Da sala de aula

Profissionais que trabalham para atender à população na pandemia

A importância daqueles que estão nas ruas para garantir serviços e produtos

Quando o Coronavírus chegou ao Brasil, todos tiveram que conciliar suas vidas profissionais com o medo de sair de casa e ser contaminado. Para muitos, suas casas viraram “home-offices”, para outros, se transformaram em salas de aula. Mas nem todos têm o privilegio de ficar em casa. Há aqueles que, mesmo diante de uma pandemia, têm que sair para trabalhar, pois se relacionam diretamente com o público ou prestam serviços essenciais, por mais que estejam diariamente arriscando suas vidas e as de seus familiares, para fazer o dia a dia das pessoas continuar ocorrendo de forma normal.

O entregador Luís Felipe, que começou na função de delivery durante a pandemia, é um deles. Desde que começou a trabalhar, o jovem faz entregas de segunda a sexta no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Ele conta que devido à dificuldade de arrumar trabalho durante a pandemia, viu o delivery como uma opção viável. “Depois que sai da escola tive dificuldades de arrumar emprego devido à pandemia. Conversei com amigos meus que já estavam no ramo havia mais tempo, eles me contaram que a demanda aumentou, então vi uma oportunidade de conseguir minha primeira renda própria”.

Luís Felipe, delivery boy, começou a trabalhar durante a pandemia
Foto: Acervo Pessoal

Luís conta que segue todas as recomendações. “Uso a melhor máscara, passo álcool em gel nas mãos e na máquina de cartão a cada entrega feita. Ao chegar em casa deixo as roupas sempre do lado de fora”. Devido à situação, Luís e muitos outros devem se contentar que, por hora, somente devem sair para trabalhar. Mas não é fácil lidar com o medo constante de contágio. Pesquisa realizada pela empresa de recrutamento especializado Robert Half mostra que 38% dos profissionais empregados tiveram sua saúde mental e seu bem-estar piorados durante a pandemia.

A pandemia afeta o bem-estar de todos, não somente dos mais novos que acabaram de entrar no mercado de trabalho, mas também daqueles que têm mais experiência, como é o caso da funcionária da Caixa Econômica Federal, Selma Simões, de 58 anos, que relatou que estar trabalhando com o público no período de liberação do auxílio emergencial piorou seus casos de ansiedade. “Tenho família e tenho muito medo de contrair algo e acabar passando para meus filhos. Desde que voltei a trabalhar presencialmente mudei minha rotina para evitar ao máximo o contato. Por mais que trabalhe com clientes, vou de Uber todos os dias. Pelo menos assim me sinto um pouco mais segura”.

Selma Simões, com as proteções disponibilizadas pelo banco em que trabalha
Foto: Acervo Pessoal.

Selma, que em diferentes ocasiões recebeu atestado, conta que decidiu não ficar em casa porque sabe que seus colegas teriam dificuldade de lidar com as filas. “Como uma prestadora de serviço, não posso deixá-los sem o devido atendimento, e entendo que meus colegas não merecem a jornada de trabalho que iria cair sobre eles”, ressalta.

Apesar dos riscos a que estão sujeitos, estes profissionais ainda podem se considerar privilegiados. O índice de desemprego chegou a 14,4%, contra 11,6% no mesmo período do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que realiza seus relatórios com base em trimestres móveis. Com o começo da pandemia, empresas tiveram que diminuir a quantidade de funcionários, causando uma grande taxa de desemprego.

Mas a fragilidade do mercado de trabalho não se reflete apenas no índice de desemprego, que leva em consideração as pessoas em busca ativa de trabalho. Também é vista no contingente de “desalentados”, ou seja, aqueles que deixaram de buscar emprego por falta de oportunidades. “Em um ano de pandemia, houve redução de 7,8 milhões de postos de trabalho”, diz o relatório do IBGE. Devido a essa baixa de pessoas empregadas, fica evidente a importância de trabalhadores como Selma e Luís, que atuam em benefício dos outros, ainda mais um momento de pandemia.

“No Brasil, onde a troca física de afeto é comum, o Coronavírus vai contra nossa cultura. Não é tarefa fácil ficar longe dos seus entes amados ou não poder apertar a mão de amigos e conhecidos. Agradeço por estarmos vivendo em uma época em que a tecnologia é de tão fácil acesso. Dessa forma, podemos nos sentir mais próximos dos nossos entes queridos”, destaca a Doutora Cecilia, supervisora da área de emergência do Hospital Souza Aguiar. A médica acrescenta: “Nesse momento, é fundamental seguir os protocolos de prevenção da Covid e se manter informado sobre as notícias. Nenhum de nós quer ser responsável por transmitir o vírus para os nossos familiares”.

Neste momento delicado, é importante ter em mente quais são as prioridades. Não é o ideal sair e se encontrar com amigos, é importante trocar hobbies fora de casa por um que possa ser feito dentro dela. Foi o que fez Júlio, de 45 anos, porteiro que, nas horas vagas, congregava em uma igreja no Meier. “Assumo que no começo não foi fácil, porém, depois de um tempo, tive que ceder e aceitar que teria que ficar em casa até que tudo volte ao normal. Tenho família para cuidar, não posso deixá-los em risco. Vou ao trabalho por uma questão de necessidade”.

Passar por um momento de pandemia não é tarefa fácil. O receio de algo tão simples como sair de casa acaba toma conta, o medo de perder um familiar não vai embora. Mas é importante lembrar que, além de profissionais como psicólogos e médicos, que estão trabalhando para cuidar de questões emocionais e físicas, existem outros que estão se arriscando para fazer a vida do resto da população mais amena nesse período.

Guilherme Spinelli – 3º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Profissionais que trabalham para atender à população na pandemia

  1. Maristela Fittipaldi

    Parabéns pela publicação de sua matéria, Guilherme. Bjs!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s