sobre a instantaneidade vazia de plataformas de vídeos curtos, sem um storytelling contextualizado que não leva o artista ao desenvolvimento. Na música latina, o que surpreende o CEO da Beggars é nomes como Tim Bernardes e Arthur Verocai, que colaborou recentemente com o grupo de nu jazz Badbadnotgood.

Uma dica de Redding para artistas nacionais se inserindo na indústria da música é “pense localmente, mas aja globalmente”. (Foto: Vinicius Corrêa)

O evento terminou na quarta-feira (20), com conversas abertas entre executivos, líderes de negócios da indústria musical e até mesmo artistas. Os paineis e palestras mostraram que o crescimento do Brasil enquanto uma potência global, tanto em criatividade quanto como industria, é equiparável a gigantes da música mundial como a Coréia do Sul, mas que ainda está engatinhando, com leves passos a partir de artistas como Anitta que são amplamente conhecidos nos Estados Unidos e Europa.

Foto de capa: Gabriel Goulart

Reportagem de Vinicius Corrêa com edição de texto de Gabriel Goulart

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