Da sala de aula

Elas no comando

Em tempos de pandemia, empreendedorismo feminino cresce exponencialmente no Brasil

Seja na seleção para um cargo disponível ou até mesmo em uma oportunidade de promoção, é inegável que durante muito tempo os homens levaram vantagem no âmbito profissional. A “guerra dos sexos” era caracterizada por muita injustiça. Com as transformações advindas da modernidade, porém, esse cenário se modificou. A conquista de funções antes tradicionalmente dominadas pelo sexo masculino é uma das muitas provas de que, ao longo dos anos, o progresso do gênero feminino no mercado de trabalho se potencializou. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, as mulheres administram 56% do orçamento doméstico no país. O que já era incrível ficaria ainda melhor se não fosse pelo surgimento de um vírus que paralisou parcialmente o mundo.

Com a chegada da pandemia causada pelo novo Coronavírus, o aumento da falta de perspectiva no mercado de trabalho se tornou realidade e, por conta da crise financeira empresarial instaurada no Brasil, foi possível observar diversos casos de mulheres que foram demitidas ou que, por consequências pandêmicas, abdicaram de seus empregos para, por exemplo, cuidar dos filhos que inevitavelmente têm passado mais tempo em casa. Mediante as drásticas mudanças, surgiu a necessidade imediata de se reinventar. Foi aí que, na maioria dos casos, na raça e coragem, muitas se arriscaram no mundo do empreendedorismo. A alternativa logo se popularizou e, na maioria dos casos, virou a principal fonte de renda dessas brasileiras. A autonomia adquirida com a mudança se tornou uma das protagonistas desse “caminho alternativo” e é vista com bons olhos para o futuro.

Uma das muitas mulheres que resolveram empreender em tempos de pandemia, Mariana Cazorla, 19 anos, estudante de Design e criadora da Catarse (@catar.se_), e-commerce destinado à criação e produção de artes e adesivos, destaca: “O empreendedorismo feminino ganhou uma força surreal nos últimos tempos. Muitas mulheres que conheço criaram suas marcas e cresceram rapidamente. A maioria das lojinhas que sigo no Instagram é comandada por mulheres e acho isso maravilhoso! Tem que ter muita coragem para se colocar no mercado, abrir a própria loja, arcar com os custos, o material, entre outras coisas. Essa mudança é muito linda, deixa o coração quentinho! Creio que futuramente a maior parte do comércio será comandado por mulheres ou terá mulheres em cargos importantes”.

Se descobrir empreendedora é um dos maiores “pontos de virada” dessa jornada. A estudante de Psicologia e criadora da lojinha Duda Doces (@dudaddoces), Eduarda Gitahy, de 19 anos, conta o que a levou a esta função: “O que me fez partir para o empreendedorismo foi, principalmente, a vontade de garantir uma renda extra e a necessidade de me ocupar na quarentena. Me vi como empreendedora no momento em que comecei a lidar com os desafios de ter uma loja na internet. Responder dúvidas, botar preço, fazer contas… tudo que envolve um negócio”.

Todo meio profissional apresenta dificuldades, e para as empreendedoras não seria diferente. A estudante de Publicidade e Propaganda, maquiadora e social media de marcas como @dnzbikini, @malok.que.criou e @lojinhanani, Priscila Carneiro (@priscilaabeauty), de 18 anos, afirma: “As pessoas entenderem seu valor, entenderem que o que para muitos é um simples post no Instagram, para o empreendedor vai além, pois envolve segmento de público, branding, estudo de identidade visual, pesquisas”.

Na opinião da jovem, algumas marcas também não colaboram com o próprio desenvolvimento. “Por terem pouca experiência, muitas marcas não entendem esses estudos. Sofremos muita desvalorização no mercado. A banalização é, também, um fator muito complicado. Tem muito plagio nesse meio, o que, infelizmente, é algo difícil de se resolver no Brasil! Envolve muita burocracia”. Por outro lado, destaca Priscila: “É crucial aprender a gerir tempo, ganhos, com o que vai investir, a controlar de forma geral. Esse conhecimento ajuda a crescer como pessoa e profissional! Proporciona um amadurecimento importantíssimo”.

Quando se tem uma pandemia em jogo, entende-se que os métodos antes adotados para, por exemplo, alavancar um empreendimento, não são mais os mesmos. Nesse caso, a experiência deve falar mais alto. Formada há 27 anos em Publicidade e Propaganda, especialista em marketing empresarial, com mais de 25 anos de experiência em uma das maiores seguradoras do Brasil, a Bradesco, e fundadora do e-commerce Amô em Prata (@amo.em.prata), Denise de Carvalho, de 52 anos, afirma que é preciso conquistar o cliente.

“Uma vez que a vitrine do meu negócio passa a ser representada por uma rede social, o maior desafio tem sido fazer com que mais pessoas ‘entrem’ na  minha loja, queiram ficar, adquiram os produtos e interajam, possibilitando, assim, que outras mais pessoas sejam impactadas. Com essa mudança, o entendimento dos algoritmos que ditam o ritmo das redes sociais se tornou um diferencial. A atualização profissional deve ser constante, principalmente em um período tão dinâmico”, avalia Denise.

Por mais que existam desafios, pode-se dizer que empreender tem seu poder e é viciante, pois há o desejo de continuar a empreender quando a pandemia chegar ao fim. Por mais que as experiências tenham sido duras, também são gratificantes. Uma frase dita por Mariana define bem o sentimento: “ Ver que você está crescendo com algo que gosta de fazer, que está recebendo dinheiro e percebe que está no caminho certo, não tem prazer maior na vida! Realmente é uma coisa que você vê e fala: ‘Cara, eu consegui’”.

Gabriel Kaufmann – 3º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Elas no comando

  1. Maristela Fittipaldi

    Parabéns, Gabriel! Bjs!

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