Da sala de aula

Aumenta a representatividade feminina no mercado financeiro brasileiro

Em época de recordes na Bolsa de Valores, mulheres ganham destaque como investidoras

Mesmo em tempos de pandemia, a Bolsa de Valores não para de bater recordes. Um dos destaques foi o marco histórico de um milhão de mulheres investindo. De acordo com a B3, em maio, as representantes do sexo feminino teriam se tornado, até então, 27% do total de investidores. O último marco histórico foi em 2002, quando somavam um total de 17,6% de investidores. Atualmente, a faixa etária predominante é entre 26 e 35 anos, sendo reflexo do aumento de jovens que vêm se preocupando cada vez mais com a saúde financeira e com planejamentos a longo prazo.

Perfil dos Investidores Pessoas Físicas na Custódia da B3

Atualizado: 04/06/2021 – Fonte: Site da B3

Desde 2018, a B3 vem abordando em sua cultura empresarial o tema da Diversidade. Por meio dos chamados “Núcleos de Diversidade”, formados por funcionários de diferentes cargos, são discutidas pautas relacionadas a Gênero, Raça, Etnia, Pessoas com Deficiência, LGBTQ+ e Gerações, o que fez com que o papel feminino ganhasse mais valor e voz no mercado, que tem fama de ser extremamente sexista.

Além disso, mulheres começaram a ganhar espaço nas redes sociais para falar cada vez mais sobre investimentos. Na era dos influenciadores digitais, diversas representatividades femininas vêm usando as plataformas para mostrar que esse ambiente também pode ser delas.

Jéssica Castro, embaixadora e criadora de conteúdo da Exame, já está no mercado há alguns anos. Com um instagram com mais de 25 mil seguidores (@jessicacastrosc), ela divide seu conteúdo entre investimentos e vida pessoal, o que é um desafio diário. “Trabalho no mercado desde os meus 18 anos, sempre gostei muito da área, eu sentia a necessidade de estar sempre organizada quando o assunto era dinheiro e, com isso, crescer com a minha liberdade e independência financeira”, comenta.

Ela conta que já chegou há ficar um tempo fora do mercado por acreditar que não tinha a capacidade necessária para estar no meio, já que é uma área muito difícil, tanto de conteúdo técnico quanto de pressão social. “É muito difícil mesclar a vida profissional com a pessoal. Eu já cheguei a achar que só conseguiria ser bem sucedida com a minha aparência física, já escutei muita coisa durante a minha caminhada. Tive que me moldar muito para entender que eu tinha capacidade de estar onde eu estou”, explica.

Jéssica Castro, embaixadora e criadora de conteúdo da Exame
Foto: Acervo Pessoal (por Leandro Fonseca)

Para Jéssica, é muito triste ver que o mundo dos investimentos ainda é tido como algo predominantemente masculino, mas afirma que sua maior preocupação é a forma como muitas mulheres vêm sendo inseridas no meio. “Às vezes eu sinto que as mulheres têm se tornado uma fonte de marketing para o mercado e isso me preocupa, pois somos muito mais que nossa imagem. Nós saímos da condição de poucas representantes à frente para modelos selecionadas para falar de mercado financeiro. Fico feliz com o avanço, mas não podemos deixar que seja dessa forma”, ressalta.

Ela ainda afirma que fica feliz em saber que inspira pessoas na busca pela independência financeira, e aconselha as mulheres que a acompanham a nunca desistirem só porque alguém um dia falou que ali não era o seu lugar. Jéssica hoje tem dois certificados de grande importância do mercado: o CPA-20 e o PQO, e está se preparando para tirar mais um, o CFP.

Jéssica concentra seu trabalho em inspirar, não só mulheres, mas todos que buscam a desejada independência financeira Foto: Acervo Pessoal (por Leandro Fonseca)

Já a criadora do canal “Pé de Meia” e influencer da Ativa Investimentos, Bia Moraes, conta que entrou de cabeça nesse mundo, mas nunca deixou de pensar nas dificuldades que poderia encontrar neste novo ambiente. “Me apaixonei pelas finanças quando comecei a investir, ainda na faculdade. Depois de formada, entrei no mercado por intermédio do meu canal no YouTube. As maiores dificuldades que enfrentei certamente foram a minha pouca idade, o fato de eu ser mulher, não por preconceito, mas sim por ser minoria e não ter muita voz no mercado, e a falta de contatos, que infelizmente são necessários para crescer”, conta Bia.

Bia Moraes, criadora do Pé de Meia e Influencer da Ativa Investimentos
Foto: Acervo Pessoal

Atualmente, seu canal no YouTube conta com um pouco mais de 30 mil inscritos. O conteúdo produzido tem como foco a educação financeira, fazendo com que o público de Bia seja bem diverso. “Meu público hoje é bem misto, mas, por incrível que pareça, os homens são muito mais engajados que as mulheres. Acredito que isso aconteça porque poucas mulheres já investem de fato, mas sinto que muitas buscam ajuda para mudar essa realidade por meio do conhecimento”, explica.

Apesar de trabalhar com o mercado financeiro, Bia é formada em Publicidade e Propaganda, mas tem pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking. “Desde antes de entrar na pós eu já investia, sempre busquei me aprofundar no assunto por meio de cursos. A minha meta agora é começar a estudar para tirar os certificados do mercado”, comenta.

Bia se divide entre o seu canal no Youtube e a vida de influencer na Ativa Investimentos
Foto: Acervo Pessoal (por Ana Letícia Villela)

Já Nath Amaral, criadora do perfil @nathamaral.finanaças, tem como foco principal no seu trabalho ajudar mulheres na hora de se organizar financeiramente para assim ingressar nos investimentos. Ela afirma saber que o mercado é, na grande maioria, masculino, mas acredita que as mulheres estão chegando cada vez mais fortes para mudar isso. “Pessoas que ainda afirmam que o mercado é só para homens precisam se atualizar! Atingimos a marca de um milhão na bolsa de valores e a intenção é aumentar cada vez mais esse número. Todos nós precisamos saber administrar nosso próprio dinheiro”, comenta Nath.

Nath Amaral, criadora do perfil @nathamaral.financas
Foto: Acervo Pessoal

Formada em Administração com especialização em Finanças e Contabilidade com ênfase em tributos, Nath retrata que sua maior dificuldade é associar as tarefas do dia-a-dia sendo mulher e empreendedora. “Tenho cada vez mais buscado o equilíbrio para manter minha saúde mental”. Atualmente, ela oferece serviços de mentoria e consultoria para aquelas que buscam uma vida financeira saudável. “Nunca pensei que poderia trabalhar de casa e conhecer tanta gente incrível. Não gosto de romantizar, pois não é fácil, mas é muito gratificante o resultado de todo esforço quando se trabalha para si mesmo”.

Eduarda Marques de Menezes – 3º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

4 comentários em “Aumenta a representatividade feminina no mercado financeiro brasileiro

  1. Maristela Fittipaldi

    Parabéns, Eduarda! Bjs!

  2. Danielle Melo

    Eu adorei a matéria! É um assunto de extrema importância para todas as pessoas hoje em dia. Cada vez mais venho me interessando sobre o assunto e essas mulheres servem como inspiração.

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