Da sala de aula

Marcas online durante a pandemia

A vitrine virtual dos artistas empreendedores

Entre links, comentários, engajamento e fotografias editadas, internautas passaram a buscar – e encontrar – novos perfis e produtos nas redes sociais. A pandemia acabou florescendo o talento artístico e o desejo de empreender de muita gente, que encontrou na rede social Instagram um forte aliado para lançar suas marcas e faturar.

A especialista do Sebrae Hellenn Rosy Stadler Dalan Frasson, integrante da equipe Gestão e Inovação de Produtos, explica que houve um aumento na oferta de workshops, palestras e consultorias especializadas gratuitas entre 2020 e 2021, com a intenção de atender a quem quer começar a empreender e criar sua própria marca online.

Luiza Ramos Magalhães, 23 anos, do @contobordado, conta que foi a chegada da sua filha, que nasceu no primeiro mês da pandemia, que a motivou à criação da marca. A jovem, que já trabalhou em lojas de shopping, relata que ter seu próprio negócio era um sonho muito distante, que acabou virando realidade com a chegada da pandemia de Covid-19. Ela diz também que o risco de fracassar era seu maior medo, e declara, exitosa: “Esse risco está  valendo a pena até hoje”.

Luiza apostou na criação da marca de bordados depois do nascimento da filha Fotos: Acervo Pessoal

Sobre os desafios de lidar com o público online, a bordadeira conta que não vê dificuldades em se relacionar com os clientes de forma remota, mas confessa que exige uma dedicação maior. “Acho importante saber usar as palavras certas para gerar sentimentos poderosos em quem está do outro lado da tela”. A elaboração, a criação e a execução dos produtos são as partes com que Luiza mais se identifica nesse processo de empreendedorismo artístico. “É algo que me enche de vida”. Já reservando planos para o futuro, quer seguir com a sua marca online e a realização de oficinas presenciais.

Como a jovem artista, Bruno Higino, 20 anos, do @amiguruno, diz já ter tido o desejo de manter seu próprio negócio. O estudante, que também trabalha na lanchonete da família, afirma que a marca é um hobby, por  ele gostar muito de fazer crochê. apesar de enxergar  a oportunidade  de conquistar seu próprio dinheiro. “Acho que a insegurança de achar que não está bom,  de pensar que o dos outros está melhor que o meu foi meu maior medo, o que me segurou no começo”. Bruno não sente dificuldades de trabalhar de forma remota, pois sempre vendeu através do Instagram.

Fotos: Acervo Pessoal

Bruno revela que  entre todas as fases de preparação do Amigurumi até o seu destino final, a entrega do produto para o cliente é o que ele considera a  parte mais divertida, além de registrar a reação de quem recebe a peça. O artesão compartilha um desejo: “Sempre tive vontade de participar  de uma feira de artesanato”. E conclui dizendo que talvez seja esse o projeto para o pós-pandemia.

Sobre a iniciativa criativa em tempos difíceis, a psicóloga Daniela Generoso explica que, em meio às adversidades, acontece um despertar para novas possibilidades em pessoas, que, ao longo de suas vidas, acabaram desenvolvendo a resiliência.

O empreendedorismo online está mesmo a cada dia mais comum. A especialista em marketing Karolyne Reis afirma: “A perspectiva é que muitas pessoas não possuirão lojas físicas, e isso automaticamente vai significar que dependerão ainda mais do Marketing digital para divulgar e vender seus serviços”.

Quem também integra o time de novos empreendedores é Mariana Simeão, 22 anos, que conta que já tinha vontade de ter seu próprio negócio antes mesmo da pandemia. Ela revela ainda que a @odarahandmade,  sua loja de produtos feitos com macramê, é um hobby, visto que ela ainda não consegue se sustentar somente por esse meio.

O macramê é o hobby de Mariana Simeão
Foto: Acervo Pessoal

A artesã diz que teve medo de não receber um feedback e também de entregar um produto igual aos outros. Sobre receber o público de forma remota, Mariana afirma sentir falta do contato pessoal com a clientela. “Amo me relacionar com pessoas”. Ela se identifica muito com o processo de se comunicar com o cliente, bem como com a hora de confeccionar as peças. Para o futuro, Mariana deseja continuar investindo no digital para realizar a divulgação de seu trabalho.

É uma ideia promissora, explica a especialista em Marketing digital Karolynne. “As ferramentas que o Instagram disponibiliza podem nos ajudar a interagir com nossos seguidores, de forma que os atrai a serem clientes para a empresa em questão. Ferramentas como as enquetes dos stories são excelentes para aumentar o nível de engajamento no Instagram”.

Sobre a importância de novas atividades nesse período, a psicóloga Daniela explica: “O hobby é importante para o ser humano o tempo todo, não só em tempos difíceis, porque de vez em quando precisamos tirar o foco de coisas que exigem demais de nós e que de alguma forma nos geram estresse. Assim podemos descansar a mente para depois recomeçarmos”.

Quem também vez uso da rede social foi Rebeca Macedo de Souza, 17 anos, proprietária da @acherrytreeatelier. Ela conta que sempre teve vontade de ter seu próprio negócio e que, no início, a marca de roupas era apenas um hobby, mas que depois acabou se transformando em sua principal fonte de renda. Sobre as inseguranças antes de inaugurar o projeto, Rebeca revela o medo de falhar, de perder todo o investimento e de não receber o feedback positivo dos seus clientes.

Acerca de dificuldades com o atendimento remoto, Rebeca destaca:  “Sinto falta da conectividade com o público. Por mais que consigamos nos comunicar por meio do WhatsApp ou Instagram, fica faltando aquela parte de comunicação face a face”. Sobre identificação, a costureira não hesita e afirma se identificar com o marketing e a parte operacional.

A marca de roupas de Rebeca Macedo é sua principal fonte de renda
Foto: Acervo Pessoal

Para o futuro, ela deseja a expansão da marca, maior variedade de opções e  seguir pregando os valores que idealizou no início dessa jornada. “O Cherry Tree Atelier foi criado com o intuito de promover uma moda mais sustentável e ética em um mundo lotado de fast fashion”, destaca a jovem.

É notável a busca pelo empreendedorismo e essa escolha traz benefícios,  Hellenn, especialista do Sebrae, afirma: “Acredito na arte de se reinventar e se inovar, quando você é empreendedor Você tem menos barreiras para seguir, e se der errado pode corrigir a rota mais rapidamente”.

As redes sociais podem ser uma rede de apoio aos jovens artistas empreendedores brasileiros, que fizeram do Instagram a vitrine para expor seu trabalho e sua arte por meio de fotografias, vídeos, stories, na tentativa de preencher  a dor que esse tempo trouxe com a leveza que a costura e o artesanato transmitem.

Gabriela Thais Pinheiro Machado – 3º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

5 comentários em “Marcas online durante a pandemia

  1. Maristela Fittipaldi

    Parabéns pela publicação de sua matéria, Gabriela. Bjs!

  2. Júnia Laís

    Gostei muito da publicação!!
    Uma verdade q tem acontecido, e ajudado no sustento de muitas famílias.

  3. Excelente matéria!

  4. Gabriela Thais Pinheiro Machado

    Foi uma experiência incrível poder ouvir e compartilhar essas histórias! 💛

  5. Maria Borges

    Parabéns Gabi, amei a publicação! Bjs!

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