Você gosta de estudar com música? Essa prática é mais comum do que você imagina. Com o avanço da indústria da música, ficou mais fácil escutarmos música enquanto caminhamos na rua, lemos um livro e até mesmo realizando tarefas domésticas. Estudos realizados ao longo dos anos mostram que a música é capaz de estimular variadas respostas emocionais e cognitivas. Mas será que esses estímulos funcionam para contra ou a favor na hora de estudar para concursos públicos?
A música é uma forma de arte que combina sons e ritmos para expressar emoções, contar histórias e criar atmosferas. Estudos comprovam que uma mesma música pode produzir diferentes emoções em cada pessoa. Quem nunca se emocionou ou ficou contente ao escutar a música de seu artista ou banda favorita, não é mesmo? Mas no caso de estudar ouvindo música, é preciso entender se os diversos estímulos são positivos ou não.
Em entrevista, a musicoterapeuta Danielly Coutinho, 49, falou sobre como a música pode afetar na concentração.
“A música é um conjunto de elementos – ritmos, melodia, harmonia – e estes afetam na concentração, foco e comportamento, pois estimulam diversas áreas do córtex cerebral, simultaneamente, causando diferentes efeitos, de acordo com as atividades cognitivas a serem desenvolvidas”, explica a profissional.

Quando perguntada sobre os efeitos diferentes entre a música instrumental e a música com letras na promoção do foco, Danielly destacou que, segundo estudos, a música instrumental, especialmente a clássica, é a que traz mais benefícios para o desenvolvimento das atividades. “Estudos recentes nos mostram que a música instrumental clássica tem favorecido ao desenvolvimento das atividades e o foco na execução destas. Porém, outros estilos de música instrumental podem ter efeitos diferentes de acordo com os estímulos que provocam no cérebro humano. Considerando-se as músicas com letras, as mesmas podem oferecer ao ouvinte, estímulos afetivos e emocionais, de acordo com sua Identidade Sonora (conceito da Musicoterapia, criado por Benenzon, em 1985), o que poderá levar a alterações de memória, atenção, emoções e comportamento, afetando obviamente o foco”, explica Danielly.
Outro tema abordado, foi sobre a música ajudar a moldar um “microambiente” propício para o trabalho ou estudo. Segundo Danielly Coutinho, o conceito de “microambiente” engloba todos os elementos e fatores internos e externos do ambiente, não somente a uma pessoa. Assim sendo, podemos considerar que a música inserida neste contexto, deverá proporcionar bem-estar àqueles que se utilizam deste ambiente, levando a uma melhor atenção e produtividade, seja no trabalho ou nos estudos.
“No contexto de ‘microambiente’ pessoal, cada pessoa tem seu gosto. Mas a escolha poderá levar à diferentes reações e estados emocionais, como já citamos. Se o objetivo for a execução de um trabalho que exija rapidez e precisão, uma música “mais agitada”, com uma boa frequência rítmica, poderá levar à uma sequência de movimentos coordenados e precisos. Já se o objetivo for um trabalho mais minucioso, delicado, uma música mais “calma”, com maiores frequências melódicas, poderá ser um estímulo mais assertivo. O mesmo se aplica aos estudos.”
Porém, Danielly ressalta que deve-se levar em consideração as peculiaridades dos ouvintes. “Há pessoas que se desconcentram ao menor estímulo sonoro-musical, logo, tais escolhas não seriam funcionais. É importante sabermos que a música também pode ser IATROGÊNICA, ou seja, pode causar efeitos contrários aos objetivos, visto que afeta diferentes áreas cerebrais e, consequentemente os estímulos e reações emocionais, hormonais, sensoriais e comportamentais.”

Danielly Coutinho ainda conta quais são os principais mecanismos psicológicos por trás do uso da música para moldar o ambiente mental de uma pessoa.
- Regulação Emocional: a música pode evocar diferentes sentimentos,
emoções e reações a estes, como a variação do humor, da ansiedade, etc.
- Efeito de pré-ativação: A música pode “preparar” a mente para processar informações de maneira diferente. Isso ocorre porque a exposição a certas características musicais (ritmo, melodia, tom) pode ativar redes neurais associadas a estados emocionais e cognitivos específicos.
- Sincronização e Ritmo: A música tem o poder de sincronizar ritmos internos do corpo, como a respiração e os batimentos cardíacos. Isso pode ajudar a reduzir a ansiedade ou aumentar a vibração, dependendo do ritmo da música.
- Distrator Cognitivo: A música interfere no desempenho de uma tarefa
atencional mesmo quando a demanda de recursos para o processamento da tarefa principal é maximizada
- Condicionamento Associativo: A mesma música pode ser usada em diferentes situações e causará sempre a mesma sensação e/ou levará ao mesmo estado mental de atenção, foco, bem-estar, etc.
- Memória: A música pode desencadear memórias e emoções associadas a experiências passadas. Esse aspecto é poderoso para moldar o estado mental, já que evoca emoções relacionadas a lembranças pessoais. Um bom exemplo, é a utilização da música em pacientes com Alzheimer, onde a perda da memória é parte do processo da doença.
- Alteração da Percepção do Tempo: Você já ouviu música enquanto espera em uma chamada telefônica ou em uma recepção de consultórios? Em ambientes de trabalho ou estudo, a música pode fazer o tempo parecer passar
mais rápido, aumentando a produtividade ou em filas ou consultórios, a música pode reduzir a ansiedade pela espera.
Em meio ao turbilhão de estímulos que o cotidiano oferece, criar um micro ambiente focado e propício ao aprendizado é fundamental. A música, quando bem selecionada, atua como uma aliada silenciosa na construção desse espaço, ajudando a filtrar distrações e a manter a concentração.
Foto de capa: Reprodução/Clipping Blog
Reportagem de Rafael Zoéga, com edição de texto de João Agner
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