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Artificialidade, superficialidade e falta de criatividade resumem “Mortal Kombat 2”

Coreografias bregas, edição mal feita e roteiro corrido e superficial mancham mais uma vez a franquia nas telonas

Lançado dia 7 de maio, a sequência do longa que busca despertar um sentimento de nostalgia nos fãs da grande franquia de games “Mortal Kombat” chega aos cinemas. Com Karl Urban liderando o elenco como o falastrão e praticamente aposentado Johnny Cage, o filme busca retomar a história original do segundo jogo da saga, lançado originalmente em 1993.

Ao perceber que seus filmes de ação e luta clichês não fazem mais sucesso com a geração atual, altamente ligada à tecnologia e aos conteúdos das redes sociais, o ator Johnny Cage ainda busca reconhecimento por suas obras, comparecendo a eventos e convenções de cultura pop na tentativa de conquistar uma nova base de fãs. Apesar dos esforços, sua barraca sempre permanece vazia, e a frustração se torna cada vez mais presente a cada evento frequentado.

Após mais um de seus fracassos, Johnny Cage é abordado por um homem com roupas que lembram um monge e por uma mulher com uniforme policial. Eles são Raiden, o Deus do Trovão, interpretado por Tadanobu Asano, e Sonya Blade, vivida por Jessica McNamee. A dupla revela ao ator a nova ameaça que assola o mundo: o conquistador de reinos Shao Kahn. O regicida está prestes a conquistar o Plano Terreno, a Terra, após vencer nove dos dez torneios necessários para obter o direito de reinar sobre um novo reino, conforme a regra imposta pelos Deuses Ancestrais no Mortal Kombat.

Karl Urban entrega o papel certo de Jornny Cage, um ator muito soberbo e bobo.
(Foto: Warner Bros./ Divulgação)

Então, Johnny Cage, Sonya Blade e Raiden seguem para o monastério onde o Deus treina seus campeões para o torneio. Entre eles estão Liu Kang, interpretado por Ludi Lin, Cole Young, vivido por Lewis Tan, e Jax Briggs, interpretado por Mehcad Brooks, dando início à trama do filme.

Como filme e adaptação de um clássico jogo dos anos 90, amado e aclamado até hoje por muitos fãs, “Mortal Kombat 2” é um desastre completo. Da escolha do elenco à montagem, o longa não entrega nada além de uma experiência apressada e com pouquíssimo esmero em questões de roteiro e coreografias de combate, quebrando constantemente a imersão do espectador a cada cena.

As lutas e efeitos especiais do filme deixam demais a desejar.
(Foto: Warner Bros./Divulgação)

Começando pelo roteiro, tudo é entregue de forma extremamente superficial. Apenas alguns pontos-chave da trama são apresentados, mas nenhum deles recebe o devido aprofundamento. O relacionamento de Kitana com Shao Kahn, Jade e outros edenianos se torna descartável. A jornada de herói de Johnny Cage é clichê e muito aquém da narrativa original dos games. Já Cole Young, protagonista do primeiro filme e apontado como sucessor de Scorpion e escolhido por Raiden, é jogado para escanteio nesta sequência, retirando completamente o peso narrativo construído em seu antecessor.

A atuação de Karl Urban é, com certeza, o ponto alto do filme. O ator retrata fielmente Johnny Cage da forma como ele aparece na obra original: falastrão, provocador e superficialmente confiante. Mesmo que o sotaque britânico do ator apareça em alguns momentos, ele ainda consegue “americanizar” a fala e entregar uma boa performance no personagem.

A edição e a montagem do filme são truncadas e mal executadas, resultando em uma narrativa extremamente confusa. O diretor tenta imprimir identidade ao trabalho utilizando match cuts e planos-sequência, mas falha ao demonstrar domínio dessas técnicas, deixando a obra presa a uma estética que remete a filmes de baixo orçamento dos anos 90.

O design dos personagens é um dos poucos pontos positivos do filme.
(Foto: Warner Bros./Divulgação)

Vale destacar também a falta de autenticidade nos cenários do filme. Nada parece genuíno, dando a impressão de que o longa foi inteiramente gravado em frente a uma tela verde. Nem mesmo os ambientes internos conseguem transmitir a sensação de que as cenas acontecem em lugares reais.

Por fim, as coreografias de combate são, no mínimo, artificiais. É possível perceber claramente que, em diversos movimentos, os atores não parecem realmente tentar atingir uns aos outros, com socos e chutes passando de raspão e já abrindo espaço para a defesa do adversário. A melhor luta do filme fica, sem dúvidas, entre Liu Kang e Kung Lao, no terceiro ato da trama. Ainda assim, a sequência continua muito abaixo de outros filmes do mesmo gênero.

Os poucos pontos positivos ficam por conta dos designs dos personagens, que permanecem fiéis ao game de 1993, com poucas modificações e modernizações que funcionam visualmente, e da trilha sonora, que também aposta em releituras atualizadas das músicas da obra original.

“Mortal Kombat 2” sem dúvidas entra para a famosa categoria de “filme pipoca” ou “filme sessão da tarde” de Hollywood, entregando mais uma adaptação fraca da franquia de jogos para as telonas. Para os fãs assíduos, é muito difícil recomendar o longa, já que ele pode soar como um verdadeiro desrespeito à saga original. Já para espectadores casuais, que apenas querem assistir a um besteirol recheado de lutas, talvez o filme consiga divertir em alguns momentos.

Confira o trailer do filme abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Título: Mortal Kombat 2

Direção: Simon McQuoid

Gênero: Ação

Duração: 116 minutos

Foto de capa: Warner Bros./Divulgação

Crítica por Danilo Cupolillo, com edição de texto de Cássia Verly

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