A escrita de um livro, poesias e artigos é feita de maneira única e pessoal. Carlos Nogueira, além pesquisador, produtor de videodocumentários e mestre em memória social e documento pela UNIRIO, é autor de Polifônica Paixão, publicado pela editora IVentura e seu mais novo livro de poesia.

(Foto: Divulgação)
Há quem pergunte qual é a metodologia que Carlos usa para escrever, mas segundo o próprio autor, não existe uma forma específica. Ele se inspira no cotidiano, por isso, nem sempre seus poemas e textos estão interligados.
“Sou totalmente anárquico, não tenho uma metodologia. Escuto coisas que acontecem, gosto de entrar no elevador, ouvir um pedaço de história e muita observação. Existe um erro de ligação entre todos os textos sem uma questão social, não é um conflito, mas é literatura de qualidade com afeto e com preocupação com o outro”, afirma o autor.
O autor conta que passou anos construindo essa obra com recortes de outras criações, sua motivação foi não deixar esse trabalho se perder. Além disso, parafrasendo Sergio Sampaio, “o livro de poesia não vale nada na gaveta”.
“Esse livro começou a ser feito há bastante tempo, uns 5 anos, e ele é fruto de uma série de pedaços de poesias de outro livro que eu tinha escrito. Foi nesse momento que comecei a perceber que tinha um outro trabalho pronto”, explica Carlos.
No Brasil, um estudo conduzido pela Nielsen BookData, em nome da Câmara Brasileira do Livro (CBL), revela que somente 16% dos indivíduos com mais de 18 anos adquiriram livros em 2022, de acordo com o Censo realizado pelo IBGE no mesmo ano.
Esses dados, divulgados em 2023, fornecem uma visão abrangente do cenário de consumo de livros no Brasil. As editoras justificam o aumento dos preços dos livros com base nos custos de produção, e não preveem uma redução desses preços diante das demandas do mercado.
As editoras justificam o aumento dos preços dos livros com base nos custos de produção, e não preveem uma redução desses preços diante das demandas do mercado. Para Luís Carlos Bittencourt, jornalista e editor executivo da iVentura Editora, o que influencia muito no preço do livro é o papel. Em 2021, depois da pandemia, o valor aumentou por conta da elevação dos custos de produção.
É notável que o aumento nos preços dos livros físicos possa ter influenciado o padrão de consumo das pessoas resultando na diminuição de compras por parte, principalmente, dos jovens. Carlos conta que uma de suas preocupações é a aceitação de sua obra entre os jovens.
“Não vejo perspectiva de baratear nos próximos anos porque é um produto que depende de matéria prima que precisa ser preservado: as árvores. A não ser que a indústria de papel resolva o problema de qualidade utilizando processos de reciclagem”, declarou Luis Bittencourt.
Carlos conta que uma de suas preocupações é a aceitação de sua obra entre os jovens. Mas acredita que há uma preferência do público mais novo por obras profundas e marcantes. Além disso, espera que eles sintam as reflexões e emoções escritas pelo autor.
“Espero que eles vejam as alegrias e as reflexões pela vida e pelo nosso tempo”, finaliza o autor.
Reportagem de Yasmin Bertazini com edição de texto de Mariana Motta
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