Após duas décadas, o filme “O Diabo Veste Prada” volta aos cinemas e, com isso, reacende o interesse pelos looks que marcaram uma geração nos anos 2000. Em meio ao burburinho no mundo da moda, cresce também a expectativa do público sobre as tendências atuais que o filme irá trazer.
O longa estreia no dia 30 de abril e já levou os fãs à loucura após um spoiler do trailer oficial, no qual é possível notar que o luxo permanece, mas agora sob um novo olhar, por meio dos figurinos e da releitura estética.

Essa mudança de olhar sobre o luxo mostra as diferenças estéticas entre o primeiro e o novo filme. Enquanto o primeiro retratava um luxo mais maximalista, com botas de cano alto, boinas e cintos largos e claros, o novo lançamento indica uma possível aproximação com elementos como a alfaiataria, sobreposições e composições mais neutras.
Flávio Bragança, professor de história da moda pela Universidade Veiga de Almeida, comenta sobre essa mudança.
“A proposta visual construída pela Patricia Field se aproxima de um luxo em que o reconhecimento vem pela forma e pelo material, não pela exibição explícita da marca”, comenta o professor.
Os looks apresentados no primeiro filme marcaram uma geração, pois estavam diretamente ligados aos conceitos da moda da época. Um dos momentos mais marcantes é a mudança de estilo da personagem principal, Andy, interpretada por Anne Hathaway, que simboliza não apenas uma evolução pessoal, mas também uma diversificação de possibilidades no modo de se vestir. Para o professor, o filme traduziu essa ideia muito bem para o público.
“A ‘transformação’ de Andy com casaco branco afirmou a ideia que a moda urbana pode ir além do preto e marrom, podemos relacionar isso a propostas com marcas que estava se afirmando na época, como Stella McCartney, o filme traduziu isso bem para as massas”, explica Flávio.

Mesmo anos depois, as tendências associadas ao filme voltam a ganhar relevância e movimentam as redes sociais. A retomada de elementos ligados aos anos 2000 está diretamente ligada ao fato de que a nostalgia se tornou um recurso frequente tanto para o público quanto para a indústria. Nesse cenário, esse recurso não se limita à memória afetiva, mas integra estratégias que reposicionam essas referências de forma atualizada, adaptando-se aos novos hábitos de consumo e às dinâmicas das plataformas virtuais. Segundo Flávio Bragança, esse fenômeno vai além do saudosismo e reflete a combinação entre nostalgia cultural e estratégias da indústria, que transformam esse desejo em tendência.
Com a chegada do novo filme, a expectativa não está apenas na narrativa, mas também no potencial dos figurinos e em sua influência nos rumos da moda. Em um cenário em que diferentes estéticas dominam ao mesmo tempo, a proposta visual tende a equilibrar referências clássicas com um estilo mais contemporâneo, apostando em peças atemporais e atuais. Para o professor, essa continuidade criativa também está ligada à equipe responsável pelo figurino.
“A nova figurinista Molly Rogers, que fez parte da equipe da Patricia Field, acho que ela vai no mesmo caminho, criar looks que não fiquem tão datados, como alfaiataria com inspiração masculina que a gente vê em uma cena com a Andy ou os trenchs dramáticos com ombros estruturados que aparecem na Miranda”, explica Flávio.

Mais do que looks icônicos, o retorno de “O Diabo Veste Prada” demonstra como a moda está em constante diálogo com o passado, reinterpretando referências e adaptando-as ao presente. Entre nostalgia e inovação, o novo filme não só dará continuidade a uma história já consagrada, como também reflete transformações no modo de consumir e se vestir. Com isso, os figurinos deixam de ser apenas parte da narrativa para se tornarem protagonistas na construção de tendências no mundo da moda.
Foto de capa: Reprodução/20th Century Studios
Reportagem de Nicolly Ribeiro, com edição de texto de Cássia Verly
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